Today Is a Long Time

Today Is a Long Time

2017

Today Is a Long Time nasce do regresso a uma casa familiar já sem aqueles que lhe davam vida. O lugar está vazio de corpos, mas não de presença. Permanecem os objetos, as fotografias, as marcas de uso, pequenos vestígios de gestos interrompidos e de uma intimidade que resiste à ausência.

Mais do que documentar uma casa abandonada ou reconstruir nostalgicamente um tempo de infância, o projeto procura aquilo que permanece quando alguém deixa de estar. A fotografia aproxima-se dessa zona incerta onde o visível transporta consigo aquilo que já não pode ser visto, fazendo coexistir o espaço presente com os afectos e as experiências que nele persistem.

Há nestas imagens algo de uma carta dirigida a quem já não a pode receber. A casa deixa então de ser apenas lugar ou arquivo familiar e torna-se um espaço onde diferentes tempos continuam a tocar-se: a infância, a perda, o regresso e o instante da fotografia.

Today Is a Long Time constrói-se nesse intervalo entre ausência e permanência. Porque uma casa onde morou o afecto talvez nunca fique verdadeiramente vazia.

Guiné 72

Guiné 72

2014

Camaradagem na Obra Guiné 72, fotografia, colagem e texto de Arlindo Pinto

Guiné 72 foi realizado sob o pseudónimo Carlos Galhardo. Carlos é fotógrafo de guerra, antigo combatente e amigo de Júlio durante a Guerra Colonial. É através da sua voz e das suas memórias que a história de Júlio chega até nós.

Mas recordar não significa reconstituir. As imagens aproximam-se do arquivo para logo o perturbar: corpos desaparecem, rostos desfazem-se, documentos são interrompidos, fragmentados ou deslocados. Aquilo que aconteceu começa a conviver com aquilo que poderia ter acontecido.

No centro permanece a experiência de um homem que combateu ao lado dos portugueses e que, terminada a guerra, ficou suspenso entre dois países que deixaram de o reconhecer. Carlos procura-o através das imagens, mas também através das lacunas que elas deixam.

Guiné 72 habita esse intervalo entre testemunho e invenção, memória e ausência, documento e ficção. Uma história contada por alguém que esteve lá, construída a partir de vestígios reais e de situações imaginadas — até ao momento em que a ficção encontra novamente o homem que lhe deu origem.

Imagem da Obra Guiné 72, fotografia, colagem e texto de Arlindo Pinto
Morte na Obra Guiné 72, fotografia, colagem e texto de Arlindo Pinto
Imagem da Obra Guiné 72, fotografia, colagem e texto de Arlindo Pinto
Obra Guiné 72, exumação de cadaver, fotografia, colagem e texto de Arlindo Pinto
Imagem da Obra Guiné 72, fotografia, colagem e texto de Arlindo Pinto
Obra Guiné 72, fotografia, colagem e texto de Arlindo Pinto

Guiné 72, 2014
Colagem, fotografia e pintura sobre papel de aguarela texturado, 300 g/m²
Fotografias de arquivo e fotografias contemporâneas
76 × 56 cm

sonhando versos e sorrindo em itálico

Capa de fotozine - Tsocazine #4 -de Arlindo Pinto

sonhando versos e sorrindo em itálico

Arlindo Pinto

O regresso regular às paisagens da infância é memória e contemplação. Percorrer distâncias apenas para alijar a carga das fórmulas da vivência citadina, vestida a preceito e organizada no caos da hipocrisia das narrativas infalivelmente corretas.
É uma transitória e triunfante liberdade de devaneio errático, imaginando e esquecendo as coisas que ficaram para trás e que deixei com desapego. Regresso para rever a cópia restaurada de um filme estreado há décadas, povoado de imagens que há muito se fixaram na memória.
Observando o tempo, sonho os versos em película e, nos breves instantes que a luz me concede, imortalizo o princípio daquela vida e permaneço indolente: “sonhando versos e sorrindo em itálico” como no poema de Álvaro de Campos.

Natureza — Fotozine | TOSCAzine #4
Editora — Imagerie – Casa de Imagens
Ano — 2017
Formato — 21 × 14 cm (A5)
Páginas — 20
Sobrecapa — Papel manteigueiro, 140 g
Papel — Renova Cyclus reciclado, 140 g
Impressão — Jato de tinta
Tiragem — 50 exemplares
Exemplares — Numerados
Tradução — Magda Fernandes

Esgotado

Today Is a Long Time

Capa do fotolivro Today Is a Long Time de Arlindo Pinto

Today Is a Long Time

Arlindo Pinto

“Tenho a firme convicção que uma casa onde morou o afecto jamais estará vazia. É este eco sentimental, esta presença distante, que escuto ainda nas imagens com que Arlindo Pinto compõe esta carta de amor póstuma, dirigida aos seus avós, neste Today Is a Long Time.”
— Susana Paiva, prefácio de Today Is a Long Time

Natureza — Fotolivro
Editora — The Unknown Books
Ano — 2017
Formato — 21 × 21 cm
Páginas — 64
Capa — Mole
Papel — Gardapat
Impressão — Jato de tinta
Tiragem — 50 exemplares
Tradução — Linda Formiga

Esgotado

Hope

Capa do fotolivro Hope, de Arlindo Pinto

HOPE

Arlindo Pinto

HOPE  acompanha a viagem de uma jovem através de lugares onde o presente parece conservar vestígios de outras histórias. O que encontra não elimina a possibilidade da esperança, mas torna-a mais frágil e menos ingénua: uma forma de permanecer diante de um mundo capaz, simultaneamente, de destruir e de se reconstruir.
Entre a memória da violência e a instabilidade do presente, a viagem confronta-a com uma humanidade que parece regressar ciclicamente às suas próprias contradições. A esperança surge, assim, não como certeza ou promessa, mas como resistência à ideia de que a história esteja condenada a repetir-se.
Fotografado em Berlim, Sachsenhausen e Lisboa.

Natureza — Fotolivro
Editora — Huggly Books
Ano — 2017
Formato — 23 × 15 cm
Páginas — 68
Capa — Mole

Esgotado

Apoio à publicação de Catálogo de Silêncios

Apoio à publicação de Catálogo de Silêncios
Imagem inicial de "Catálogo de Silêncios"

Apoio à Publicação de “Catálogo de Silêncios” | Depois de ter publicado “Norwegian Sky 9” em novembro de 2019, está chegada a altura de trazer ao vosso julgamento uma nova publicação, resultado do trabalho desenvolvido na Escola Informal de Fotografia do Espectáculo durante aquele mesmo ano.

Trata-se de uma publicação no formato de livro, que conta com a inestimável colaboração de Susana Paiva e que junta imagens que pretendem evocar silêncios, que são interiores, materializados em lugares a que o autor agrega a simbologia que a imaginação e a memória lhe permitem. Ou então essas imagens revelam o estranhamento do real que o autor pretende mostrar, tudo confluindo para infindáveis ciclos de partida e regresso.

Os textos que o fotolivro contém adensam o estranhamento. São, na verdade, outras imagens.

O fotolivro titulado “Catálogo de Silêncios”, tem 72 páginas e terá um período de pré-venda.

Apressem-se, pois, que isto não vai durar sempre.

Fica lançado mais um repto  ao generoso apoio que sempre têm demonstrado às minhas publicações, porque, creio, as apreciam. Só assim faz sentido. Desta feita para os temerários do costume e os outros que se lhes queiram juntar, fica a possibilidade de Apoio à Publicação de “Catálogo de Silêncios”,

A apresentação e entrega dos livros está prevista para outubro de 2020.

Gratidão.

(Artigo de arquivo — pré-venda encerrada]

Today Is A Long Time

Today Is A Long Time

Today Is A Long Time cartaz Today Is A Long Time é um projeto editorial da editora “The Unknown Books” e é o meu mais recente livro fotográfico.
Sem vos querer maçar fica uma pequena sinopse abaixo.
Fica o convite para se juntarem à celebração.
Lá vos espero, dia 18, às 18.30.

*

«O Tempo não é apenas um caminho mais ou menos célere para o ocaso. É testemunha que há de ser chamada a depor sobre a teia de existências a cujo nascimento e constância assistiu indiferente. Alguém irá questioná-lo: se estava efetivamente lá, se tudo se passou assim, se aqueles entes se amavam efetivamente e se o seu dia a dia era de ternuras indizíveis. E se o sol brilhava mais quando a criança olhava o horizonte, tentando adivinhar o futuro, maravilhado com o que via.
O Tempo há de ser perguntado porque guardou para sempre na invisibilidade dos seus aposentos a memória de tudo o que existiu e há de responder com um leve sorriso:
– Por dever. Pela obrigação de ser Tempo. Para recordar ao outrora infante, que aqueles entes e aquele lugar continuam com ele até que ele próprio se torne memória e dele serão para lá desse epílogo. Para o recordar que lhes deve a sua generosidade e o seu afeto.
E o Tempo diz-se eterno, longo, severo e, no entanto, contraditoriamente curto.
“Today Is A Long Time” é “…um poético relato de imortalidade e humanidade… Um secreto murmúrio partilhado, sobre as múltiplas formas como a morte nos toca e esculpe.” *
Um divida saldada, um obrigado sentido. Um revisitar do lugar das memórias que ajudaram a construir o infante e a encontrar na ruína física aquilo que permanece, o que o Tempo, muito tempo, construiu.
As imagens são apenas lembrança, o que escondem é o que existe.»

*do texto introdutório de Susana Paiva

sonhando versos e sorrindo em itálico

sonhando versos e sorrindo em itálico

2017

arlindo-pinto-toscazine-fotografia

sonhando versos e sorrindo em itálico nasce do regresso recorrente às paisagens da infância. Voltar não significa reencontrar intacto aquilo que ficou para trás: cada lugar é atravessado pelo tempo entretanto vivido e pelas imagens que a memória foi conservando, alterando ou esquecendo.

A paisagem torna-se, assim, menos um território a documentar do que uma superfície de reconhecimento e estranhamento. Caminhos, árvores, muros e casas permanecem familiares, mas surgem desfocados, interrompidos ou fragmentados, como se a fotografia procurasse fazer coincidir aquilo que está diante do olhar com aquilo que dele ainda permanece na memória.

O regresso acontece através da deriva. Não há tentativa de reconstruir uma geografia precisa nem de recuperar uma infância perdida. Fotografar é permanecer algum tempo nesse intervalo entre o lugar presente e a imagem interior que dele sobrevive.

O título, tomado de Álvaro de Campos, acompanha essa suspensão. sonhando versos e sorrindo em itálico habita o instante em que reconhecer um lugar já significa transformá-lo — e em que a memória deixa de ser apenas recordação para participar novamente na experiência do presente.

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sonhando versos e sorrindo em itálico
sonhando versos e sorrindo em itálico

Hope

HOPE

2017

arlindo-pinto-hope

HOPE desenvolve-se como uma deriva por lugares onde diferentes tempos parecem permanecer simultaneamente ativos. A paisagem contemporânea nunca é inteiramente presente: edifícios, interiores, florestas e espaços de passagem transportam marcas de acontecimentos que continuam a interferir na forma como os vemos.

Uma presença feminina atravessa algumas das imagens. Não funciona propriamente como personagem de uma narrativa, mas como elemento de continuidade entre espaços que não pertencem à mesma geografia nem à mesma história. O seu percurso aproxima lugares e tempos sem os organizar numa cronologia.

Fotografadas em película de 35 mm, as imagens alternam entre proximidade e distância, espaços habitados e lugares aparentemente vazios, interior e exterior. A memória histórica não surge necessariamente naquilo que é mostrado de forma explícita; manifesta-se também na dificuldade de olhar determinados lugares como se fossem neutros.

HOPE constrói-se nesse intervalo entre aquilo que um lugar mostra e aquilo que sabemos que nele permanece. A viagem não procura resolver essa tensão. Continua através dela, deixando em aberto a possibilidade de avançar sem apagar aquilo que ficou para trás.

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arlindo-pinto-hope
Fototografia da Série e Fotolivro de Arlindo Pinto
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arlindo pinto fotografia livro

Publicação
HOPE →