Sobre
Sou artista visual e editor e vivo e trabalho em Lisboa. A fotografia está no centro da minha prática, mas não a entendo como uma linguagem fechada. Cada projeto nasce de uma inquietação e procura a forma necessária para a tornar visível — fotografia, sequência, livro, texto, objeto ou a relação entre diferentes materiais.
O meu trabalho desenvolve-se sobretudo a partir das relações entre lugar, memória, identidade, corpo e experiência. Interessa-me aquilo que acontece quando essas dimensões se encontram e deixam de coincidir: quando um lugar já não corresponde inteiramente à memória que dele guardamos; quando o corpo se torna simultaneamente presença, experiência e representação; quando uma imagem parece documentar o real mas participa também na sua construção.
Tenho vindo a pensar este percurso através da ideia de Arquitetura da Permanência. Permanecer não significa fixar o passado nem impedir a transformação. Significa procurar formas onde pessoas, lugares, relações e memórias possam continuar a agir sobre nós depois de terem mudado, desaparecido ou se tornado ausência. A fotografia aproxima-se dessa zona instável entre aquilo que permanece e aquilo que inevitavelmente se transforma.
Não procuro, por isso, uma unidade assente num estilo visual constante. A continuidade está nas perguntas; a forma muda porque muda a inquietação. Um projeto pode aproximar-se do documento e outro da ficção; pode exigir uma fotografia isolada, uma sequência, um livro de artista ou um objeto. A forma não ilustra o pensamento: participa na sua construção.
O fotolivro tem uma presença recorrente no meu trabalho. Não o penso como recipiente para projetos já concluídos, mas como uma forma de organizar pensamento, tempo, ritmo e matéria. Tal como a fotografia, o livro permanece porque pode voltar a ser aberto, percorrido e lido de outra maneira. É relacional.
Edição, Colaborações e Participações
Através da Planeta dos Catos, desenvolvo trabalho editorial sobre projetos próprios e de outros autores, acompanhando diferentes momentos da construção do livro, da edição e sequência das imagens à definição da sua forma material.
Em 2019 integrei a equipa curatorial de Aproximar-nos do Caos [com umas lentes que permitam ver melhor o que isso é] e participei também na construção do discurso curatorial da exposição, nomeadamente através dos textos dedicados às obras de Ana João Romana e João Vasco, e de Ana Botelho e paula roush.
Participei igualmente em projetos de natureza coletiva e interdisciplinar, entre os quais Corpo em Cadeia, onde a fotografia se cruza com a dança, a prisão e práticas relacionais, e que deu origem ao livro corpoemcadeia – dança, prisão e gestalt, publicado em 2025 e atualmente na segunda edição.
2025 — A Liberdade está a passar por aqui
D I A F R A G MA | Covilhã International Photofestival
Desde 2020 — Atelier POP-UP / The Portfolio Project
Autor associado
2012 — Coleção Bandas Míticas II, Pop Dell’Arte
Levoir
2012 — Cáceres Pop 2011!
Diputación de Cáceres
2006 — Arte na Planície
Associação Cultural Arte na Planície