2017
Today Is a Long Time nasce do regresso a uma casa familiar já sem aqueles que lhe davam vida. O lugar está vazio de corpos, mas não de presença. Permanecem os objetos, as fotografias, as marcas de uso, pequenos vestígios de gestos interrompidos e de uma intimidade que resiste à ausência.
Mais do que documentar uma casa abandonada ou reconstruir nostalgicamente um tempo de infância, o projeto procura aquilo que permanece quando alguém deixa de estar. A fotografia aproxima-se dessa zona incerta onde o visível transporta consigo aquilo que já não pode ser visto, fazendo coexistir o espaço presente com os afectos e as experiências que nele persistem.
Há nestas imagens algo de uma carta dirigida a quem já não a pode receber. A casa deixa então de ser apenas lugar ou arquivo familiar e torna-se um espaço onde diferentes tempos continuam a tocar-se: a infância, a perda, o regresso e o instante da fotografia.
Today Is a Long Time constrói-se nesse intervalo entre ausência e permanência. Porque uma casa onde morou o afecto talvez nunca fique verdadeiramente vazia.
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