Take My Body

2013

Take My Body parte do corpo como território de confronto. Um corpo exposto, fragmentado e devolvido ao olhar sem a proteção dos modelos de beleza, força e perfeição que historicamente atravessam a representação do nu masculino.

O autorretrato torna-se aqui menos uma afirmação de identidade do que uma forma de a colocar em risco. Aproximar a câmara do próprio corpo significa aceitar a sua matéria, as suas imperfeições e a vulnerabilidade produzida pelo acto de se oferecer ao olhar de outro.

As imagens recusam a distância idealizadora. Pele, pelo, peso, gesto e sombra fazem do corpo uma presença física, por vezes incómoda, onde intimidade e exposição deixam de poder ser claramente separadas.

Take My Body constrói-se nesse confronto entre aquilo que o corpo deveria ser e aquilo que simplesmente é. Não procura reconciliar essa tensão, mas permanecer nela — no lugar onde olhar o outro inevitavelmente devolve alguma coisa sobre a forma como olhamos o nosso próprio corpo.