Ser Ainda o Outro

2018

ser ainda o outro

Ser Ainda o Outro parte de uma pergunta dirigida a si próprio como se fosse outro: quem sou eu? A imagem devolvida pelo espelho não oferece uma resposta estável. É atravessada por medos, desejos, memórias, perdas e pelos diferentes eus que fomos, que imaginámos ou que desejámos ser.

O espelho torna-se, assim, menos um instrumento de reconhecimento do que um lugar de confronto. Quando a imagem se fragmenta, também a ideia de uma identidade una se torna incerta. O eu aparece simultaneamente como presença e construção, composto por aquilo que permanece e por aquilo que foi abandonado ao longo do tempo.

Ser Ainda o Outro procura ir além dessa imagem especular. A identidade não é apenas aquilo que somos no presente, mas também aquilo que deixámos de ser e aquilo que não chegámos a ser. Construir-se implica reconhecer essas perdas e contradições, aceitar que determinados eus se tornam impossíveis e continuar, ainda assim, a imaginar outros.

As imagens pertencem ao presente, mas transportam as experiências e os projetos de ser que o tornaram possível. É nesse presente instável que começa novamente o devir: a possibilidade, talvez sempre incompleta, de ser ainda outro.

ser ainda o outro
Ser Ainda O Outro
ser ainda o outro
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Ser Ainda O Outro

Obras
Impressão fotográfica em acrílico
Exemplar único — 1/1
20 x 30 cm
2018

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