norwegian sky 9
2019
Interessa-me a viagem como território temporário e a deriva como forma de conhecimento. Caminhar sem mapa, deixar que os encontros e os lugares interrompam qualquer ideia prévia do que procuro. Fotografar aquilo que aparece no caminho antes de saber exatamente o que poderá vir a significar.
Há momentos em que um lugar parece familiar e outros em que se torna estranho. Corpos, interiores, ruas, gestos e acontecimentos breves vão formando uma geografia descontínua, feita tanto daquilo que vejo como da maneira como me desloco através dela.
As imagens nascem de situações reais, mas não permanecem necessariamente onde foram encontradas. Quando as edito e aproximo, os lugares deslocam-se, as pessoas tornam-se personagens e aquilo que aconteceu começa a conviver com aquilo que poderia ter acontecido.
Norwegian Sky 9 habita esse intervalo. Entre documento e ficção, experiência e construção, reconhecimento e estranheza. A sequência não procura reconstituir uma viagem. Procura criar um território onde seja ainda possível permanecer perdido — e onde uma história possa continuar em potência.
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