Hope
2017
Hope desenvolve-se como uma deriva por lugares onde diferentes tempos parecem permanecer simultaneamente ativos. A paisagem contemporânea nunca é inteiramente presente: edifícios, interiores, florestas e espaços de passagem transportam marcas de acontecimentos que continuam a interferir na forma como os vemos.
Uma presença feminina atravessa algumas das imagens. Não funciona propriamente como personagem de uma narrativa, mas como elemento de continuidade entre espaços que não pertencem à mesma geografia nem à mesma história. O seu percurso aproxima lugares e tempos sem os organizar numa cronologia.
Fotografadas em película de 35 mm, as imagens alternam entre proximidade e distância, espaços habitados e lugares aparentemente vazios, interior e exterior. A memória histórica não surge necessariamente naquilo que é mostrado de forma explícita; manifesta-se também na dificuldade de olhar determinados lugares como se fossem neutros.
Hope constrói-se nesse intervalo entre aquilo que um lugar mostra e aquilo que sabemos que nele permanece. A viagem não procura resolver essa tensão. Continua através dela, deixando em aberto a possibilidade de avançar sem apagar aquilo que ficou para trás.
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