Guiné 72
2014
Guiné 72 foi realizado sob o pseudónimo Carlos Galhardo. Carlos é fotógrafo de guerra, antigo combatente e amigo de Júlio durante a Guerra Colonial. É através da sua voz e das suas memórias que a história de Júlio chega até nós.
Mas recordar não significa reconstituir. As imagens aproximam-se do arquivo para logo o perturbar: corpos desaparecem, rostos desfazem-se, documentos são interrompidos, fragmentados ou deslocados. Aquilo que aconteceu começa a conviver com aquilo que poderia ter acontecido.
No centro permanece a experiência de um homem que combateu ao lado dos portugueses e que, terminada a guerra, ficou suspenso entre dois países que deixaram de o reconhecer. Carlos procura-o através das imagens, mas também através das lacunas que elas deixam.
Guiné 72 habita esse intervalo entre testemunho e invenção, memória e ausência, documento e ficção. Uma história contada por alguém que esteve lá, construída a partir de vestígios reais e de situações imaginadas — até ao momento em que a ficção encontra novamente o homem que lhe deu origem.
Guiné 72, 2014
Colagem, fotografia e pintura sobre papel de aguarela texturado, 300 g/m²
Fotografias de arquivo e fotografias contemporâneas
76 × 56 cm