Ausências
2015
Ausências parte de espaços concebidos para a circulação, o consumo e a espera. Lugares atravessados diariamente por multidões, mas onde a proximidade física não implica necessariamente relação, pertença ou memória.
Próximo da ideia de “não-lugar” formulada por Marc Augé, o projeto interessa-se menos pela definição desses espaços do que pela condição humana que neles se produz. Entre estações, centros comerciais, supermercados e zonas de passagem, o indivíduo pode estar continuamente entre outros e, ainda assim, permanecer separado deles.
As fotografias levam essa contradição mais longe. Os espaços aparecem vazios ou habitados apenas por vestígios de presença, como se a circulação tivesse continuado depois do desaparecimento daqueles para quem foram construídos. Aquilo que normalmente é ruído, multidão e movimento transforma-se em arquitetura, superfície e espera.
Ausências interroga também a própria fotografia. A aparente evidência da imagem não garante a verdade daquilo que mostra. Ao construir a ausência, a fotografia torna visível uma realidade que não é necessariamente literal: a possibilidade de estar entre muitos e, ainda assim, não estabelecer relação.
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