XIV CORROIOS II+III

Originally posted 2015-02-04 00:18:08.

Money Makers + Puny + Os Golpes + The Scart + Iconoclasts + Os Pontos Negros

Sábado passado o Festival de Corroios regressou à casa mãe – Ginásio Clube – local onde se reuniu a nova geração de aventureiros portugueses, os que gostam de conhecer a boa música nacional que se tem feito nos últimos tempos. Agora que os Descobrimentos e as Naus, são apenas uma miragem, ainda há quem goste de vestir as cores da bandeira – “Não entendo porque a maior parte das bandas não canta em português!”- exclamou um dos habituais seguidores do Festival de Corroios de apenas 23 anos.

Money Makers embora oriundos de Cascais mais parecia que vinham de Las Vegas; vestidos a rigor, fato completo com a lapela dourada e um chapéu a combinar. Aliás bastou vê-los entrar no ginásio ao longo da tarde – com uma considerável parafernália de fatos e instrumentos – para perceber que para eles a música não é apenas fazer boas canções. Nada é ao acaso na estética, quer visual quer musical, desta banda com perfil para grandes palcos quer em Portugal ou noutra parte do mundo. Money Makers combatem a crise com uma atitude altamente profissional, aliada a um som contagiante, próprio para o Verão, ouvindo-se algures numa esplanada. Rock com trejeitos de Ska, numa actuação sem mácula. Noutras alturas acusados de querer subornar o júri, quando atiraram réplicas de moedas ao público, desta vez não houve moedas mas sim 20 minutos bem passados. Não arriscaram como aconteceu noutros concertos, preferiram deixar o sarcasmo em casa, como diz o ditado; o seguro morreu de velho!

Puny – que não poderiam ser mais diferentes dos Money Makers – chegaram de mansinho a Corroios, caminharam discretos por entre técnicos e tocaram com a roupa de viagem. Pela pacatez estaríamos longe de imaginar o barulho que apenas “três gatos pingados” conseguiam fazer. Seguindo a velha tradição do Punk, músicas curtas e directas. Guitarras lancinantes em acordes que chegaram a magoar os ouvidos dos mais sensíveis que se perguntavam “isto é que é boa música?” ou para os que fascinados não conseguiam tirar os olhos do palco – verbalizando apenas no fim da actuação – “epá estes gajos têm de voltar!”. No final das contas arriscaram como ninguém o tinha feito, encerrando com um tema exclusivamente musical – a fazer lembrar os clássicos apoteóticos de 12 minutos mas sem direito a solos masturbatórios – antes momentos espasmódicos em que Rodrigo quase cai redondo no chão embrenhado no baixo, qual Ian Curtis com um ataque epiléptico. Introvertidos do princípio ao fim numa actuação com falhas, uma espécie de diamante em estado bruto, assim é o puro rockn’roll!

Num ano em que o Festival de Corroios presta homenagem à grande família Rock Rendez-Vouz – grande pelo número mas também riqueza incalculável que constituíram para o crescimento da música moderna nacional – entram em cena os Golpes.

Se Silas (Pontos Negros) tapou os ouvidos incomodado com as loucuras experimentalistas dos Puny – que a dada altura nos transportaram a uma velha estação de comboios com as rodas a deslizarem estridentes nos carris – já com os Golpes, as manifestações foram mais positivas, não tivessem os cabeças de cartaz com um CD de estreia na forja. Os Golpes são jovens rapazes com uma maturidade desarmante. Se hoje as canções se fazem de rimas inconsequentes, estes miúdos que – por exemplo gostam do ícone da Nouvelle Vague Fraçois Truffaut – dão peso a cada palavra pois a música não é para ser feita a metro. Pela forma como se apresentam em palco, coletes e alguns folhos, chamam-nos de novos Heróis do Mar. Mas ainda ninguém se lembrou, que pelos trajes, poderiam muito bem ser os Mosqueteiros, não os três mas os quatro – Nuno, Pedro, Luís e Manuel – mais do que quererem salvar o rei como escreveu Alexandre Dumas, os Golpes salvaguardam inadvertidamente (mas nem por isso num acto menos heróico) a língua portuguesa de uma possível extinção. Já que nós por vezes a tratamos tão mal, ao menos que nos sirva de consolo o facto de “Terra” o novo disco de Mariza ser o CD mais vendido nos EUA na categoria de World Music.

O texto acabado de citar é da Cláudia Matos Silva, retirado do sitio do festival, www.festivaldecorroios.net, e reporta-se à segunda sessão do dito.
A terceira contou com os convidados , OS PONTOS NEGROS e os concorrentes THE SCART e ICONOCLASTS, amantes de carne de porco. Uns vindos de Abrantes, terra de boa palha e outros de Lisboa, terra boa não se sabe bem em quê. Os de Abrantes têm como baterista o PASSOS, ex-THE DOLL & THE PUPPETS, banda desaparecida com a viagem até terras de França da MARIA DOLLITA. É uma pena. Era uma banda com futuro, digo eu…

Nota positiva para THE SCART na sua actuação. Pena é que a sua vocalista dê a ideia de não se sentir à vontade no palco e entoar todos os temas de uma forma quase monocórdica.

O pessoal de Lisboa, leia-se INCONOCLASTS, fartou-se de saltar e berrar. Adoram carne de porco e ao que dizem tocam “Post-Pimba Agrocore Progressivo”, o que me parece muito bem. Soam leves e desenjoados, apesar da carne de porco em excesso.
Bom aqui o que interessa são as fotos do evento. Cliquem na imagem e desapareçam!

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