Mustafá King

Originally posted 2018-08-11 12:43:09.

MustafáO jovem corria louco, enfurecido, no quinto andar!
Snifava cocaína e saltaria da ponte da revolução,
se quisesse possuir a loucura da infindável e porca existência.
Uma batina manchada das picadas e
a carne dilacerada pelo prazer da alucinação,
trazia no ventre os filhos cor-de-rosa das
raparigas assexuadas, nos actos saltadores de fios eléctricos e
do passear sem direcção com os miolos espalhados no
metálico da cobertura da cabina telefónica.
Os dias do verão apareceram vivos num momento de dor atroz e
olhos de cego homosexual viram pairando embuçados,
os bairros da lata incendiarem-se, com petróleo da longínqua arábia
dos donos da areia triste que,
desalmada, cospe o escarro do pó e
penetra as côrtes assíduas dos sultões apodrecidos
pelo vício do sexo masculino.
Cobriu a amada no berço dos cães azuis e
saltitou na sombra de Abel, Caim dos pobres,
quando o retirar se quedou mudo,
num silêncio de cortar à faca o bandulho dos reis da treta,
que, soltos da inteligência, atacaram os deuses do Olímpo,
num barulho alvoraçado de mulheres fáceis e
gritaram até que o cair da noite abafou a indulgência do sanatório,
onde os loucos refazem, tijolo a tijolo,
a muralha que ruiu ao toque de mustafá king.

747

Originally posted 2018-03-07 07:19:35.

Matando o papaCarbónicas as cidades do dióxido,
envenenaram cedo os rapazes e
corriam de cio na venta mulheres
por entre passeios empedrados de aldeias montanhosas.
Calculavam-se metricamente as possibilidades:
ascensão florida no cemitério e
o verde-escuro dos táxis acelerava veloz
cantigas de Edith Piaf.
Era ontem e hoje que caía sórdido e balofo
na armadilha das lambidelas do poder,
lembrando aos pecadores da carne puritana,
uma pasta ensanguentada, escorregadiça, lúgubre.
O Santo Oficio bailou na morgue
a dança ácida da chuva experimentalmente atómica.
O padre ajoelhou cabotino no altar da hipocrisia e
no pânico da revelação do Cristo crucificado
no monte das oliveiras;
cabelo oleoso no azeite das lamechices beatas.
747, caiu!
Todos caímos e
o sentido da escrita cai a pique nas “Bic” da ignorância.
Corpos apodrecidos aos milhares,
roídos pelos abutres do poder,
cromos de uma colecção sem caderneta.
Ciprestes cobertos de um negro carregado e
os mortos que riam do destino aéreo de aterrar
os cornos num descampado qualquer,
quando o voo perde a altitude da paz do Senhor,
sem que ainda os sobretudos do Inverno moral
caiam nos jazigos das mortalhas cantantes.
Achei divertido ter vontade de estrebuchar num jantar canibal e
condenar os criminosos à forca.
Como no “far-west”!

Suicídio

Originally posted 2015-02-04 00:18:26.

suicidio

Suicídio

O desespero e a solidão de
Uma vida
Sem sentido
Apenas cortada nas veias do tumulto de
Um imaginável suicídio com o seu homem
O vidro transparente é o reverso de
Um faduncho na vida que pode terminar a
Qualquer instante… como no filme da tevê gorda capitalista
Arauto da desgraça suprema da raça… meretriz raça humana
Reminiscências infantis de uma memória atualizada
A casa decrépita e as bonecas de trapo em tardes de agosto
Virginal e inevitavelmente casada
Dias de feliz aparência de felicidade “ad eternum”
(mentira, mentira, tudo mentiras)
A hora vai tardia e a cela é intolerável
As pernas inchadas pelo peso do passado
O dorso arqueado ao admirável espectro do futuro
Guinchava ruidosamente sons insuportáveis
(não te suporto, porca, não te suporto, morre, cadela)
E sentiu-se só, frágil como a alma, como o nada, o
Nada do seu homem, olhado com ternura
Morto na fatalidade de ambos serem entes num
Mundo à deriva
Suicídio e pronto