Os mortos não vos saúdam!

Originally posted 2018-05-27 17:31:09.

Bolt Thrower - EntrenchedNa medida (exacta) em que são 1.52 da manhã, podia muito bem estar calmamente dando uma “ouvidela” a um disco de Nick Drake, Elliot Murphy, Tim Buckley (todos mortos, excepto Murphy, que eu saiba, mas mesmo assim calmo) ou mesmo Antohny & The Johnsons. Mas não. O que hoje ouço é o som da metralha, de bombásticas explosões que desmembram seres e esfacelam crânios: pernas para um lado, tronco para o outro, sangue a tingir o verde da selva (sim estamos na selva, na tundra africana), tudo em nome do destino pátrio.
Ouço os que para lá foram e regressaram empacotados, pernas e tomates misturados (do género cabidela) e enviados às carpideiras do solo materno. Um burado de 2 metros e os ossos nele assentes para todo o sempre. Ámen!
A alternativa ao saco plástico: o sanatório dos (poli)traumatizados de guerra,  agarrados a veículos de um único lugar (não do morto, mas do deficiente) movido a braços, cansados por sinal.
Bolt Thrower colocam o dedo nas feridas das vidas leais, perdidas no cumprimento de um qualquer dever, que não o de ser, mas o da extinção, “the tragic waste of life once gave”. Colocam o dedo na hipocrisia dos memoriais de mármore idêntico ao das lápides que cobrem as sepulturas daqueles outrora leais. Dos que já não saúdam, ocupados num sono eterno, gentileza de um idiota qualquer ou de um punhado deles.
“Those once loyal”, um chuto de adrenalina e de raiva destilada ao longo de um disco de 4 estrelas, mas mesmo assim, não tantas quantas aquelas cujo brilho se apagou ao serviço de um ideal de vida que nem sequer existiu.
Hoje dormirei mais descansado.
“Brave are the deeds
Of fallen victorious
Never forgotten
Lonely are the glorious”.

(clicar na imagem)

Andre Gago

Hamlets, Heterónimos, Pessoas…

Originally posted 2018-05-25 16:56:35.

Andre GagoCarlos Barretto, um dos mais importantes músicos e compositores da cena Jazz portuguesa, juntou-se a André Gago para criar um concerto poético, que tem estreia marcada para dia 27 de Março (Dia Mundial do Teatro) no famoso Centro Cultural Malaposta, em Odivelas.

Este espectáculo traça o rasto que a personagem Hamlet – e Shakespeare – deixaram na literatura portuguesa, e em particular nos nossos poetas, dos ultra-românticos aos contemporâneos.

O eixo central do espectáculo organiza-se em torno de Pessoa e dos seus heterónimos, com destaque para Álvaro de Campos e Alberto Caeiro. Mas há mais poesia tocada pela temática metafísica de Hamlet: Cesariny, Teixeira de Pascoaes, Jorge de Sena, Guerra Junqueiro, António Gedeão, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner, António Nobre, Gomes Leal e António Feijó são os outros autores evocados nesta elegia estranha, onde morte e humor vão de mão dada como os célebres palhaço e coveiro que Shakespeare nos apresentou em Hamlet.

Entre a poesia, a canção e a música (Carlos Barretto improvisa e toca também temas do seu álbum “Solo Pictórico”), esta nova produção vem encerrar o ciclo dedicado a Hamlet, iniciado com “A Gargalhada de Yorick” e continuada em 2007 com a apresentação de “Hamlet”, numa co-produção entre o Teatro Instável e o Teatro da Trindade.

SINOPSE

Terá Hamlet, personagem de autor, sido o primeiro metafísico da literatura ocidental? E Fernando Pessoa, autor de personagens, o seu zénite?

Que o tema shakespereano exerceu grande atracção sobre Fernando Pessoa é evidente. Mas como se foi moldando, até chegar a Pessoa, e mesmo depois dele, a herança hamleteana?

Este espectáculo procura traçar o rasto hamleteano na literatura portuguesa, e revela a surpreendente influência de Hamlet – e Shakespeare – nos nossos poetas, dos ultra-românticos aos contemporâneos.

ÍNDICE TEMÁTICO:

YOU ARE WELCOME TO ELSINORES / SIM, É O CASTELO DO HAMLET / SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO / SE TE QUERES MATAR, PORQUE NÃO TE QUERES MATAR? / SE EU MORRER NOVO / SE DEPOIS DE EU MORRER QUISEREM ESCREVER A MINHA BIOGRAFIA / SE EU JÁ ESTIVER MORTO / HÁ UMA PROVIDÊNCIA ESPECIAL NA QUEDA DE UM PARDAL / A RAINHA MAB / ADEUS RAÍNHA DAS FADAS / DO SEU LONGÍNQUO REINO COR-DE-ROSA / A CRIANÇA QUE PENSA EM FADAS / HORA FINAL / NOX / NA NOITE TERRÍVEL / INSÓNIA / DE MANHÃ / DESASSOSSEGO / MALES DE ANTO / A CAVEIRA / O PALHAÇO E O COVEIRO / O FIM / SE TODO O SER ABANDONAMOS /ADEUS

OS AUTORES:

MÁRIO CESARINY / JORGE DE SENA / WILLIAM SHAKESPEARE / ÁLVARO DE CAMPOS / ALBERTO CAEIRO / TEIXEIRA DE PASCOAES / ANTERO DE QUENTAL / BERNARDO SOARES / ANTÓNIO NOBRE / ANTÓNIO FEIJÓ / GOMES LEAL / MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO / SOPHIA DE MELLO BREYNER / ANTÓNIO GEDEÃO

E A MÚSICA DE CARLOS BARRETTO… (COM UM TEMA DE MÁRIO LAGINHA)

Concepção Geral: André Gago

Música Original: Carlos Barretto

Figurinos: Ana Vaz

Fotografia e Design de Rui Soares Esteves

Desenho de Luz e Direcção Técnica: Marinel Matos

Interpretação: André Gago e Carlos Barretto

Duração aproximada. 65 minutos (sem intervalo)

Fonte: www.newopenart.com/teatroinstavel

(clicar nas fotos para aceder à galeria)

DAPUNKSPORTIF no Março Fora d’Horas

Está a decorrer em Corroios o XII Festival de Música Moderna. Apesar de não entender porque é que é moderna, o facto é que se trata de um evento que, como o nome indica, vai já na sua 12ª edição, o que só por si é de se lhe tirar o chapéu.