Punk patria nostra

Originally posted 2015-02-04 00:17:27.

FÁBRICA DE BRINQUEDOS + GAZUA + K203, MUSICBOX, 24.09.2009

No dia 24 passado (Setembro de 2009), no Musicbox, ali ao Cais-do-Sodré, esta sala lisboeta foi mais uma vez palco da celebração do punk rock nacional demonstrando que a glória do punk, ao contrário da do mundo não é passageira. Ali estiveram três bandas, todas para celebrar a edição do terceiro disco dos K203, “O FIO DA NAVALHA”, que, ao cabo e ao resto é onde andamos todos. Seja pelo temor do desemprego, seja pelo medo das escutas, seja pela prepotência do chefe, seja pelo imbecilidade de quem manda, seja ainda pela tristeza da justiça, seja pelos discos da LADY GAGA, temos sempre algo que nos traz num difícil equilíbrio, numa sobrevivência preocupada. Quem esteve no Musicbox, divertiu-se. Ficámos a conhecer os alentejanos FÁBRICA DE BRINQUEDOS, novos temas dos GAZUA e naturalmente o novo álbum dos K203. Ficam as Set Lists das bandas e como bónus um tema em vídeo dos GAZUA, um hino à resistência, que captei quando coloquei a camera de lado e agarrei no telemóvel. Cliquem nas Set Lists e vão passear até à Galeria. Se quiserem ver o video não se esqueçam de pausar o Mixpod aqui ao lado, senão é a loucura total… Fica, retirado das respectivas páginas do MySpace, um pouco das bandas para quem ainda não as conheça, o que só por si constitui crime de lesa majestade. FÁBRICA DE BRINQUEDOS Banda formada no Verão de 2005 em Santiago do Cacém, com alguma experiência de palco, já efectuou concertos um pouco por todo o lado no sul e centro do país, tocando com várias bandas conhecidas a nível nacional. A banda já foi composta por várias formações até à actual, que conta com Nato na voz, Hugo e Sabino nas guitarras, Coelho no baixo e Ricardo Barrinho na bateria. A banda está neste momento a trabalhar em material novo e a terminar a edição e produção de um novo EP. GAZUA Formados em 2005 os Gazua são uma banda de Rock cantado em Português com base em Lisboa. Da sua formação fazem parte: o João na voz e guitarra que principiou o seu percurso musical no final dos anos 80 com os Corrosão Caótica, passando ainda em 98 pelos Carbon H. Paulinho no baixo, estreou-se também no final do anos 80 com os Jardim do Enforcado, no inicio dos anos 90 com os M.A.D. e os Spitz Buben e, actualmente, participa com os Kamones – banda de tributo aos Ramones que conta com a participação de João Ribas (membro dos Tara Perdida e dos Censurados) ; e, por último, o Paulo Corvo na bateria, que com 30 anos de experiência como baterista (20 deles na mais antiga banda de covers do país, os Ferro e Fogo), é o motor oleado desta formação. São um trio no qual cada elemento já conta por isso com muita experiência dentro do panorama musical nacional e que nos Gazua juntam forças para levar este projecto a bom porto. Em 2007 decidem gravar o primeiro álbum “Convocação”, que teve uma boa receptividade, levando a banda a avançar para o segundo disco exactamente um ano mais tarde. É assim que surge no inicio de 2009 “Música Pirata”. Um disco mais abrangente dentro do estilo Rock, e com um pendente mais inconformista. O conceito deste novo trabalho explora os caminhos que cada um pode seguir à margem da grande indústria consumista que atropela os pequenos criadores, daí o nome “Música Pirata”. Há ainda a curiosidade de ser um CD com uma caixa feita em cartão canelado impresso em serigrafia a duas cores em que não existem 2 totalmente iguais, tendo ainda o detalhe de terem sido criadas 4 capas diferentes que se completam quando juntas. A ideia será passar a mensagem de que a união faz a força! São 12 temas que não se delimitam ao estilo Punk Rock e que passam mensagens de união, construção e constante procura pelas coisas em que acreditamos. Este disco tem edição de autor e distribuição nacional. K203 Oriundos de Santiago do Cacém e apadrinhados pelos Xutos&Pontapés em 1996, os K2o3 lançam pela mão de TIM e com edição da EL TATU, o álbum de estreia intitulado “És capaz”. A banda faz várias primeiras partes dos Xutos, vários concertos de norte a sul e em 1999 editam o segundo trabalho de nome “Grita”. São actualmente uma das mais respeitadas bandas punk rock nacionais, com o estatuto de banda de culto, que frequentemente tem centenas e por vezes milhares de pessoas nos seus concertos, apesar de actuarem num circuito mais alternativo. 2009 marca o regresso dos K2o3 às lides discográficas com o novo álbum intitulado “No fio da navalha”, com edição marcada para o dia 24 de Setembro de 2009. Neste momento a banda está pronta para apresentar o seu novo trabalho ao vivo numa tour que irá percorrer o país de norte a sul e que já conta com várias datas agendadas.

Noites de Valéria

Originally posted 2015-02-04 00:17:26.

Tombámos mortos de alcoól e Valéria ria em gargalhadas de cio imprudente, entre o trago fácil de um uísque ordinário e o afagar caloroso do sexo humedecido. Jorge sorria matreiro.
O ar da sala tragava incolores os odores da festa, que, de paredes nuas, só um astuto e, no entanto, miserável cabide presenciava. A mesa do talho estava lá para estar no memento da aventura, sem que mais explicações fossem necessárias.
Valéria era louca e entorpecia-nos os sentidos com conversas estrebuchantes de palavras ordinariamente viscosas. Gozávamos o hálito ilustrado de amantes que Valéria exalava da boca piorrenta, adivinhando os que lhe sugaram os mamilos até à exaustão.
Valéria e Jorge entumecidos.
Em acto de alucinante desvario toma-a de assalto sobre a mesa de talho, cujo mármore ornamentava a cozinha excêntrica de Valéria. Contorciam-se. Ninguém ousou mexer-se e todos aplaudimos o acto de brava coragem. Assistíamos e queríamos gozar o sentido próprio da festa masturbando-nos num amontoado de carne erecta, que transpirava ofegante a penugem basta da alcatifa que nos absorvia o ser.
Caiu a máscara e as paredes escureceram quando o mundo penetrou Valéria, a casa e o que restava dos convivas que jaziam mortos num orgasmo inacabado.
Jorge cuspiu sangue e confrontou a existência com a morte.
Valéria ria em gargalhadas de cio imprudente.
Jorge sorria… morto!

REJECTS UNITED

Originally posted 2015-02-04 00:17:23.

Live@Music Box, Lisboa, 21.06.2008

Rejections… Obsessions and Lust And love for Rock’ n’ roll, are some of the few things that fuelled up 4 friends to unite and create a no bullshit, straight forward, old school rock band.Combining powerful hard-rock riffs, heart-felt lyrics, and catchy choruses that stick to your ears like candy, Rejects United are influenced by the good old Rock (Guns’ n’ Roses, Foo Fighters, Danko Jones) Punk/Hardcore/Emo (My chemical romance, Everytime I Die, Dashboard Confessional) and even Metal( Pantera, Metallica, Atreyu).
Every member of the band has already some years of experience in the music scene: João Campos (vocalist, rhythm guitar) played in Infatuation J., Same Old Suspects, Vitor Calado (bassist) came from Black Nepal, Micky Eight and Buckle Up, Paulo Spinola the lead guitarist played in Buckle Up and Same Old Suspects, and last but not least the drummer Rodrigo Alves plays in Tara Perdida and has played in the bands Starvan, Summer of Damien, and Micky Eight.
They released their debut ep “Rebound Aftermath” in 2005, receiving positive feedback from radio’s and public, playing in venues all around their home country Portugal. The band then returned to Generator Studios in 2007 to record their debut album “BOYHOOD SURVIVAL KIT”with the help of Miguel Marques(Devil in Me, Aside, More Than a Thousand, Easyway)and mastered by Alan Douches(Misfist, Mastodon, Ben Folds Five) in West West Side Studios in New York, producing an album that is a blend a blend of powerful rock riffs, punk angst, big vocal hooks that take you through a history of love madness and despair. The album was released early 2008 July through LOCKJAW RECORDS(UK) and COMPACT RECORDS(PT), giving them the chance to tour in England with A NEW DAY, and play with bands as CRAZY ARM and LYU. Now with the BSK closed, R.U. are closed in their “home studio” pre-producing new songs and sounds for a new E.P., marking a new phase in their evolution as musicians. KEEP IN TUNE… 

In:

The Mango Kid

Originally posted 2015-02-04 00:17:20.

Voicist - Whatever You Want From Life VOICIST + TOKYO DRAGONS + DANKO JONES @ PARADISE GARAGE

Terça-feira é feira da ladra. Semanas antes tinha já decidido ir com o “JM” ladrar para o Paradise Garage. Por ali passava “The Mango Kid”, acompanhado de duas bandas de apoio: Voicst e Tokyo Dragons. O projecto era chegar cedo, ficar bem junto ao palco, primeira fila entenda-se, e abanar violentamente a cabeça ao som do já conhecido Danko Jones. Com os outros, ilustres desconhecidos, logo se veria. A noite havia de consistir no frenético destilar de suor e sacudir as ancas oscilando o corpo entregue à potência dos amplificadores. Chegados ao local onde a celebração do rock’n’roll deveria ter lugar, ocupámos os lugares de acordo com plano antecipadamente traçado: temerariamente na dianteira. No proscénio estavam alinhados instrumentos e as baterias faziam fila indiana, prontas a ser descartadas à medida que fossem usadas. Eram uma espécie de instrumento de usar de deitar fora. Tocado que estivesse, ele aí ia direito ao canto esquerdo do palco, por onde haveriam de se escoar os instrumentos e amplificadores usados e já sem préstimo para aquela noite. Música descartável. Who cares?
Há hora marcada aparecerem os Voicst. Os presentes, escassos, fitavam o palco com a curiosidade de quem nunca lhes tinha posto a vista em cima, nem sequer lhes tinha feito ouvidos de mercador.
“We are Voicist from Amsterdam”. Ok. Fogo à peça. Um trio poderoso. Rock’n’Roll em inglês com sotaque holandês. Normal. Além disso apenas nota para um qualquer problema de pé-de-atleta do baterista e do baixista: um de meias e outro descalço. Depois queixem-se que a micose se contrai nos locais menos expectáveis.
Por ali andaram pulando e rodopiando sempre com um som suficientemente forte para manter quentes os indefectíveis amantes do ruído organizado produzido em volumes consistentes com a possibilidade de uma surdez prematura. É dos Voicst o registo que hoje aqui fica em “chords of fame”, precisamente o tema que abre este disco.
E lá fizeram a parte deles, os miúdos, e bem digo eu. Idos, vem o staff retirar instrumentos e a bateria da fila indiana. O canto esquerdo do proscénio lá vai sugando, qual buraco negro, os instrumentos e demais artefactos usados na função.
Os meus ouvidos, a escassos 100 cm do palco, começavam a emanar um certo zumbido característico da exposição a demasiados decibéis… iiiiiiiiiiiiiiiiiii. E nada. Assim é que é! Em cima do acontecimento.
Palco limpo, chegam em grande estilo os Tokyo Dragons. Malta à moda antiga. Cabelos compridos, indumentária com prazo de validade expirado, botas de cóboi (sem vacas, pelo menos no palco), t-shirt invocando ZZ Top e cabelos suficientemente longo para se saber que a Páscoa se aproximava.
Tónica no hard-rock, solo p’ra aqui, solo p’ra ali e os ouvidos iiiiiiiiiiiiiiii. Malta competente e que aqueceu bem os presentes, que haviam já iniciado os violentos abanões de cabeça, mas nada de “mosh”, por enquanto. A droga e o álcool estavam, contudo, a caminho da produção dos seus efeitos.
Depois do buraco negro ter sugado toda a instrumentália do TD, as luzes apagaram-se a aparecem os três “Men in Black”. Hum… notei logo. Cara nova!
O baterista era um outro fulano, com um claro problema de dentição, por falta deles.
Função iniciada. O que se esperava: um destilar contínuo de energia, contacto permanente com a audiência, conversa de café, provocações mútuas, mas o homem aguenta tudo, e mais, entra no jogo… Naturalmente que os abanões de carola tornaram-se mais viris e, por vezes, violentos.
Tudo corria bem até os elementos extra musicais produzirem os seus esperados efeitos. Os nativos inquietaram-se e iniciaram uma dança frenética de encontrões. Corpos faziam voos curtos, que terminavam inevitavelmente no chão lavado de cerveja. Por entre voos e encontros fui atingido pela mão delicada de uma donzela escanzelada que erguia com a outra um copo de cerveja super-bock. Apesar do meu desagrado a coisa ficou por ali. Afinal estava numa zona de risco. “No big deal”, apesar de ter sido forçado a fazer aterrar um dos moços que por ali voava baixinho.
O “JM”, menos habituado às tribos do rock, foi violentamente atingido na cabeça pelo voo 42 de um piloto destravado. Temeu pela vida. Recuou para local seguro junto ao bar. Como qualquer soldado consciente do seu dever, permaneci bravamente na linha da frente defendendo os valores em que acredito: “rock till you drop!” Se não gostarem destes tenho outros, é só dizerem…