Noite Mágica de Metal

Originally posted 2018-12-01 15:15:11.

MIDNIGHT PRIEST + SHIVAN + GARGULA NO TRANSMISION

Cais do Sodré!
Transmission Club. Arquitectura pombalina. Palco reduzido, encravado entre duas colunas de granito, encimadas por uma espécie de tijolo burro.
Local de culto que aguarda sua eminência, o padre da meia-noite, que antes da hora que lhe dá nome, irá orar com os indefectíveis fiéis do Metal.
Histórias de magia negra, rainhas do mal, sepulturas de vidro, epistolas de profundo sentimento, orações de crentes abnegados do Heavy Metal.
Coimbra não é conhecida como terra de padres, mas este dali veio para colocar em polvorosa as hostes lisboetas. Foi a minha primeira missa dos MIDNIGHT PRIEST. Por volta talvez 22.30, um padre, pequeno na estatura, mas grande na sua devoção, entrou em palco acompanhado dos seus acólitos, para cantarem bem alto RAINHA DA MAGIA NEGRA, aliás muito solicitada pelos fiéis.
O PRIEST pregava e os fiéis abanavam a cabeça em sinal de aquiescência, com vigor, com ânimo, como deve estar-se no culto do metal.
Para registar o momento de tão eloquentes epistolas lá estava o fotógrafo, este humilde servidor das hostes metaleiras.
Os MIDNIGHT PRIEST foram aclamados nesta vinda à capital e tiveram direito a repetir a RAINHA DA MAGIA NEGRA.
Roda o palco, aliás fixo. O que roda são portanto, os instrumentos e no entretanto, molha-se a garganta que tanta reza até dá sede.
Instrumentos a postos e os SHIVAN continuam a missa. Hinos entoados por todos, que estes rapazes já rodam por aqui há uns tempos e deram o melhor de si até à vitória final. Se os MIDNIGHT PRIEST foram uma surpresa para mim, os SHIVAN confirmaram aquilo que deles se esperava: Heavy Metal até ao tutano. Já os tinha visto no MARCH OF METAL e não deixaram os seus créditos por mãos alheias.
Depois de mais uma rodada fizeram a sua primeira aparição em público os GARGULA. Com reminiscências dos idos ALKATEYA, estava curioso de ver em palco a banda de João Pinto. É certo que tinha estado em dois dos seus ensaios para umas fotos promocionais, mas nada que se compare ao ritmo e ao ambiente do palco. O verdadeiro teste é ao vivo. Fiquei agradavelmente surpreendido com a prestação dos GARGULA, que conseguiram terminar em beleza uma noite de metal português. Na set list, temas dos GARGULA, como V12, Eager ou The Bets Are On, que abriu as hostilidades e alguns temas mais antigos dos ALKATEYA, como Star Riders e Face to Face.
A festa terminou com a missa dita bem alto com muitos músicos em palco para a despedida final e um até já, que o metal não espera.

March of Metal Fest II

Originally posted 2014-02-23 19:51:38.

cartazATTICK DEMONS + MINDFEEDER + SHIVAN + THE 7TH CIRCLE + CASTLE MOUNTAIN, In Live Caffé, Moita, 30.11.2008

No passado dia 30 de Novembro teve lugar a 2ª edição do MoM, March of Metal Fest, um mini festival dedicado à divulgação de bandas de Heavy Metal nacionais, organizado pelo vocalista dos MINDFEEDER, Léo, que merece uma chapelada pelo trabalho “pró bono” que desenvolve em favor da causa. Um trabalho de meses, fruto do amor à camisola, como sói dizer-se, “in casu”, o amor ao Metal de cariz, diríamos, clássico. Além de constituir uma óptima oportunidade para a difusão do Heavy Metal português, é uma excelente ocasião para ver e ouvir em palco, as melhores bandas do Metal português, que assim se vai afirmando, clamando direito não só à existência, mas também à sua consolidação como forma de expressão musical a que muitos dão, e bem, ouvidos e que apoiam incondicionalmente, cada um à sua maneira. O MoM é a prova evidente de que o Heavy Metal está vivo em Portugal e que não fica a dever nada ao que se faz na estranja. Além do mais, é uma pedrada na charco da normalização e formatação dos ouvidos dos portugueses, que passam muito tempo agarrados às estações de rádio, mais ou menos dominadas pelas editoras, que apenas conhecem, ao que parece, os Kaiser Chiefs e outras tantas bandas que tentam a todo o custo reinventar a Pop. Fuck That!

Isto por um lado. Por outro, o MoM permite a todos os apaixonados do Metal ter uma noção aproximada do que por cá se vai fazendo e aquilatar da qualidade do produto. Por favor, não discutamos o termo “qualidade”. O que é importante é alargar horizontes e chamar à comunidade o maior número de criaturas, que se pelam por um bom “riff” e sadios solos de guitarra. É verdade, há ainda muita gente que usa a guitarra eléctrica para fazer música e que gosta de a tocar, portanto. Sem paixão nada se cria, nem nada se transforma. E todos os executantes presentes no MoM demonstraram aos que estiveram no “In Live Caffé”, na Moita, que a chama está bem viva e que há lenha suficiente para a manter dessa forma durante muito tempo.

Depois de alterações de cartaz motivadas por impossibilidades de última hora de algumas bandas o figurino do festival foi este, pela ordem como actuaram:

• CASTLE MOUNTAIN

• THE 7TH CIRCLE

• SHIVAN

• MINDFEEDER

• ATTICK DEMONS.

Sem querer meter a foice em seara alheia, essa seara tão mal ceifada dos críticos musicais, considero que o som das bandas é excelente, sobretudo, CASTLE MOUNTAIN, MINDFEEDER e ATTICK DEMONS. Os SHIVAN são também uma referência e os 7TH CIRCLE, mostraram boas aptidões, mas, a mim, pareceram-me pouco a vontade. Opinião cá do “je”. Cada um tem a sua…

Estive lá mais uma vez para fazer as honras de “Fotógrafo Oficial”, a convite do Léo, o que, devo dizer, muito me honra. Só espero corresponder às expectativas, ainda por cima com o material a dar de si (parece estar na altura de adquirir um novo flash, o que não me agrada nada. O tempo é de vacas magras). Mas, quem não tem cão caça com gato, foi o que fiz… A ver vamos se o gato fez bem o papel de cão. Os que me conhecem sabem que para mim a fotografia é um “pintar à máquina (fotográfica)”, por isso não esperem ver tudo muito direitinho e os moços todos muito bem lavadinhos. Não é que não o sejam, mas a fotografia, a meu modesto ver, neste caso, é obrigada a transmitir a luz, o movimento e um cheirinho do som que iam pelo palco. Desculpem os puristas!!! As fotos ficam como testemunho do que a vontade dos Homens pode fazer, quando se ama verdadeiramente.

Por fim, parafraseando um enorme Bluesman (HOUND DOG TAYLOR) e adaptando o que ele disse à fotografia que faço, vocês hão-de um dia dizer: “He couldn’t photograph shit, but he sure made it look good!

See you soon!

clicar no cartaz para ver as fotos…