GAZUA – a união faz a força – R12

Originally posted 2018-09-27 06:47:05.

GAZUA + R12 NO IN LIVE CAFFE, MOITA, 09.05.2009

Na sexta fui a Moita. Mais uma corrida, mais uma viagem! À chegada à terra dos toiros, trazido pela brisa de final de dia, um leve cheiro a estrume! Tudo bem, é a tal terra de touradas.
O destino não era um qualquer circo de feras domesticadas atrás de quem homens e cavalos correm e farpeiam como se não houvesse amanhã, para gáudio dos adeptos do espectáculo tauromáquico.
A rota traçada levava-me ao IN LIVE CAFFE, uma sala onde se comunga da fé no Rock’n’Roll e se chamam as massas a assistir às homilias das bandas que por ali passam.
No cartaz GAZUA e R12. Lisboa e Ribatejo, não em confronto mas em comunhão e solene, que o momento esperava-se alto, cada um pregando à sua maneira a sobredita fé.
Eu sou um crente, um peregrino do rock, já o disse aqui algures, a propósito de um concerto da defunta banda THE DOLL & THE PUPPETS, que teve lugar em Torres Novas, onde os GAZUA tocarão no dia 16, no Teatro Virgínia, local sufocante e onde ao menor movimento se transpira um litro de suor! Coisas de arquitecto.
Bom, mas o que importa é o gig de sexta-feira. Valeu ou não a pena? Vejamos.
A abrir a noite os R12, uns rapazes que além de apanharem batatas, segundo dizem, e porque apanham batatas, são praticantes alucinados de um Punk Agricultor, glória do Ribatejo. Misturam Ska e Punk, e ao ouvi-los vieram-me à ideia os VOODOO GLOW SKULLS, uma vez que além das guitarras têm um moço que sopra, ou bufa como se diz no norte. Bufa num trompete (se não é corrijam-me aqui rapazes, porque, em rigor, só há um instrumento que conheço bem: o meu). Editaram um LP (deixem-me dizer assim, à antiga), BOLETIM AGRÁRIO, o qual teve uma excelente receptividade por parte da crítica, seja lá o que isso for, da especialidade.
Em palco demonstraram o músculo do que tocam. Outra coisa não seria de esperar para quem tanta experiência tem na apanha de tubérculos. Misturando o Punk com o Ska variam entre os tempos rápidos e a distorção da guitarra e instrumentação mais desenvolvida e vozes mais limpas. As letras são, em simultâneo, corrosivas, assumidamente políticas e satiricamente incorrectas. A mistura é explosiva. BUM! Fiquei fã. Não tenho o “BOLETIM AGRÁRIO”, mas aceito doações, que não contam para IRS.
Os GAZUA são um “power trio”, cujos elementos têm já uma grande rodagem no mundo do Rock’n’Roll. Se quiserem dizer que tocam Punk Rock, por mim está bem. É um rótulo. Os GAZUA para lá do som “raw” que produzem juntam à mezinha letras com nítida crítica social, aliás apanágio do Punk, que aludem a ideias que os tempos foram colocando, indevidamente, fora de moda: a união, a construção daquilo em que acreditamos, a luta por melhores condições de vida, a intervenção social que se espera de cada um de nós e não a apatia diária com quem nos cruzamos na rua.
Os riffs de guitarra são bem construídos, soam bem, melódicos e dá vontade de os ouvir repetidamente. Os GAZUA editaram já, à sua conta, CONVOCAÇÃO e MÚSICA PIRATA (aceito doações).
Como não tenho o pirata, estou desde as 10 horas da manhã a ouvir em loop a CONVOCAÇÃO e idolatro o riff inicial do tema Sair da Escuridão, o qual condensa bem o espírito da banda e o seu grito de revolta perante a apatia social do rebanho em que todos nos tornámos. Assim, os seus fãs o entendam e usem a gazua para abrir as portas do conhecimento e do discernimento.
Da noite ficam as fotos. Acedam à Galeria clicando nas fotos aqui do texto.
Ok! Enough!
See ya!

GAZUA

Gazua lideram top 12

Como neste momento me apetece dizer qualquer coisa e até tenho a possibilidade, vaga é certo, de alguém me ouvir (leia-se ler), digo-vos que nas nem sei quantas galerias fotográficas existente em arlindopinto.com, abaixo estão as que se contam no TOP 12. 12 porque à dúzia é muito mais barato e são os que têm neste momento mais do que 500 visitantes únicos!

Out comes MARKY RAMONE

Out comes MARKY RAMONE

Originally posted 2018-07-05 12:02:23.

MAKY RAMONE@CINE TEATRO DE CORROIOS, 15.07.2007

Out comes MARKY RAMONE3.15 da manhã.  Espero. Bebo leite com Ovomaltine. Como que surgida do nada ocorreu-me, aliás, correcta, a ideia de que em 2007 também houve verão.
– Pá, as coisas que aconteceram no passado! THE RAMONES! Punk nova iorquino!
– Pois foi! Eia, bem…
Fui ao cofre e retirei as fotos que fiz num dia de verão de 2007, a um dos ídolos de juventude: MARKY RAMONE, durante anos baterista dos saudosos RAMONES.
– Out comes MARKY RAMONE! VIVA!
– Shiu! ’tás parvo ou quê? Não vês que acordas as pessoas! Vai-te mas é deitar!
– Merda, um gajo também não pode dizer nada ou o caraças! Deves ser da PIDE!
– Ãh!
– Oh pá, clica na foto!

Vivam, Ratos!

Originally posted 2018-02-27 03:34:31.

Vão longe os anos do Rock Rendez-Vous. Quem se lembra dele? Muitos, por certo. Por ali passaram muitos nomes importantes da cena musical portuguesa e estrangeira. Saudoso lugar, onde pela primeira vez vi e ouvi os Mata-Ratos. Na altura o tema, muito apropriado para certas famílias, “A minha sogra é um boi”, era o maior hit da banda de Miguel Newton, que a EMI soube aproveitar ao editar o primeiro longa duração da banda. Desde este primeiro registo “oficial”, que a banda nunca mais integrou uma “major label”. Têm andado por sua conta e risco em editoras “menores”, independentes, mas com muita garra naquilo que fazem, tal qual os Ratos que já perfizeram mais de 20 anos “on the road” e têm por cá e lá fora uma aguerrida e vasta legião de fãs.
Sou, naturalmente, possuidor de vários registos dos Mata-Ratos, incluindo gravações ao vivo no Rock Rendez-Vous, nunca, segundo julgo saber, editadas em vinil ou CD.
No dia 15 de Julho decorreu em Corroios, que começa a tornar-se a capital do punk e do metal (a malta daquela banda é danada), o Festival «Hey Ho… Let`s Go Summer Festival». O Cameraman Metálico desafiou-me a ir fotografar o lendário Marky Ramone, que aparecerá por aqui mais adiante, e eu lá fui pela Hard’n’Heavy, um magazine on-line dedicado ao que o seu nome indica. Actuavam também grupos portugueses: Capitão Fantasma, Mata-Ratos, Decreto 77, Grankapo e Bless The Oggs.
Vindo do norte a caminho do sul dispus-me a ir até lá. Após os preliminares da confirmação da acreditação, entrei no recinto. A “fauna” presente era característica: pircings, tatuagem, cabaças rapadas, outras de crista eriçada, botas Doc. Martens, as miúdas com “pinturas de guerra”, olhos encovados e brilhantes, t-shirts alusivas a grupos ou movimentos punk e claro está aos Ramones. Dentro do cine-teatro estava um calor insuportável, que entre actuações, obrigava a abnegada organização a abrir todas as portas para arrefecer o ambiente escaldante que se vivia lá dentro.
Tenho quase por certo que já não via os Mata-Ratos ao vivo há cerca de 20 anos!… Que vergonha! Bom, seja como for, valeu a pena. O grupo fez-se ouvir percorrendo os hits maiores da sua carreira e eu lá fui disparando à procura da melhor expressão do Miguel e actuais companheiros de estrada. A multidão acompanhava e o Miguel, como é seu hábito, não se fazia rogado e passava o microfone aos da primeira fila para se juntarem naquela furiosa combinação de música, suor e cerveja.
Alheia às nódoas negras, a populaça acotovelava-se, rodopiando em ébrias voltas e saltos de gestos desconcertados, descansando apenas entre músicas, ganhando alento para nova sinfonia de excessos comportamentais. É assim, o rock.
Do momento, por aqui ficam meia dúzia de fotos, da centena e meia que repousará, até ver, no meu arquivo pessoal, para sempre lembrar que estes ratos não podem morrer.
“Long live rock’n’roll!”