Portugal: burro de carga, admirador de pantomineiros!

Hoje mesmo, dia da publicação da já infame Lei n.º 12-A/2008, que estabelece os regimes de vinculação, de carreiras e de remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas, alguém me enviava um SMS, de um número que continuo sem reconhecer, dizendo que o Eng.º (carece de confirmação) “Sócrates perdeu hoje a maioria absoluta em 2009 e talvez as eleições.” E continuava pressagiando que aquele diploma “ foi a sua sentença de morte”.

MOONSPELL na Carbono

Originally posted 2015-02-04 00:17:54.

Sessão de autógrafos dos Dark Lords nacionais

O fim de semana passado foi curtíssimo. Apesar de ter tido dois dias como todos os outros fins de semana, foi muito condensado! O fim de semana só teve sábado, o qual começou às 17 horas e terminou às 7 horas do dia seguinte, já com a cabeça um pouco pesada, direi mesmo meio… coiso! Não façam perguntas que eu não respondo… por mim!
Bom, adiante.
O último dos artigos publicados aqui na casa intitula-se “Estou em conflito”. Presumo que tivessem cogitado estar abasurdido com aquelas duas rodas que giram em sentido contrário, enquanto balançam o corpo como que possuídos por autismo.
Pois é, nem sempre aquilo que sai, entra convenientemente no intelecto dos leitores (os dois ou três que por aqui passam ao engano), porque mal explicado.
Ora o conflito estava relacionado com a ocorrência de acontecimentos importantes em simultâneo, pelo que não tendo eu, como o todo poderoso, o dom da ubiquidade, tinha que me decidir entre estar nuns e faltar a outros daqueles eventos. Senão vejamos:

  • 17 horas: sessão de autógrafos pelos MOONSPELL na discoteca Carbono, na Amadora (bom, quem diz 17 diz 18.30);
  • Concerto às 22 horas dos ditos MOONSPELL na Amadora;
  • Concertos de SEAN RILLEY AND THE SLOW RIDERS, THE PROFILERS e X-WIFE, às 22.30 em NEGRAIS terra de bom bácoro.

A coisa não estava fácil…
Tudo acabou por acontecer da seguinte forma:
Às 17 horas (quem diz 17 diz 18.30), fui até à Carbono fazer reportagem! Algo que agora então vos reporto.
Chegado à loja às 17 horas, bem 17.10, já pequenos e graúdos se amontoavam dentro e fora da Carbono para colherem o seu tão apetecido autógrafo, de uma das bandas do dark metal (ou o que quiserem) que tem levado o nome de Portugal por esse mundo fora e que em breve irá estar em digressão pelos EUA (sim aqueles onde o cowboy mandava), De tudo havia para autografar: discos, posters, livros, guitarras, flyers, desenhos, qualquer coisa onde se pudesse escrever.
E pronto, lá fui fazendo uns bonecos aguardando para o final que a banda me autografasse o seu último registo “Night Eternal” e posasse comigo para o Luís nos fazer um retrato.
Estava assim, cumprida uma parte do dia, que ia ser longo, muito longo.
Havia agora que decidir entre ir ver e fotografar o concerto dos MOONSPELL e ir a Negrais jantar e assistir e fotografar. Também, o “Negrais Fest”.
Às vezes é necessário tomar decisões difíceis, que podem alterar para sempre o rumo da nossa existência. Consultados os oráculos domésticos decidiu a malta que queria leitão em Negrais e uma coisa mais leve para a digestão, do que os MOONSPELL. E pronto, Negrais com eles todos.
O que se passou em Negrais será tema do próximo artigo. É que ainda não tirei a mochila do equipamento do veículo automóvel, pelo que ainda nem vi o resultado de uma noite de fotografias, onde, aliás, encontrei o Fábio Teixeira, grande e jovem fotógrafo da nossa praça.
See ya!

Agostinho da Silva

Agostinho da Silva, pensador controverso e enigmático

Originally posted 2015-02-04 00:17:47.

Agostinho da SilvaAgostinho da Silva, pensador controverso e enigmático.

Centenário do nascimento do pedagogo portuense assinala-se hoje com programa para todo o ano Controvérsia em redor da obra mantém-se, mas é consensual a atitude visionária e anti-institucionalista.
O centenário do nascimento de Agostinho da Silva – celebrado hoje com um programa que se prolonga ao longo de todo o ano revela que a sua figura continua controversa e enigmática, mesmo para os que o conheceram. Nem a designação “filósofo” é consensual.
“Conheci-o e apreciei-o, embora sempre muito intrigado com a sua figura misteriosa, mas foi talvez a pessoa mais extraordinária com que alguma vez me deparei – não era parecido com ninguém excepto com ele próprio”, declarou Eduardo Lourenço, que esteve com Agostinho da Silva em 1958 no Brasil, onde este se exilara. O encontro deu-se no Estado de Santa Catarina, “onde ele era uma espécie de secretário da Cultura”, acrescentou o filósofo e ensaísta, recordando as circunstâncias que conduziram o pedagogo ao exílio voluntário. “A determinada altura da vida intelectual portuguesa, os funcionários públicos tinham de assinar uma declaração em como não eram comunistas e Agostinho da Silva, embora não o fosse, recusou, por considerar um atentado à sua liberdade”.
“A sua linha de pensamento é difícil de enquadrar”, continua Eduardo Lourenço. “Não se pode dizer que tenha sido um conservador, nem um revolucionário ou um anarquista místico, pois ele era um misto de tudo, um ser muito contraditório”.
O professor de Filosofia Nuno Nabais sublinha que “não existe um ‘pensamento Agostinho da Silva’, na medida em que não há uma tese original sua, uma reflexão sobre os grandes temas, como o belo, o bom, o Homem”, mas antes “um estilo desassossegado, contrário à canonização do pensamento” e “uma raiva aos cânones e às instituições”.
“Parasitagem académica”
“Agostinho da Silva sentir-se-ia triste ao ver que existe uma parasitagem em torno do que escreveu e que, no meio académico, há pessoas a fazer doutoramentos sobre reflexões suas que não são filosóficas nem têm densidade teórica para ser objecto de teses, como ele próprio reconhecia” – acrescenta Nuno Nabais.
Mas a reflexão de Agostinho da Silva em torno de diversos temas é encarada de forma diferente pelo escritor Baptista-Bastos, que apresenta as suas obras como “livros de clarificação do pensamento filosófico. Ele escreveu sobre quase tudo o que diz respeito à criatividade e à criação humanas numa linguagem descodificada e singela sem ser simplista e esta é a sua maior grandeza”, destacou.
Para Baptista-Bastos, o filósofo “representa hoje aquilo que sempre representou na revista Seara Nova – uma dose de utopia, quimera e esperança nas infinitas possibilidades do Homem”.
Pensamento visionário
O escritor e jornalista Fernando Dacosta – que descreveu Agostinho da Silva como “possuidor de uma grande lucidez, alguém que não dizia uma frase gratuita” – reforça a ideia de que “foi um ser que veio de um tempo muito à frente e cuja capacidade de antecipar problemas actuais fascinou uns e desconfortou outros”.
“Há 20 anos, disse-me que viríamos a assistir a um fenómeno de globalização, à explosão do desemprego e ao fanatismo religioso”, recordou o escritor, que vê nele “a figura mais brilhante da segunda metade do século XX”.
A veia profética agostiniana não impressiona, todavia, Nuno Nabais, que prefere destacar “o que de mais bonito ele legou, que é uma consciência amarga das asfixias que definem a vida comunitária e cultural portuguesa”.
“Na verdade, Agostinho da Silva construiu um conjunto de mitos sobre Portugal e ele próprio – figura maltratada no país – ao tornar a sua amargura em algo positivo. Confirmou o mito de que os portugueses têm a capacidade de transformar as desgraças em virtudes”. A verdade é que classificar as reflexões de Agostinho da Silva parece ser tão difícil quanto definir a sua personalidade.
* Agência Lusa