The Big Butt Book

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Palavras para quê? É um livro que encaixa às mil maravilhas nesta secção do Planeta dos Catos. Editado pela Taschen, este livro é um principesco repositório de traseiros femininos fotografados, por exemplo, por Elmer Batters, Ellen von Unwerth, Jean-Paul Goude, Ralph Gibson, Richard Kern, Jan Saudek, Ed Fox, Terry Richardson e Sante D’Orazio.
Abrange um período de tempo que vai de 1900 até ao presente com mais de 400 fotos… nossa mãe é muito traseiro! E muita arte!

Para fotógrafos: vejam o vídeo aqui

Carta a um ex-amante

Novo romance de Julieta Ferreira

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O novo romance de Julieta Ferreira é lançado no Sábado, 27 de Novembro, pelas 16:00 no Auditório do Campo Grande, desta vez pela Temas Originais. Fica, desde já, o convite para estarem presentes.
A Julieta tem vindo a trilhar um árduo caminho no panorama da escrita nacional, mas, no fim, valeu a pena e vale a pena. Por várias razões. Desde logo por que é uma excelente escritora e ninguém como ela trata o feminino, sem ser feminista, e a constante procura do amor. Depois este seu novo romance é, segundo a escritora Isabel Fraga, “uma narrativa plena de coragem na qual a mulher se dirige ao ex-amante… fazendo publicamente uma auto-análise do seu relacionamento passado e presente com os homens.” E isto, meus amigos, não há muitas mulheres a fazer, nem a entender.
É o terceiro livro da Julieta para o qual contribuo com a fotografia da capa (e contracapa), algo que me dá particular satisfação, por que ela na sua arte e eu na minha, somos duas almas procurando o seu sitio. A imagem original pertence à série “watch(in’) time” e foi especialmente preparada para a capa (é a cores) e misturada com outra imagem contendo um trecho do livro.
À Julieta desejo o maior sucesso e, arriscando-me a cometer uma inconfidência, fica aqui, em jeito de engodo, um pequeno trecho da obra que verá a luz do dia no dia 27 de Novembro próximo:

Gostei da artificiosa memória de ti. Gostei do Miguel pelo que ele não era. A minha paixão e a mulher que renasceu e se reinventou contigo e com ele, acabaram por soçobrar nas águas frias da indiferença. Voltei a estar num lugar em que é sempre hoje. Fechei as cancelas do ontem e do amanhã. Só que o comboio do tempo teima em fazer paragens na memória e lá estão, nos apeadeiros, os resíduos das mortes que tive, os sonhos murchos e sem berço, o amor na sua cruel perfeição, o sofrimento desalojado, a esperança da cor da aurora. Peço ao condutor que acelere. Não quero revisitar esses lugares atulhados dos meus desperdícios e de sóis estrangulados no poente. Não quero parar. O comboio é que tem uma vontade tirana. Queda-se no silêncio rasgado onde não cabe a dor que já não floresce mas que continua a pernoitar na sombra. Recuso apear-me. Contudo, não consigo ficar impassível aos bafientos, amortecidos fantoches que jogam xadrez no cais, palco de exibições sem coreógrafo. A cortina nunca desce. Fecho os olhos para não ver as pegadas sumidas dos passos que não têm lugar para serem ouvidos, os risos pendurados nos troncos decepados das árvores plantadas nas histórias que acabaram sem conhecerem um fim. Quero enganar o tempo.

Ocaso

I am nudePercorro de passo curto o teu torso e nádegas de cacau.
O amarelo do ocaso revela sombras em desalinho.
Corpos frementes em devassos gestos de prazer e condimento de colorau,
Carnação em lume… eu e tu um corpo onde me aninho.

Corpos que se fixam, bocas que arfam, órgãos que latejam,
Sangue inflamado que circula nas veias em chama.
Carícias de gente vulgar num vai e vem de almas que poetam,
Poema urdido de danças e desejos no lácteo da cama.

Imitam-se, envolvem-se, revolvem-se os corpos transpirados.
Mistura-se a libido e o bem querer revela-se em frémitos de prazer.
Os corpos gritam e as bocas calam os gemidos abraçados.

Foi-se a fome num entardecer de volúpia.
A carne lateja ainda mas inerte,
Na dança adorada da fonte que corria.
Caio lânguido na noite e o teu corpo permanece.