VALIENT THORR + MISS LAVA no Musicbox

VALIENT THORR + MISS LAVA no Musicbox

Miss LavaÓ meus amigos, vocês pensam que isto é o quê? Ai o carago! Bem…
Hoje é sábado e no dia 22 os portugueses MISS LAVA abriram uma cratera de gigantesca dimensão de onde, além de lava incandescente, emergiu o próprio Lúcio Ferreira, mais conhecido por Lúcifer, aka, Valient Himself. Ah pois! Para ser sincero não sei como é que o Musicbox não pegou fogo e ardeu por completo, deixando apenas cinzas fumegantes com odor a rock’n’roll na Rua Nova do Carvalho (ainda por cima madeira)!
Não estou para me maçar muito a contar-vos o que se passou, até porque podem ver as fotografias na galeria dos VALIENT THORR em alindopinto.com e de MISS LAVA “idem”, clicando nas fotos.
O que vos digo é o seguinte:
O Musicbox estava cheio, repleto de adoradores do demoníaco rock’n’roll.
Os concertos começaram com os portugueses em chamas (já vos disse que tenho chamas em mim?). MISS LAVA são mesmo lava: queimam se nos chegamos perto. Desnecessário será dizer que saí de lá em torresmo!
VALIENT THORR são agentes encartados pelo próprio demónio, para destruírem tudo à sua passagem, como uma ceifeira mecânica em total descontrole. Dizem que vieram de Vénus! E eu acredito se eu quiser. Para mim vieram directos do inferno. Aliás no final do concerto disse ao homem das barbas longas (que até pode ser do Benfica) e ele confirmou: Lúcifer! Estava tudo dito. Os homens dos VALIENT THORR, que se apresentaram com um novo guitarrista, fervem em pouca água e mal lhe chega o calor… bum! Entram em movimentos erráticos levados pelo som dos seus instrumentos e após alguns minutos salpicam as filas da frente com o suor que lhes escorre dos cabelos longos. Se vocês nunca viram VALIENT THORR, vocês nunca viram de onde vem o Rock’n’Roll, não lhe conhecem a origem e o seu propósito… são uns tristes!
Ah!
PS: agradecimentos especiais ao Miguel das AliveWeRideProductions pelas facilidades concedidas e por trazer a Portugal mais uma vez os VALIENT THORR. Grande abraço.

FU MANCHU: sinais de poder infinito!

MISS LAVA + FU MANCHU, Santiago Alquimista, 05/02/2010

Em 2007 os FU MANCHU estiverem no Paradise Garage para trazerem a Lisboa, a apresentação ao vivo do seu, à altura, último registo “We Must Obey”! Sensivelmente 3 anos depois, regressaram a Portugal para apresentar “Signs Of Infinite Power”, desta feita no Santiago Alquimista, com o aquecimento a cargo dos portugueses MISS LAVA, já com uma excelente reputação no mercado “Stoner” e um vídeo muito interessante, do tema Black Rainbow, incluído no seu “Blues For The Dangerous Miles” de 2009, ano aliás do lançamento de “Sings Of Infinite Power”.
Se me pedirem para comparar os dois concertos dos FU, o de 2007 e o 2010, diria que este último levou vantagem e ganhou aos pontos ao “gig” de 2007.
Bom, mas comecemos pelo princípio, que é sempre um bom início!
Dia 5 de Fevereiro, sexta-feira, estava algo curioso sobre a prestação dos FU. Não tanto dos MISS LAVA, precisamente porque sendo um fã incondicional dos FU MANCHU, em 2007 fiquei algo desapontado com o concerto. Para isso terá contribuído a não menos do que estrondosa e arrasadora actuação dos VALIENT THORR, em fase de aquecimento para os FU MANCHU. 2007 soube-me a pouco, como na canção do Sérgio Godinho…
Não tinha a mínima dúvida de que os MISS LAVA iam “dar o litro” na primeira parte do espectáculo de sexta-feira. Estava prometido pelo João aka “Johnny Lee” e do que já vi e ouvi dos MISS LAVA, sabia (há coisas que eu adivinho, salvo lotarias e assim) que assim ia ser. E foi! Num palco exíguo para uma banda de, chamemos-lhe, Rock’n’Roll ou Stoner Rock, dar largas à sua presença em palco e aos riffs cadenciados do seu som, os MISS LAVA estiveram bem à altura do acontecimento e são uma excelente aposta na área do Stoner Rock feito cá pelo burgo, que almeja ir mais além no sempre sobrelotado mercado internacional e no minúsculo comércio pátrio. Têm uma legião de seguidores que ao longo dos curtos 40 minutos de actuação, “Johnny Lee” foi chamando para a frente do palco e que corresponderam com o entoar das letras das canções e o balancear dos corpos possuídos pelo peso das guitarras, ritmado pela bateria de J. Garcia. Nota positivíssima, isto à laia de Marcelo Rebelo de Sousa, para os MISS, cuja LAVA colocou em brasa as hostes que aguardavam pelos californianos FU MANCHU.
Intervalo para recompor o cenário e o palco e entra em cena Scott Hill e os seus companheiros de jornada (Bob Balch, Brad Davis, Scott Reeder), para iniciarem aquele que, a meu modesto ver, deverá contar-se entre os melhores concertos de 2010. É verdade que estamos ainda no inicio do ano, mas mesmo assim…
Pela mão da Everything is New, os FU MANCHU apresentaram-se na sua melhor forma. Para mim a sua melhor forma é a superior forma de qualquer banda da área Stoner Rock que se preze: não há cedências, não há variantes, não há tréguas! O som é uma muralha impenetrável de guitarras e bateria, que se abate sobre nós dilacerando entranhas, compelindo o peito a bater mais rápido do que o coração, fazendo-nos levitar numa nuvem densa de decibéis. No caso dos FU, são sinais de poder infinito! Infinito porque não se prevê quando termine este destilar de riffs elevados a “n”, que desde 1990 nos lança em cenas velozes de carros turbinados dos anos 70 ou mitos sobre óvnis e “skate rides”.
No Santiago Alquimista a banda desfiou um rosário de “malhas” que abarcaram quase toda a sua carreira. Não me recordo de todas, porque este vosso escriba também estava para fotografar. Mas posso, assim ao correr da pena e enquanto ouço “Signs Of Infinite Power”, enunciar sem qualquer ordem lógica: “Eatin Dust”, “Hung Out to Dry”, “El Busta”, “Module Overload”, “Mongoose”, “Hell on Wheels”, “King of The Road”, “Boogie Van”, “California Crossing”, entre outros, para terminarem com a apoteótica cover de “Godzilla”, dos míticos Blue Öyster Cult.
A interacção entre o público e a banda foram excepcionais com Scott Hill a “furar” as regras estabelecidas pela segurança e a convidar o público a colocar-se no estrado em frente do palco, ficando uns e outros cara a cara, como que numa comunhão de preces em nome do Rock’n’Roll.
De facto houve muito mais para ver e ouvir do que para contar! Por isso fico por aqui, ficando a certeza de que os FU MANCHU não só continuam a rolar, como a queimar borracha: sinais de poder infinito! 

DISCOGRAFIA FU MANCHU:

Álbuns

* If This Isn’t a Dream… (1989) (a banda ainda se chamava Virulence)
* No One Rides for Free (1994)
* Daredevil (1995)
* In Search Of… (1996)
* The Action is Go (1997)
* Return to Earth 91-93 (1998)
* Eatin’ Dust (1999)
* King of the Road (1999/2000)
* California Crossing (2002)
* Go for it… Live! (2003)
* Start the Machine (2004)
* We Must Obey (2007)
* Signs Of Infinite Power (2009)

#Fonte hardheavy.com Live Report

Texto e Fotos: Arlindo Pinto