Mensagem de Ano Novo do Administrador

Originally posted 2018-11-03 01:30:19.

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1. SOBRE A CRISE
Estamos próximo do intermédio do mês de Janeiro de 2011, o ano do enceto da grande crise. A crise anunciada. Uma crise de século e não de ano. Nem financeira, nem económica, nem orçamental. Uma crise de tudo: valores, solidariedade, honestidade, profissionalismo. Quem ganha terreno é portuguesíssimo chicoespertismo e com ele a desgraça de um povo que dentro do lema “cada um que se desenrasque” podia ter um país ímpar e não tem. Porque o chicoespertismo vai contentando nuns quantos, enquanto outros menos chicoespertos ruminam no silêncio das suas omissões a sua desgraça pessoal, sem coragem para se sublevar, como carneiros que são, esperando D. Sebastião, o líder ou algo que se pareça, pois só os carneiros carecem de líderes. Cada um tem o que merece. Nós temos a nossa parte. Somos carneiros mansos, sem tomates, ovelhas balindo e ouvindo imbecis televisionados pelos canais das novelas. Se querem a minha opinião: vão-se todos fecundar!
Já não tenho paciência para aturar tanto camelo, eu que nem sequer vivo no deserto. O “deserto” de outro energúmeno. Emagreçam o Estado, façam dieta nos Institutos e Empresas Publicas, regressem às Direções-gerais. Somos portugueses porque admitimos “Boys” e “Girls”? Essas palavras nem sequer existem no nosso dicionário.

2. SOBRE A FOTOGRAFIA
Publiquei recentemente no meu sítio uma série de novas fotografias a que chamei “Alegoria do Inferno”. O meu inferno. As razões foram-vos anunciadas aquando da sua publicação. Espero poder vir a exibi-las numa galeria qualquer que nelas reconheça alguma mestria ou interesse estético.
Entretanto começo a pensar na edição de um livro sobre poesia e fotografia, tudo ao molho e fé em Deus. Claro que são tarefas hercúleas. Não estarão interessados em patrocinar? Ah, ah!
Entretanto o Circulo Artístico e Cultural Artur Bual, publicou os meus textos insanos, disponíveis aqui no Planeta, no sítio do próprio círculo, aqui.

3. SOBRE A FORMAÇÃO
Em colaboração com o dito circulo, eu e o meu amigo e colega João Vasco, vamos ministrar um curso de iniciação à fotografia. Um curso extremamente prático e dirigido a todos, demonstrativo que mesmo com uma pequena máquina compacta se pode fotografar melhor.
Por 125€ não conseguem nem maior nem melhor, isso vos digo eu! Se não estiverem interessados em inscrever-se, peço-vos o favor de divulgarem o evento.
Entretanto, em principio, a entrada aqui o Planeta dos Catos, ficará durante o resto do mês com a publicidade ao curso. Depois volta ao seu estilo magazine.

Adeus, até ao meu regresso.

MIOPIA na Amadora

Originally posted 2009-04-16 20:29:35.

MIOPIA EM EXPOSIÇÃO PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA!

convite_miopiaA primeira vez que vi o Arlindo a fotografar foi logo ali com o que tinha à mão. O impulso que o leva a registar e a procurar formas de expressão fotográfica no seu habitat foi o que mais me saltou à vista. Uma espécie de turbilhão fotográfico pensei eu caracterizando esta atitude do autor de “Miopia”. A fotografia digital trouxe-lhe a ferramenta que precisava para se expressar fora do mundo das leis.

Quebrar regras, não estar limitado pela realidade, usando e reciclando técnicas, este fotógrafo não se fica pelo registo meramente documental. O seu toque pessoal seja no momento do click seja na pos-produção caracteriza-se por esta ousadia que não fica retida no que é esperado. O que seria desta formas expressivas de representação se, tudo se limitasse por palavras concretas e definidas? O “punctum” das fotografias do Arlindo é isso mesmo. Os utensílios para realizar os seus trabalhos fotográficos são usados descaradamente. A luz tem apenas o limite da nossa capacidade de ver e imaginar. Se fotografar é uma forma de olhar viva, o Arlindo é um fotógrafo que recusa essa passividade quando se coloca em posição frontal ao real.

A objectiva é um prolongamento do seu olhar. A objectiva, as ferramentas digitais e a manipulação leva os registos deste fotógrafo a questionarmo-nos sobre o que deve ser a fotografia como forma de manifestação criativa. Usa a fotografia apenas como um meio para expressar a inconstância típica do ser. Um jogo em que as regras da composição gráfica são manipuladas ao ponto de nos levar para paisagens diferentes e que deixam de ser inexistentes. Criar é o que faz sentido a quem se propõe falar através da refinação da luz.

O autor das fotos aqui apresentadas assume neste caso, uma viagem pela miopia mecânica das lentes fotográficas. Neste caso, não há lentes de contacto que nos possam clarificar o que só ao longe se vê. Só ao conseguirmos “reparar” os defeitos da refracção da luz na objectiva provocados pelo fotógrafo atingiremos o alcance da deste trabalho. Afinal, nesta correria contra e a favor de crises quem tem tempo para ver melhor ao longe? A paisagem circundante fica mais leve quando o foco é impreciso. Olhe-se bem! Primeiro ao perto, para depois, conseguirmos a amplitude de percepção necessária para compreender a realidade.

Neste trabalho, o fotógrafo mostra-nos a realidade como ela se nos apresenta: incerta. Um desafio corajoso por entre sombras e silhuetas que ainda assimilamos, mesmo que míopes. Um afastamento da verdade que acredito ser a procura impulsiva do autor. Vagueie-se pelas fotografias desta exposição com familiaridade com a actual alienação popular. Force-se o olhar a ver o que por detrás destas sombras se conta. E é de sombras, formas, seduções que este gigantesco livingroom se alimenta. Veja-se melhor ainda que míopes.

Alípio Padilha
Fotógrafo
www.alipiopadilha.com

Abril 2009

Texto retirado do catálogo em preparação

O Presidente da Câmara Municipal da Amadora, Joaquim Moreira Raposo, tem o prazer de convidar V. Ex.ª para assistir à inauguração da Exposição de Fotografia, “Miopia!”, de Arlindo Pinto, que terá lugar nos Recreios da Amadora, dia 23 de Abril de 2009, às 18h30.

23 de Abril a 17 de Maio de 2009
3ª a Domingo, das 14h00 às 19h00
www.cm-amadora.pt

(ENTRADA LIVRE)
Av. Santos Mattos, n.º 2
Venteira – Amadora
Telf.: 21 492 73 45 – Fax: 21 492 71 80
e-mail: cultura@cm-amadora.pt

Texto retirado do Convite

Arte na Planície

Do sonho – um sonho antigo de Paco Bandeira, induzido por Artur Bual, Francisco Relógio e Mário Cesarinny (que teria por catalizadores a expertise e o know-how, o talento e o empenho de António Inverno e Eduardo Nascimento) – partiu-se para a aventura criativa de um projecto cultural interdisciplinar, aglutinador e promocional das Artes Plásticas e Visuais, das Artes Poética, Musicais e Performativas (como soe dizer-se).

Quando começaram os fios a ser de vida?

Originally posted 2007-06-23 17:00:17.

Joel Peter WitkinDepois de concluída a minha formação académica na área da estética fotográfica e influenciado por fotógrafos como Joel-Peter Witkin (imagem ao lado) e Peter Dazeley, no que ao grafismo e arrojo das suas imagens concerne, dispus-me a arriscar um trabalho diferente daqueles que era usual ver. Isso não significava que alguém não tivesse já feito, e bem, queria apenas saber se era capaz de o fazer, sem receio do desastre que podiam ser os resultados finais. Meti-me no estúdio e fiz tudo o que era possível, considerando os resultados pretendidos, para quebrar as regras que durante o Curso Profissional de Fotografia, havia aprendido, sem nunca esquecer as palavras dos que me ensinaram e que sintetizarei neste aforismo: “Para quebrar regras é necessário conhecê-las!” Conhecia-as, ainda não as esquecera e pouco as havia porventura posto em prática e pensei: “Vou fazer (quase) tudo ao contrário!” As luzes usadas foram apenas as de modelação e a profundidade de campo foi a menor possível, para que os modelos fossem irreconhecíveis. Usei filme a preto e branco e depois de digitalizado diverti-me a assassinar as imagens, criando molduras, imitando os riscos de um filme já pouco saudável. O trabalho final agradou-me. A experiência não tinha sido má de todo, a meu ver, claro.
Terminado e apresentado o projecto que chamei de “Miopia”, por razões óbvias Miopia_Arlindo_Pinto_Fotografia(imagem abaixo), decidi que  tinha que haver algo mais do que “miopia”. Porventura cegueira completa… Fui pensar no assunto de máquina entre mãos para um local movimentado da capital. Pensei mais uma vez na técnica fotográfica e nas possibilidades que ela abria quando as regras são quebradas. Para mim a câmara fotográfica está para a fotografia como o pincel está para a pintura. Instrumentos de desenho que não se limitam a captar o real, mas também a outra faceta desse real que, na tela ou no papel fotográfico ou outro suporte, pode revelar algo que o olho humano, por si só, é incapaz de vislumbrar. As imagens de Peter Witkin estavam sempre presentes. E as de Peter Dazeley também (imagem abaixo).

peter-dazeley.jpgPois que é isso da máquina fotográfica senão um instrumento ao serviço da arte, um instrumento capaz de mostrar um real que quase ninguém vê, mas que nos acompanha 24 horas por dia, em qualquer lugar onde estejamos? E porque não aliar isso à falta de espaço físico identificável? Para quê mostrar algo que à imagem não traz qualquer valor? Deixemos apenas a vida fluir num espaço etéreo, onde só ela importa. Mostremos as cores e os movimentos dos que as usam, dos que lhe dão vida.
Com pensamentos desta natureza em mente, preparei-me para violar as regras, para afrontar os puristas e comecei a disparar e captar tudo o que se movia desde que fosse colorido. Tinha dado início aos “Fios de Vida”. As pessoas começavam a aparecer nas imagens como um mais ou menos estreito fio, um fio repleto de vivências, alegrias e tristezas, enfim um fio de vida. Adorei desde logo a primeiríssima imagem que vi no pequeno ecrã da minha câmara (imagem abaixo).
Estava ganha a tarde de reflexão. Os trabalhos expostos na exposição que decorre, foram sendo fotografados por aí, a sua maioria em Lisboa e um deles em Roma. Para os fãs da “freira azul” de Roma, quero dizer que ela ficou de fora mais uma vez porque… sim!
Desejo deixar aqui um público e reconhecido agradecimento àqueles que foram meus professores, dois dos quais me deram a honra de estarem presentes no dia da inauguração da exposição, o Mário Pires, mestre em estética e o Curado Matos, mestre no preto e branco e mais. Apesar de não poder estar presente, um agradecimento especial ao Ricardo Dias, um professor e também um amigo. Ainda agradecimentos ao Luís Índias e “last but not least”, ao Carlos Marques, mestre de um sem número de fotógrafos portugueses, que passaram e continuam a passar pela “Oficina da Imagem” e meu mestre também.
Um agradecimento final a todos os que passarem pelo Centro de Arte Comtemporânea para ver os trabalhos ali patentes, de que imodestamente me orgulho, quer gostem, quer detestem. O importante na arte é provocar emoções, sejam elas de prazer ou de desagrado. Se assim for, o produto do trabalho do “artista” será notado e isso é que importa.