Viva o marisco!

Já a memória me falha para, com certeza, afiançar em que ano, ou no aniversário de quem, literalmente regado a preceito, como era hábito e questão de honra, sobreveio a estranha batalha de entremeada versus entrecosto. Aliás, a esta distância, é até difícil de entender como e porquê, carnes da mesma natureza, suína, se embrenharam numa terrível e odiosa batalha “campal”, no interior de uma pacata habitação nortenha.

Foskinsmiths

Hoje marca o início do fim! Ao iniciar estas linhas estava inclinado para o lado da prosápia deprimida e deprimente. Depois pensei: “foskinsmiths (o word não reconhece esta palavra, não sei porquê), estou farto disto, não se fala mais no assunto.” E assim foi! O “foskinsmiths” trouxe-me logo à ideia as noites passadas no quarto feito sala de fumo/discoteca/cozinha do “M”.

A herança

A herança

Originally posted 2018-03-27 16:20:46.

A herança

I_MATERIAL, de Carlos Gote Matoso e No Mundo das Fadas, de Nuno CabritaO Carlos Matoso, vencedor do Concurso do Mês da Fotografia 2014 do Barreiro, tem neste momento em exposição no Auditório Municipal Augusto Cabrita, Barreiro, o seu projeto “I_MATERIAL“: “I_Material é um projeto fotográfico desenvolvido em 2 séries de imagens e pequenos textos, que aborda as relações entre um Eu (sujeito) e a Matéria, explorando o subtil transformativo que as enlaça. Tem-se como ponto de partida a interrogação: “O que será realmente nosso?”. Prevê-se a participação do interlocutor, com imagens e textos, para a ligação das 2 séries.
No final, o nome do projeto deverá ser descodificado para I MATERIAL IMMATERIAL, numa relação triangular dos 3 termos.
No âmbito da exposição e como interlocutor de ligação, o Carlos convidou-me para participar com uma fotografia e com um texto alusivo à mesma e ao significado que certos objetos têm para nós, seres de afetos e memoria.
Vão visitar a exposição que está patente até 17 de maio de 2015. Fica abaixo a fotografia e o texto.

A herança

 

“Muitos, muitos anos antes estava já prometido.
Uma banalidade para muitos, para outros o bem de uma vida.
Uma vida de sol a sol, como se usava e apenas o suficiente para parco sustento. Somente o bastante para resistir. Os magros números das sobras, amealhados a fadiga e perseverança, deixaram um dia que um relógio se transformasse num bem precioso.
O que marcava o debutar da alva e o abater da noite, deixando por entre os dois as quatro refeições do dia. O que se olhava de quando em vez para, com certeza, soltar os homens para o almoço ou para a merenda, por entre as malhadas do pico que adoçava a pedra.
Sempre acorrentado à presilha das calças ou a uma das casas dos botões da camisa suada.
Pela idade adentro foi-lhe marcando as horas, os dias e os anos até se finar.
Num passado longínquo, e porque eu o estimava, foi-me apalavrado como deixa. Eu e outros a ele tínhamos direito por decesso do proprietário. Mas não, isso não estava em causa.
– É para ti!
A mulher, segura, de olho claro e sinais do tempo na face miúda acercou-se de mim, estendeu-me a mão com aquele objeto brilhante:
– Toma, é a herança do teu avô!
Atrás da herança vieram as memórias dos dias solarengos, da cantoria dos homens que assentavam a pedra, das brincadeiras com o cão, das merendas à sombra de uma árvore qualquer e junto a um montão de rama de batatas ceifada havia pouco.
Afinal a herança não foi unicamente aquele objeto, foi muito mais: tanto quanto consigo recordar.”

Fotografia e memória na era digital

Originally posted 2015-02-04 00:18:20.

fotografia e memóriaFOTOGRAFIA E MEMÓRIA NA ERA DIGITAL

A era digital da fotografia aportou ao processo fotográfico possibilidades imensas, democratizando-o. É, no entanto, comum estabelecer-se que com o início dessa era se deu a morte de uma outra designada analógica, como sinónimo de fotografia com filme e antónimo de digital. Não é verdade.
Em vários fóruns se discute o “analógico e o digital”: que diferenças, se um é melhor do que o outro, se um dá possibilidades que o outro não tem, etc., etc.
Como já disse num outro artigo aqui do Planeta, esta é uma “discussão estéril”. São apenas instrumentos de trabalho, meios para chegar a um fim: a fotografia. Temos que forçosamente admitir a convivência destas duas realidades, destes dois caminhos distintos.
Como escreve Erivam Morais de Oliveira, mestre em ciências da comunicação, em “Da fotografia analógica à ascensão da fotografia digital”: “Não se pode descartar o digital. Mas também não se pode simplesmente abandonar o analógico, sem qualquer preocupação com o passado, o presente e o futuro. Afinal, o que seria da memória dos séculos XIX e XX se não fossem as fotografias produzidas em negativos, que armazenam até hoje imagens importantes de nossa história?”.
Apesar do artigo de onde subtraímos a citação supra, versar acima de tudo sobre o papel dos fotojornalistas na era digital, aflora no final uma questão que a tal dita “democratização” da fotografia, consubstanciada, designadamente, num acesso fácil aos meios e aos resultados imediatos provenientes do uso desses meios, a qual seja a da fugaz existência dessas imagens de consumo imediato, de usar e deitar fora, raramente impressas, limitadas ao virtual.
Como afirmou Cartier-Bresson: “De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório.” (Cartier-Bresson, 1971:21).
A fotografia atua, pois, como uma forma de capturar o tempo e dilatar a sensação do seu controlo, congelando o instante para a eternidade. A impressão das fotografias em papel constituía para todos nós um álbum de memórias. Com o advento do digital e da “fotografia pastilha elástica”, corremos o risco de nos tornarmos seres sem memória ou sem memórias, imagens que nos recordem o que fomos, como e com quem estivemos e aonde! As fotografias colocadas nas redes sociais são esquecidas e a segurança das que permanecem armazenadas em suportes digitais, correm o risco de desaparecer, se a não tivermos redobrados cuidados na sua conservação.
Daí que a melhor estratégica possa ser a da impressão, seja fotografia a fotografia, seja em álbuns de impressão digital. Além do mais somos todos capazes de manusear e passar o álbum de mão em mão. Raramente todos conseguem manusear programas de computador e até passar o computador de mão em mão se for um desktop. Além disso o mercado está repleto de ofertas nessa área, até com descontos consideráveis, como no caso dos descontos da Groupon. Depois de imprimir as suas fotografias e fazer o seus backup pode descansar e usar os descontos em lazer da Groupon.
Não há por isso desculpa para perder a memória!

Vento da Pradaria

Há uma terra no norte do país onde os dias da infância eram eternos. Os montes erguiam-se verdes por entre a neblina da manhã. Entre a quinta e o povo, uns metros agora anulados pelo casario crescente da imigração regressada ou da imigração indecisa entre o ficar desinquieto e o regresso ao remanso.
Do alto do meu castelo avistava a aldeia vizinha e os pinheiros verdes…

Rock, filho de Elvis

Rock, além de filho de Elvis, já defunto, era e é um filho da terra. Emigrado por alguns anos, a ela voltou saudoso, por certo, do vinho que outrora Elvis cultivara e que Rock nunca deixou de amar. Fazia, aliás, questão de viver intensamente essa paixão. Outras houvera é certo, mas manteve-se sempre celibatário. O vinho, esse, jamais o abandonou. No entanto, de quando em vez derivava para outros territórios mais etílicos até: as bebidas brancas, as cor de caramelo, as vermelhas, as verdes, etc.