Carta a um ex-amante

Novo romance de Julieta Ferreira

Julieta-Ferreira_Carta-a-um-ex-amante


O novo romance de Julieta Ferreira é lançado no Sábado, 27 de Novembro, pelas 16:00 no Auditório do Campo Grande, desta vez pela Temas Originais. Fica, desde já, o convite para estarem presentes.
A Julieta tem vindo a trilhar um árduo caminho no panorama da escrita nacional, mas, no fim, valeu a pena e vale a pena. Por várias razões. Desde logo por que é uma excelente escritora e ninguém como ela trata o feminino, sem ser feminista, e a constante procura do amor. Depois este seu novo romance é, segundo a escritora Isabel Fraga, “uma narrativa plena de coragem na qual a mulher se dirige ao ex-amante… fazendo publicamente uma auto-análise do seu relacionamento passado e presente com os homens.” E isto, meus amigos, não há muitas mulheres a fazer, nem a entender.
É o terceiro livro da Julieta para o qual contribuo com a fotografia da capa (e contracapa), algo que me dá particular satisfação, por que ela na sua arte e eu na minha, somos duas almas procurando o seu sitio. A imagem original pertence à série “watch(in’) time” e foi especialmente preparada para a capa (é a cores) e misturada com outra imagem contendo um trecho do livro.
À Julieta desejo o maior sucesso e, arriscando-me a cometer uma inconfidência, fica aqui, em jeito de engodo, um pequeno trecho da obra que verá a luz do dia no dia 27 de Novembro próximo:

“Gostei da artificiosa memória de ti. Gostei do Miguel pelo que ele não era. A minha paixão e a mulher que renasceu e se reinventou contigo e com ele, acabaram por soçobrar nas águas frias da indiferença. Voltei a estar num lugar em que é sempre hoje. Fechei as cancelas do ontem e do amanhã. Só que o comboio do tempo teima em fazer paragens na memória e lá estão, nos apeadeiros, os resíduos das mortes que tive, os sonhos murchos e sem berço, o amor na sua cruel perfeição, o sofrimento desalojado, a esperança da cor da aurora. Peço ao condutor que acelere. Não quero revisitar esses lugares atulhados dos meus desperdícios e de sóis estrangulados no poente. Não quero parar. O comboio é que tem uma vontade tirana. Queda-se no silêncio rasgado onde não cabe a dor que já não floresce mas que continua a pernoitar na sombra. Recuso apear-me. Contudo, não consigo ficar impassível aos bafientos, amortecidos fantoches que jogam xadrez no cais, palco de exibições sem coreógrafo. A cortina nunca desce. Fecho os olhos para não ver as pegadas sumidas dos passos que não têm lugar para serem ouvidos, os risos pendurados nos troncos decepados das árvores plantadas nas histórias que acabaram sem conhecerem um fim. Quero enganar o tempo.”

sem ponto final: sinopse

sem ponto finalO segundo livro e o primeiro romance de Julieta Ferreira, é de leitura obrigatória para quem aposte nos novos autores nacionais, de qualidade. A Julieta é capaz de uma escrita de nível superior, mas sem dificuldades na leitura. Brilhantemente simples, diria. Simples e bela. Uma escrita feminina, erótica por vezes, que tem como destinatários homens e mulheres dispostos a conhecerem melhor o sexo oposto. Se não lerem ficam a perder…
Além do mais, este livro tem como autor da capa (concepção e fotografia) este vosso amigo, o que só por si acrescenta à obra um valor que, modestamente, classificaria de incalculável!!!
Para aguçar o apetite, aqui fica a bem escrita sinopse que acompanha o livro:

Marta é uma mulher diferente. Distinta do comum dos mortais, pela forma como conduz a sua vida e, contudo, igual a tantos, ao procurar resposta para a eterna questão: o que é o amor?
Constantemente debatendo-se com a sua identidade, abafa no sexo descomplexado a angústia da sua existência. Soma conquistas como se de uma predadora se tratasse. É honesta nas suas convicções e nos seus sentimentos. Reflecte sobre problemas sociais, desprezando a hipocrisia daqueles que transformam em tabu alguns dos assuntos que se prendem com o lado animal do Homem.
De entre as suas amigas, algumas preocupadas com a sua maneira de ser e estar, Marta é a que consegue transformar em falácia o desabafo de muitas mulheres que, tal como ela, procuram o amor, mas nada fazem para o encontrar, esperando que um dia lhes bata à porta e que persistem em afirmar que “os homens são todos iguais”.
Marta passa pela vida, questionando-se e questionando os homens com quem se relaciona: Pedro, Eduardo, João… Que procura ela em cada um deles? Com qual destes homens pode ela encontrar-se?
João é o único a não reclamar sexo, mas apenas amizade, conhecimento mútuo; algo mais do que uma experiência sexual inócua, apenas por puro instinto. Talvez esteja aqui o amor, que Marta procura e assim conheça a sua cruzada um ponto final. Ou não!

Regresso a Lisboa

“Regresso a Lisboa” é um relato, na primeira pessoa, das experiências de vida de uma mulher desinibida, que o amor (seja lá o que isso for) levou a fixar-se na estranja e em que uma visita há muito almejada a Lisboa, apazigua a saudade de uma terra ela própria esquecida pelas portugueses, possuídos de um provincianismo secular que vêm em tudo o que é oriundo de outros países o máximo da criação humana, menosprezando tudo o que é nacional, passando a si próprios um atestado de menoridade que se orgulham de ostentar.
A visita é motivo para reencontros com amores e amizades de outrora, um deles aproveitado para apagar o fogo que ainda bruxuleava num dos capítulos de uma vida passada e cujas cinzas trazem finalmente paz interior à autora.
A narrativa resulta da necessidade duma catarse que traga à autora essa paz interior e que a ajude a exorcizar alguns fantasmas do passado, libertando-se dessa forma para novas aventuras, num presente que é vivido de forma intensa, sem falsos pudores.
Apesar do subtítulo “confissões proibidas”, o facto é que não encontrei nada que se assemelhasse a tanto, Julgo, contudo, que, de facto, algumas das confissões serão proibidas aos olhos dos mais conservadores.
Uma história real de saudade, amor e redenção, numa escrita simples e escorreita.