The Mango Kid

Originally posted 2015-02-04 00:17:20.

Voicist - Whatever You Want From Life VOICIST + TOKYO DRAGONS + DANKO JONES @ PARADISE GARAGE

Terça-feira é feira da ladra. Semanas antes tinha já decidido ir com o “JM” ladrar para o Paradise Garage. Por ali passava “The Mango Kid”, acompanhado de duas bandas de apoio: Voicst e Tokyo Dragons. O projecto era chegar cedo, ficar bem junto ao palco, primeira fila entenda-se, e abanar violentamente a cabeça ao som do já conhecido Danko Jones. Com os outros, ilustres desconhecidos, logo se veria. A noite havia de consistir no frenético destilar de suor e sacudir as ancas oscilando o corpo entregue à potência dos amplificadores. Chegados ao local onde a celebração do rock’n’roll deveria ter lugar, ocupámos os lugares de acordo com plano antecipadamente traçado: temerariamente na dianteira. No proscénio estavam alinhados instrumentos e as baterias faziam fila indiana, prontas a ser descartadas à medida que fossem usadas. Eram uma espécie de instrumento de usar de deitar fora. Tocado que estivesse, ele aí ia direito ao canto esquerdo do palco, por onde haveriam de se escoar os instrumentos e amplificadores usados e já sem préstimo para aquela noite. Música descartável. Who cares?
Há hora marcada aparecerem os Voicst. Os presentes, escassos, fitavam o palco com a curiosidade de quem nunca lhes tinha posto a vista em cima, nem sequer lhes tinha feito ouvidos de mercador.
“We are Voicist from Amsterdam”. Ok. Fogo à peça. Um trio poderoso. Rock’n’Roll em inglês com sotaque holandês. Normal. Além disso apenas nota para um qualquer problema de pé-de-atleta do baterista e do baixista: um de meias e outro descalço. Depois queixem-se que a micose se contrai nos locais menos expectáveis.
Por ali andaram pulando e rodopiando sempre com um som suficientemente forte para manter quentes os indefectíveis amantes do ruído organizado produzido em volumes consistentes com a possibilidade de uma surdez prematura. É dos Voicst o registo que hoje aqui fica em “chords of fame”, precisamente o tema que abre este disco.
E lá fizeram a parte deles, os miúdos, e bem digo eu. Idos, vem o staff retirar instrumentos e a bateria da fila indiana. O canto esquerdo do proscénio lá vai sugando, qual buraco negro, os instrumentos e demais artefactos usados na função.
Os meus ouvidos, a escassos 100 cm do palco, começavam a emanar um certo zumbido característico da exposição a demasiados decibéis… iiiiiiiiiiiiiiiiiii. E nada. Assim é que é! Em cima do acontecimento.
Palco limpo, chegam em grande estilo os Tokyo Dragons. Malta à moda antiga. Cabelos compridos, indumentária com prazo de validade expirado, botas de cóboi (sem vacas, pelo menos no palco), t-shirt invocando ZZ Top e cabelos suficientemente longo para se saber que a Páscoa se aproximava.
Tónica no hard-rock, solo p’ra aqui, solo p’ra ali e os ouvidos iiiiiiiiiiiiiiii. Malta competente e que aqueceu bem os presentes, que haviam já iniciado os violentos abanões de cabeça, mas nada de “mosh”, por enquanto. A droga e o álcool estavam, contudo, a caminho da produção dos seus efeitos.
Depois do buraco negro ter sugado toda a instrumentália do TD, as luzes apagaram-se a aparecem os três “Men in Black”. Hum… notei logo. Cara nova!
O baterista era um outro fulano, com um claro problema de dentição, por falta deles.
Função iniciada. O que se esperava: um destilar contínuo de energia, contacto permanente com a audiência, conversa de café, provocações mútuas, mas o homem aguenta tudo, e mais, entra no jogo… Naturalmente que os abanões de carola tornaram-se mais viris e, por vezes, violentos.
Tudo corria bem até os elementos extra musicais produzirem os seus esperados efeitos. Os nativos inquietaram-se e iniciaram uma dança frenética de encontrões. Corpos faziam voos curtos, que terminavam inevitavelmente no chão lavado de cerveja. Por entre voos e encontros fui atingido pela mão delicada de uma donzela escanzelada que erguia com a outra um copo de cerveja super-bock. Apesar do meu desagrado a coisa ficou por ali. Afinal estava numa zona de risco. “No big deal”, apesar de ter sido forçado a fazer aterrar um dos moços que por ali voava baixinho.
O “JM”, menos habituado às tribos do rock, foi violentamente atingido na cabeça pelo voo 42 de um piloto destravado. Temeu pela vida. Recuou para local seguro junto ao bar. Como qualquer soldado consciente do seu dever, permaneci bravamente na linha da frente defendendo os valores em que acredito: “rock till you drop!” Se não gostarem destes tenho outros, é só dizerem…

Mr. Danko “Rock’n’Roll” Jones

Originally posted 2015-02-04 00:17:00.

Die Mannequin + Danko Jones – Santiago Alquimista 20.04.2008

DANKO JONES

Não há necessidade disso, mas se houvesse, neste século, que dar outra designação ao Rock’n’Roll, ela seria sem dúvida DANKO JONES! Por duas ou três razões: pela formação básica com que toca, guitarra, baixo, e bateria, elementos eles próprios basilares do Rock’n’Roll, pela simples mas eficaz estrutura dos seus temas, em regra rápidos e ritmados, próprios do “hard” e pelos textos destes que, essencialmente, andam à volta do elemento feminino, sexo e masculinidade, esta bem patente nas suas actuações ao vivo. Se isso não bastasse os títulos dos seus discos reflectem o temperamento de quem acredita no que faz de alma e coração e percorreu um longo caminho até chegar ao ponto em que se encontra: “Born a Lion”, “We Sweat Blood”, “I’m Alive and on Fire” e que faz questão de demonstrar isso mesmo em palco.
Antes de iniciar o seu percurso no Vinil ou no Compacto se quiserem, DANKO JONES e respectivos acompanhantes, iniciaram em 1996 o seu percurso, tocando insistentemente, durante pelo menos dois anos, nos Estados Unidos e Canadá, de onde DANKO é natural, fazendo a primeira parte de bandas como THE NEW BOMB TURKS, NASHVILLE PUSSY, BLONDE REDHEAD, THE MAKE-UP, THE DIRTBOMBS, THE CHROME CRANKS e THE DEMOLITION DOLL RODS.
A Lisboa, mais propriamente, ao Santiago Alquimista, DANKO trouxe tudo isso e mais o sentimento de que, segundo as suas palavras “se sente mais em casa em Portugal do que no Canadá”, sobretudo, digo eu, pela vasta legião de fãs que por cá granjeou e o carinho que lhe dispensam sempre que por cá passa. Há já dois anos que isso não acontecia, mas DANKO, fez questão se afirmar que gostaria de passar por á todos os anos, senão de seis em seis meses. A ver vamos.
No Santiago, abriu com o single de estreia do seu mais recente trabalho “Code of the road” e terminou com “I’m aliveand on fire”, sucedendo-se durante a hora e meia de espectáculo os temas mais orelhudos, “Rock shit hot”, “Samuel sin”, “Lovercall”, “Way to my heart”, “Forget my name”, “Never to loud”, etc. Antes de “We sweat blood”, fez questão de pedir ao Staff para desligar o ar condicionado, porque ele o queria fazer: suar as estopinhas, como se deve num bom espectáculo de “Rock’n’Roll”. E foi isso mesmo que aconteceu. Não chegou a haver sangue, mas sim, suor houve em abundância.
Para abrir o concerto, DANKO JONES trouxe de Toronto, Canadá, “DIE MANNEQUIN”, liderados pela guitarrista de 21 anos Care Failure (nascida Caroline Kawa). Banda mais ou menos desconhecida por cá, com um nome a fazer pensar num grupo alemão, que destilou suor, um som próximo do punk, que assenta, tal como DANKO, na mesma estrutura básica: guitarra, baixo e bateria e que roda no circuito desde 2006. A rapariga gosta da interacção com o público, no meio do qual se misturou várias vezes, arrancando da sua guitarra os acordes com que foi aquecendo os presentes, nomeadamente, com temas como “Do it or die” e “Autumn canibalism”, retirados do seu mais recente EP “Slaughter Daughter”. Uma banda a considerar em futuras audições, e que conquistou por certo os ouvidos de alguns.
No final do espectáculo e depois de DANKO JONES ter tocado o último acorde de “I’m alive and on fire”, lá se foi a audiência, bebida, mas com estômago para muito mais, assim DANKO tivesse querido.

ARLINDO PINTO – texto e fotografia
Fonte:hardheavy.com (Live Report)