Fotografia e memória na era digital

Originally posted 2015-02-04 00:18:20.

fotografia e memóriaFOTOGRAFIA E MEMÓRIA NA ERA DIGITAL

A era digital da fotografia aportou ao processo fotográfico possibilidades imensas, democratizando-o. É, no entanto, comum estabelecer-se que com o início dessa era se deu a morte de uma outra designada analógica, como sinónimo de fotografia com filme e antónimo de digital. Não é verdade.
Em vários fóruns se discute o “analógico e o digital”: que diferenças, se um é melhor do que o outro, se um dá possibilidades que o outro não tem, etc., etc.
Como já disse num outro artigo aqui do Planeta, esta é uma “discussão estéril”. São apenas instrumentos de trabalho, meios para chegar a um fim: a fotografia. Temos que forçosamente admitir a convivência destas duas realidades, destes dois caminhos distintos.
Como escreve Erivam Morais de Oliveira, mestre em ciências da comunicação, em “Da fotografia analógica à ascensão da fotografia digital”: “Não se pode descartar o digital. Mas também não se pode simplesmente abandonar o analógico, sem qualquer preocupação com o passado, o presente e o futuro. Afinal, o que seria da memória dos séculos XIX e XX se não fossem as fotografias produzidas em negativos, que armazenam até hoje imagens importantes de nossa história?”.
Apesar do artigo de onde subtraímos a citação supra, versar acima de tudo sobre o papel dos fotojornalistas na era digital, aflora no final uma questão que a tal dita “democratização” da fotografia, consubstanciada, designadamente, num acesso fácil aos meios e aos resultados imediatos provenientes do uso desses meios, a qual seja a da fugaz existência dessas imagens de consumo imediato, de usar e deitar fora, raramente impressas, limitadas ao virtual.
Como afirmou Cartier-Bresson: “De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório.” (Cartier-Bresson, 1971:21).
A fotografia atua, pois, como uma forma de capturar o tempo e dilatar a sensação do seu controlo, congelando o instante para a eternidade. A impressão das fotografias em papel constituía para todos nós um álbum de memórias. Com o advento do digital e da “fotografia pastilha elástica”, corremos o risco de nos tornarmos seres sem memória ou sem memórias, imagens que nos recordem o que fomos, como e com quem estivemos e aonde! As fotografias colocadas nas redes sociais são esquecidas e a segurança das que permanecem armazenadas em suportes digitais, correm o risco de desaparecer, se a não tivermos redobrados cuidados na sua conservação.
Daí que a melhor estratégica possa ser a da impressão, seja fotografia a fotografia, seja em álbuns de impressão digital. Além do mais somos todos capazes de manusear e passar o álbum de mão em mão. Raramente todos conseguem manusear programas de computador e até passar o computador de mão em mão se for um desktop. Além disso o mercado está repleto de ofertas nessa área, até com descontos consideráveis, como no caso dos descontos da Groupon. Depois de imprimir as suas fotografias e fazer o seus backup pode descansar e usar os descontos em lazer da Groupon.
Não há por isso desculpa para perder a memória!

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