Alegoria do Inferno 2011

Originally posted 2018-06-25 07:42:29.

alegoria do infernoSínopse

Venero a fotografia de duplo sentido. Ou melhor, de um outro sentido.
Não sou do tamanho do que vejo, mas sim do que faço.
O fotografado não é o que eu fotografei. A fotografia é uma realidade dissonante. Outra, que não ela própria.
O Inferno é apenas o inicio de um caminho que vai mais além, mais além do que vi. Não é uma ideia ambígua. Não existe ambiguidade no Inferno. Não pode existir ambivalência de realidades na Alegoria. Não existe plurisignificação.
Mas, por outro lado, não procura uma ilação moral.
A Alegoria do Inferno é a negação de si própria. Existe unicamente para denegar a sua própria existência.
Eu não estou interessado na moral. Isso é profundamente bacoco.
Eu estou empenhado na estética pura e simplesmente de cada um dos disparos da minha câmara. Nada mais.
A minha estética não é nem a da antiguidade, nem a da modernidade. É minha!
Não quero contar histórias com as minhas fotografias. Quero fixar formas, sombras, entes, fantasmas, o surreal ou o sobrenatural, o que povoa a minha cabeça.
Mas no fim, és tu que vais decidir o que eu concluí.
Isso interessa-me na exata medida eu que através de ti posso descobrir-me.
Tu és fundamental no diálogo da minha fotografia. És elementar, um conselheiro desconhecido.
Não obstante, não me interesso pelo que dizes se procuras moral na fotografia.
A Alegoria do Inferno sou eu depois de ti.

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