Hope

HOPE

[PT]
“HOPE” é uma narrativa centrada na viagem de uma rapariga que, apesar de tudo o que vê tem ainda esperança na humanidade. Uma humanidade que se aniquila, mas também que se reinventa, num mundo que constrói, destrói e reconstrói a todo o momento. Sentimento contraditório de quem não se sente seguro na incerteza do mundo em que vive, considerando a história da própria humanidade aparentemente destinada a repetir-se indefinidamente.
Fotografado em Berlim, Sachsenhausen e Lisboa em filme de 35mm.

[EN] (loose & fast translation)
“HOPE” is a narrative centered on the journey of a girl who, despite everything she sees, still has hope in humanity. A humanity that annihilates itself, but also reinvents itself, in a world that it builds, destroys and rebuilds all the time. A contradictory feeling of those who do not feel secure in the uncertainty of the world in which they live, considering the history of humanity itself, destined to repeat itself indefinitely.
Photographed in Berlin, Sachsenhausen and Lisbon in 35mm film.

 

©2017

Everything Is Not

Everything Is Not

O modelo de (re)construção das cidades do pós-guerra, foi determinante no desaparecimento da rua como espaço social e reclusão dos indivíduos. E “reclusos no isolamento habitacional e social de um bairro dormitório, podemos sentir-nos em contacto com o mundo através da Internet e da televisão, as verdadeiras paisagens do nosso imaginário quotidiano”1.
A condição existencial pós-moderna carateriza-se pelo primado do homo consumens. O consumo, por seu lado, é identificado com poder e felicidade e sustenta o domínio da mercadoria como elemento de controlo social, num mundo sustentado nas aparências e na voracidade permanente de factos, notícias e produtos.
O mundo contemporâneo, individualista e globalizado, impõe a imagem e a representação no lugar do realismo concreto e natural, a aparência no lugar do ser, coloca a ilusão no lugar da realidade e substitui a atividade de pensar e reagir com dinamismo pela imobilidade. “Pela mediação das imagens e mensagens dos meios de comunicação de massa os indivíduos em sociedade abdicam da dura realidade dos acontecimentos da vida. O consumo e a imagem ocupam o lugar, que antes era do diálogo pessoal, através da TV e os outros meios de comunicação de massa, publicidades de automóveis, marcas, etc., e produz o isolamento e a separação social entre os seres humanos”2.
EVERYTHING IS NOT é uma reflexão crítica sobre um mundo que busca a glória nas imagens que fabrica. Um mundo mediado, deturpado, irreal, impossível de ver. Na verdade, a sociedade transformou-se em algo onde a contínua reprodução da cultura é feita pela proliferação de imagens e mensagens dos mais variados tipos. A consequência disso, é uma vida contemporânea invadida por imagens, fornecendo um novo tipo de experiência humana onde é difícil separar a ficção da realidade. São os media, sobretudo a televisão, que definem a importância das coisas e as agendas políticas, sociais e culturais. A sociedade contemporânea é a negação da própria humanidade, que busca felicidade numa aparente liberdade de escolha. Não há liberdade num imaginário já preenchido por uma satisfação antecipada a partir de um real fabricado.
Esta realidade mediada, aliada à passividade dos Homens, não pode senão conduzir a vivências de reclusão, contemplativas, fundadas em imagens, a vidas que não são mais do que uma aparência da aparência. A apatia que dissimuladamente se instala, abre portas ao conforto da superficialidade, tomando-se como verdadeiro o falso das imagens, elas próprias interpretações espetaculares do mundo.

1. Lippolis, Leonardo (2016). “Viagem aos Confins da Cidade“. 1ª ed. Lisboa: Antígona.
2. Bahia, José Aloise. (2005). “A sociedade do espetáculo.“Observatorio da Imprensa, 5 de janeiro. Página consultada a 7 de abril de 2016.

© 2016

 

O projeto Take My Body

O projeto TAKE MY BODY

Em 2013 estive envolvido num workshop de fotografia subordinado ao tema : “O que farei com esta imagem?”. O projeto inicial passava por desenvolver uma ideia que não teve condições para tanto.
Depois, aquele que foi apresentado e disso aqui demos conta, como o projeto “TheNakedHairyPhotographer” transformou-se n’ o projeto Take My Body, uma visão descomplexada do corpo humano e da relação que temos com o mesmo.
20 das fotografias que compõem o projeto estão já online aqui: https://arlindopinto.com/fine-art/take-my-body/
Se clicarem nesta fotografia também vão lá ter.o projeto TAKE MY BODY

Desde “arrojado” e “belo” a “dialeto incompreensível”, o projeto Take My Body já recebeu alguns epítetos “interessantes”. Uns fundamentados outros nem tanto (e por isso sem validade).
As imagens foram divulgadas em primeira mão pela rede StudioVox de Los Angeles, EUA e posteriormente através do The Portfolio Project, no mês da fotografia em Sofia, Bulgária.
São agora divulgadas aqui.
Tenham um bom 2014.
Um abraço!

Miopia

MIOPIA

Quando começou e onde acaba o conceito e a realidade da união de algo que nos parece já distante? A família é erro de refração. É um retrato social. Não é um retrato pessoal. É uma incerteza. A família é algo distante, desfocado, é miopia.
O que nos liga é uma imposição social, ausente de afeto, laços que se consomem com o falecer do tempo.
Nesta série de fotografias a objetiva é um prolongamento do olhar, um meio para expressar a inconstância típica do ser e do ser em comunidade. Um jogo em que as regras da composição gráfica são manipuladas para forçarem a introspeção e a avaliação das relações.
Assume-se uma viagem pela miopia mecânica das lentes fotográficas. Não há lentes de contacto que possam iluminar o que já só ao longe se vê. E só “consertando” os defeitos da refração da luz na objetiva provocados pelo fotógrafo atingiremos o alcance deste trabalho. A final.
A paisagem circundante fica mais leve quando o foco é impreciso. Olhe-se bem! Primeiro ao perto, para depois, conseguirmos a amplitude de perceção necessária para compreender a realidade.
Esta série aponta para realidade como ela se nos apresenta: incerta. Um desafio por entre sombras e silhuetas. Um afastamento da verdade na procura impulsiva do ser.

© 2005

Alegoria do Inferno

A Alegoria do Inferno

Alegoria do Inferno pode muito bem constituir um ensaio de resgate espiritual do autor aos monstros e mafarricos preestabelecidos pela doutrina cristã e a uma fugaz (?) libertação da sua condenação eterna à existência num ambiente hostil às suas crenças e convicções. Aqui, a ilação moral caraterística da alegoria, o dizer o outro, é trocada pela estética do olhar, que consente a coexistência de duas realidades dissonantes: o Céu e o Inferno, ambos produto de uma existência humana alicerçada na crença da existência de um Deus, que o autor agnosticamente não admite. Ao espectador é abandonada a leitura ambígua e plurissignificante da poética das imagens, que representam tudo o que o Inferno cristão tem para oferecer.

© 2010

No Rewind & No Replay

No Rewind & No Replay

“Viver é morrer um pouco todos os dias.

Somos morte. Isto, que consideramos vida, é o sono da vida real, a morte do que verdadeiramente somos. Os mortos nascem, não morrem. Estão trocados, para nós, os mundos. Quando julgamos que vivemos, estamos mortos; vamos viver quando estamos moribundos.

Aquela relação que há entre o sono e a vida é a mesma que há entre o que chamamos vida e o que chamamos morte. Estamos dormindo, e esta vida é um sonho, não num sentido metafórico ou poético, num sentido verdadeiro.

Tudo aquilo que em nossas actividades consideramos superior, tudo isso participa da morte, tudo isso é morte. Que é o ideal senão a confissão de que a vida não serve? Que é a arte senão a negação da vida? Uma estátua é um corpo morto, talhado para fixar a morte, em matéria de incorrupção. O mesmo prazer, que tanto parece uma imersão na vida, é antes uma imersão em nós mesmos, uma destruição das relações entre nós e a vida, uma sombra agitada da morte.

O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.

Povoamos sonhos, somos sombras errando através de florestas impossíveis, em que as árvores são casas, costumes, ideias, ideais e filosofias.

Nunca encontrar Deus, nunca saber, sequer, se Deus existe! Passar de mundo para mundo, de encarnação para encarnação, sempre na ilusão que acarinha, sempre no erro que afaga.

A verdade nunca, a paragem [?] nunca! A união com Deus nunca! Nunca inteiramente em paz mas sempre um pouco dela, sempre o desejo dela!”

Texto de Bernardo Soares

Fotografias © 2012

Fios de Vida

Fios de Vida

“Fios de Vida” reflete sobre a fluidez da vida e da fragilidade do homo citadinus débil demais para viver sozinho, perdido na cidade, criação sua, própria do ser social, um lugar de agitação, barulho e marcado pela superficialidade da vida. A cidade é um local paradoxal. No espaço urbano, espera-se que os indivíduos ajam coletivamente, impulsionados pela proximidade com os seus semelhantes, mas é exatamente o inverso que ocorre: o homem está só no meio da multidão. “Fios de Vida” reflete sobre o relacionamento humano num ambiente competitivo e marcado pela solidão e pela postura individualista que as pessoas assumem no espaço das grandes cidades. A cidade abriga um (citando R. WILLIAMS, O campo e a cidade, 1990) “imenso aglomerado de pequenos sistemas, cada um dos quais, por sua vez, é uma pequena anarquia”. Também Hardy escreve, em 1887, que “cada indivíduo tem consciência de si próprio, mas ninguém é consciente da coletividade como um todo.” As imagens isolam indivíduos, grupos, pertenças de um meio atomizado, sem relacionamento aparente ou real. Os indivíduos e os grupos, mais ou menos pequenos, são profundamente descontextualizados como reforço a sua inconsciência coletiva, fios de uma malha que, sendo de vida, é insuficiente para tecer uma consciência coletiva.

© 2006