Lançamento de Breve Inventário do Agora

Lançamento de Breve Inventário do Agora

Amig@s:

A terminar o mês de maio de 2021, venho dar-vos noticia de uma pequena publicação. Um livro desdobrável, traduzido do inglês (folded book/pants book), um “livro calças”.

Este pequeno objeto quase todo “home made” (não esperem perfeição), foi  produzido entre fevereiro e março de 2021, numa oficina orientada pelas artistas Inês Amado e paula roush, no âmbito da Creative Attentive Studio (CREiA).

A publicação tem o título de “Breve Inventário do Agora” e está ancorada nas práticas do foco (focusing), na escuta profunda (deep listening) e exercícios criativos. O projeto aborda as questões da experienciação da casa, o confinamento e a pandemia, num espaço de intimidade e luz interior.

Trata-se de uma edição de 50 exemplares, numerados e assinados. No interior contem um folio com um pequeno texto e é abraçado por uma cinta em tarlatana*.

O “Breve Inventário do Agora” está já disponível para aquisição na loja do site, ao preço de 7,50€, acrescidos de portes de envio, se for o caso.

Contudo, e esta parte é importante, aos assinantes da nossa newsletter (os que recebem esta notícia no seu endereço de correio eletrónico), que reservarem o seu exemplar através do formulário abaixo é oferecido, em exclusivo, um desconto de 10% sobre o preço da publicação. Entretanto, os que de vós já manifestaram interesse na publicação, têm o mesmo tratamento, naturalmente. Esta oferta é válida até ao próximo dia 15 de junho.

Após a reserva, ser-vos-ão remetidas orientações para pagamento, etc.

Gratidão e até breve.

*Algumas informações da ficha técnica:
  
 fotografia texto desenho arlindo pinto
 desdobrável
 aberto 287x420mm fechado 105x148mm
 papel munken pure 240gr
 folio interior
 100x142mm
 papel freelife vellum 140gr
 cinta
 tarlatana
 produção fevereiro março 2021
 na oficina CREiA::: Creative Attentive Studio
 publicação planeta dos catos
 50 exemplares numerados assinados
 lisboa maio 2021

Reserva de Breve Inventário do Agora

Lançamento de SO.LE.DA.DE de José Morujão

Lançamento de SO.LE.DA.DE de José Morujão

Lançamento de SO.LE.DA.DE de José Morujão.

A finalizar o mês de abril trazemos aqui a noticia do lançamento do mais recente fotolivro do José Morujão, SO.LE.DA.DE através do Planeta dos Catos, o epíteto  que levam as publicações/edições realizadas por este que vos estima.

O José Morujão concentra a imagética que constrói na pós-produção das suas imagens, através de fotomontagens. A sua inspiração resulta dos filmes que vê, dos livros que lê ou das suas memórias.

O seu trabalho é por vezes muito intimista, tomado de solidão ou saudade. SO.LE.DA.DE é um desses trabalhos. No prefácio deste livro, Isabel Morujão, docente da Universidade do Porto, escreve:

Imagens de lugares que o autor percorreu repetidamente ao longo de vários meses, este livro de fotografias de José Morujão constitui um caminho pela paisagem do interior da alma.

E mais adiante:

Reunir fotografias é (re)ordenar o mundo e dá-lo a ver em declinações subjetivas do olhar. Uma vez captada a paisagem que se imobilizou e desgarrou do fluxo do tempo, o fotógrafo revisita lugares de memória, imortalizando momentos e espaços que se percorrem então pelo lado de dentro da existência. É ao avesso da paisagem que este livro nos convida a viajar.

A linguagem fotográfica desta obra dá lugar a um registo de contrastes fortes de sombra e luz, de cor e do seu esbatimento, numa geografia um tanto dramática, em que algumas árvores se destacam do seu conjunto, em closes perturbadores, que conduzem o olhar para texturas densas, enrugadas, nodosas, sobrepostas, que exibem cortes, escorrências, cicatrizes.

Há nestas fotografias uma estética do fragmento, que se anuncia logo desde o título do livro, onde a palavra nos surge fracionada em sílabas.

SO.LE.DA.DE será apresentado publicamente no decorrer do mês de maio.

Contudo, SO.LE.DA.DE está desde já disponível para aquisição ao preço de lançamento de 20€, ao invés dos 25€ posteriores. Acrescerão despesas de envio.

Os interessados no Lançamento de SO.LE.DA.DE de José Morujão podem reservar um ou mais exemplares no formulário abaixo. Posteriormente ser-vos-ão remetidas orientações para pagamento, etc.

Alguns dados sobre a publicação:

Projeto Fotográfico José Morujão
Textos José Morujão
Edição do Projeto Arlindo Pinto
Prefácio Isabel Morujão
Tiragem 75 Exemplares
Páginas 84
Capa Dura
Formato 148mmx210mm
Miolo Papel Gardapat Kiara 135gr, cosido.
1ª edição Lisboa, abril, 2021
Publicação Planeta dos Catos
ISBN 978-989-33-1581-1

Reserva de SO.LE.DA.DE de José Morujão

Promover o Photobook

Promover o Photobook

Promover o Photobook| Promover o Photobook |

Amigas e amigos:

Estamos perto de chegar ao mais estranho natal das nossas vidas, globalmente falando, porque natais estranhos já todos devemos ter tido.

A pandemia mitigará, talvez, o acesso às catedrais do consumo, onde todos vamos para nos sentirmos sós e comprar as coisas mais ou menos normalizadas pelo mercado das necessidades. Algumas criadas, para nosso gáudio!

Nós, os que não têm uma loja de renda milionária no shopping, entregamos em mão, discutimos a obra e falamos de coisa triviais enquanto bebemos qualquer coisa e comemos uma chamuça. Falo dos que fazem livros, pequenas edições em que investimos tempo, dinheiro, suor e lágrimas (isto já é muito drama, mas pelo menos algum stresse cabelos brancos). Sabemos que é assim e que o mérito não vem pela quantidade vendida, mas pela felicidade de saber de que 2, 20, 50, ou menos, quiçá, ali encontraram prazer e nas imagens do autor construíram a “história” que este quis contar, ou a sua própria, o que é muito mais belo. Se com a nossa argamassa outros constroem templos melhores do que os nossos, a satisfação é multiplicada pelo número de construções que cada um erige.

Não saberão, mas cada um dos autores que se autoedita, tem em vários locais da casa ou do ateliê, obras suas à espera de alguém que as possa acarinhar (é mesmo esta a expressão – não é pieguice). E estão lá pelas mais variadas e estranhas razões: desde as falhas do autor na distribuição, até à falta de oportunidade de qualquer coisa, passando pelo desdém que alguns nutrem pelos que não são o moço de orelhas de rato Mickey (sem ofensa que eu respeito os dois, incluindo o das orelhas).

Vai daí, tirei-me de cuidados [neste momento o Mário Pires escreve no Facebook “O Jorg Colbert disse que o mercado mundial para os Photobooks era muito limitado, isso há uns anos. Acho que tem razão, tirando exceções honrosas, os livros ganham pó nas livrarias.”] e pensei, porque não sacudir o pó aos livros e oferecê-los a preços (ainda) mais baixos para que alguém possa ter um natal com imagens e imaginação? É imaginação. Imaginem só!

Promover o photobook (em estrangeiro parece outra coisa) e a imagem fotográfica e colocá-los nas vossas mãos, é o intuito de um microsite que criei destinado às ofertas de baixo preço que podem encontrar AQUI.

Por defeito o site cobra portes. Se quiserem entregas em mão, avisem antes de comprar.

No entanto se nada do que ali consta vos interessar e no mesmo intervalo de preços, têm no OLX, desde a “Grande Enciclopédia Médica – Como Nova!!!” até ao sempre útil “Eletricidade Básica” ou mesmo o “Livro Fundamentos de Enfermagem de Saúde Mental”. Todos temos interesses diversos e ainda bem que assim é. Caso contrário, tudo isto seria estupidamente monótono.

Boas compras.

Namastê.

Apoio à publicação de Catálogo de Silêncios

Apoio à publicação de Catálogo de Silêncios
Imagem inicial de "Catálogo de Silêncios"

Apoio à Publicação de “Catálogo de Silêncios” | Depois de ter publicado “Norwegian Sky 9” em novembro de 2019, está chegada a altura de trazer ao vosso julgamento uma nova publicação, resultado do trabalho desenvolvido na Escola Informal de Fotografia do Espectáculo durante aquele mesmo ano.

Trata-se de uma publicação no formato de livro, que conta com a inestimável colaboração de Susana Paiva e que junta imagens que pretendem evocar silêncios, que são interiores, materializados em lugares a que o autor agrega a simbologia que a imaginação e a memória lhe permitem. Ou então essas imagens revelam o estranhamento do real que o autor pretende mostrar, tudo confluindo para infindáveis ciclos de partida e regresso.

Os textos que o livro contém adensam o estranhamento. São, na verdade, outras imagens.

O livro titulado “Catálogo de Silêncios”, tem 72 páginas e terá um preço de venda ao público de 20€, com período de pré-venda.

O período de pré-venda decorre até 30 de setembro de 2020, a um preço de 15€.

Apressem-se, pois, que isto não vai durar sempre.

Fica lançado mais um repto  ao generoso apoio que sempre têm demonstrado às minhas publicações, porque, creio, as apreciam. Só assim faz sentido. Desta feita para os temerários do costume e os outros que se lhes queiram juntar, fica a possibilidade de Apoio à Publicação de “Catálogo de Silêncios”,

Os pedidos podem ser feitos através do e-mail books@arlindopinto.com ou preenchendo o formulário abaixo.

A apresentação e entrega dos livros está prevista para outubro de 2020.

Gratidão.

RESERVAR AGORA

Alguns dos melhores lugares para fotografar em Madrid

Gran Via Madrid
Gran Via

Photo by Dimitry B. | CC BY 2.0

Com pouco mais de 3 milhões de habitantes, Madrid é a cidade onde o entretenimento, a arte, a arquitetura e a cultura se encontram. Esse conjunto de fatores da capital espanhola fazem de Madrid um destino imperdível para visitar e para tirar ótimas fotografias.

Entre os lugares para conseguir as melhores fotografias em Madrid, há alguns especiais, como a Puerta del Sol, a Plaza Mayor, o Mercado de San Miguel, o Templo de Debod, a Gran Via, o Casino de Madrid e o Palácio Real.

Puerta del Sol

A Puerta del Sol está no centro da cidade e é um dos sítios mais visitados em Madrid. Cheia de turistas, artistas e residentes, quase todos aproveitam as belas cenas para explorar a arte da fotografia.

Urso e Medronheiro Madrid
Urso e Medronheiro

Photo by CARLOS TEIXIDOR CADENAS | CC BY-SA 4.0

Além do Quilómetro Zero, na Puerta del Sol está situada a estátua do Urso e do Medronheiro, um símbolo cultural da cidade. Esta estátua foi inaugurada em 1967 e trata-se de uma obra do escultor Antonio Navarro Santafé.

Plaza Mayor e Mercado de San Miguel

Grande praça com o toque clássico espanhol, a Plaza Mayor foi construída no século XVI e reúne vários pontos turísticos ideais para fotografar, como a Estátua de Felipe III, a Casa da Padaria e o Arco de Cuteleiros.

Ao virar da esquina da Plaza Mayor, no coração de Madrid, os turistas encontram o Mercado de San Miguel, um sítio perfeito para tirar fotografias e comer bem, já que é um dos principais mercados gastronómicos do mundo. Com mais de 100 anos, este espaço foi revitalizado em 2009 e é o único mercado em Madrid com estrutura de ferro.

Mercado de San Miguel Madrid
Mercado de San Miguel

 Photo by Carlos Delgado | CC BY-SA 3.0

Aqui há cerca de 30 bancas, a maioria delas com um conceito gourmet, onde o turista pode degustar diferentes tipos de queijos, cervejas, frutos do mar, sumos, vinhos e as famosos tapas espanholas.

Templo de Debod

Originário do antigo Egito e com 2.200 anos de história, o Templo de Debod foi um presente do Egito para a Espanha, pela sua colaboração no salvamento dos templos de Núbia. O Tempo de Debod chegou a Madrid em 1968, mas foi inaugurado ao público em 1972, após passar por algumas reformas.

Templo de Debod Madrid
Templo de Debod

Photo by Rodrigo Gianesi | CC BY 2.0 | 

Observar o pôr do sol no Templo de Debod e ver os seus reflexos espelhados na água é uma excelente dica para o fotografar. Além disso, o sítio está rodeado por um jardim, onde muitos turistas aproveitam para fazer piqueniques.

Gran Via

A Gran Via é uma das avenidas mais simbólicas de Madrid e mostra a cidade da melhor maneira possível aos turistas, com teatros, lojas para todos os gostos, clubes de comédia, restaurantes, cinemas, entre outras opções.

Gran Via Madrid
Gran Via

Photo by Carlos Ramón Bonilla | CC BY-SA 3.0

É importante destacar que a Gran Via é considerada uma obra muito importante em Espanha. Projetada pelos arquitetos Francisco Octavio Palacios e José López Salaberry, foi construída entre 1910 e 1929.

Casino de Madrid

Os casinos estão na cultura da sociedade há diversos séculos e a sua importância não diminuiu ao longo de todo esse tempo. Inaugurado em 1836, o Casino de Madrid é um dos mais belos do mundo para tirar fotografias, e foi declarado Bem de Interesse Cultural em 1993.

Casino de Madrid
Casino de Madrid

Photo by Gary Bembridge | CC BY 2.0

Além da sua arquitetura exuberante, a decoração possui formas geométricas, cristais azuis e amarelos, espelhos que refletem a luz, lâmpadas do tipo aranha, grandes colunas, assim como mesas e cadeiras com um toque clássico. O Casino de Madrid também oferece um amplo espaço para grandes eventos, além de contar com um restaurante no terraço, que proporciona uma das melhores vistas de Madrid.

Palácio Real

Com 3418 quartos e 135.000 m² em área construída, o Palácio Real de Madrid é um dos maiores da Europa (e a sua grande fachada dá origem a ótimas fotografias). Durante uma visita pelas salas e salões do Palácio Real, os turistas podem observar uma das mais importantes coleções de arte e de objetos do mundo.

Palácio Real Madrid
Palácio Real

 Photo by Jean-Pierre Dalbéra | CC BY 2.0

O Palácio Real alberga também a segunda coleção de tapetes mais importante do mundo, móveis com decoração original dos séculos XVIII e XIX, esculturas, instrumentos musicais, além de pinturas de grandes artistas, como Caravaggio, Goya, Velázquez, Federico Madrazo e Sorolla.

norwegian sky 9 pré-venda

norwegian sky 9 pré-venda

Desde 31 de maio que não vos dava noticias. Não gosto de ser muito intrusivo nas vidas enredadas que todos vivemos. Mas, feitas as contas já lá vão 5 meses e como que sinto assim uma legitimidade para escrever e levar até vós noticia desta escrita.
Há várias razões
sobre as quais podia aqui arengar. Mas não!

Photographs of British algae. Cyanotype impressions. Quero apenas recordar que hoje é o dia do fotolivro. Celebra-se a publicação em 14 outubro de 1843 (segundo inscrição feita no livro existente na Biblioteca do Museu Britânico) daquele que é considerado o primeiros dos fotolivros: o 1º volume das Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, de Anna Atkins. Não era a fotografia tal como a conhecemos hoje em dia, mas eram sim imagens produzidas através dum processo que é usado ainda hoje e designado por cianotipia (Google it).

Uma vez que é o dia mundial do fotolivro aproveito o mote e deixo aqui a noticia (já conhecida por alguns, que hoje em dia não há segredos e no caso nem convém) de que, se tudo correr como planeado, depois de ter publicado em dezembro de 2018 o livro-objeto “Na Luz Encontro Abrigo”, em novembro próximo publicarei um fotolivro que dá pelo título de “norwegian sky 9”. Sobre as suas imagens escreve Fernando Sobral (jornalista e escritor) que prefacia o livro: Em “Nowergian Sky 9” Arlindo Pinto olha para o mundo de forma particular. As imagens que aqui mostra são as de um nómada que percorre os labirintos onde se perde a sociedade actual. Nelas encontramos memórias várias, ecos do passado, sinais de um presente incómodo, pistas para se vislumbrar o futuro. Podemos ver mais claramente através das suas fotografias, que buscam o pormenor, a vitalidade das ruas, das pessoas, das habitações, dos locais públicos, onde todos se cruzam e muitas vezes ninguém tem tempo para ver. […] Mas, no meio da vertigem urbana há, sobretudo, o olhar sobre o contraponto entre as ruínas urbanas e os símbolos da natureza, como as flores, que não se rendem ao silêncio e à solidão das cidades.”
NOVO livro de Arlindo Pinto

O livro encerra alguns mistérios que o leitor é convidado a deslindar ativamente, convidando-o a fazer parte desta séria aventura que é a fotografia e como a lemos e ela nos lê. A seu seu tempo dar-vos-ei conta da sua apresentação ao público.
Por ora quero apenas dizer-vos que o livro se encontra em pré-venda até 31 de outubro, a um preço que permita cobrir os seus elevados custos de produção. Felizmente para mim, infelizmente para outros menos atentos, os exemplares de colecionador estão já esgotados. Os colecionadores são assim: não perdem tempo. Os que não colecionam, mas se interessam pela fotografia e pelo fotolivro, têm até 31 de outubro para a um preço mais simpático poderem fazer a sua aquisição enviando e-mail para livros@susanapaiva.com. Oferecer livros (a n
ós próprios ou a terceiros) é oferecer cultura, dizia alguém com muita propriedade. Creio ser o fotolivro mais apurado que publiquei até hoje, graças a todos aqueles que desinteressadamente e com todo o seu saber, se predispuseram a dar o seu contributo para que o livro venha a ser algo de que todos nos orgulhemos. 

Até breve.

Deixo-vos alguns dados da ficha técnica:

PHOTOGRAPHIC PROJECT
Arlindo Pinto
PROJECT EDITORS
Arlindo Pinto
Susana Paiva
GRAPHIC DESIGN
Nuno Moreira, NM DESIGN
TEXTS
Fernando Sobral
Arlindo Pinto
TRANSLATION
Magda Fernandes
ACKNOWLEDGMENTS
Carmen Rivero for her availability and advice
Fernando Sobral for the foreword text
João Vasco for letting me be his travel mate and friend
Magda Fernandes for her availability and hard work
Mimi for her endless love and support
Nuno Moreira for his patience and understanding
Susana Paiva for her wisdom, support, advice, and complicity

Território e Identidade

Território e Identidade

Decorre até 29 de junho a exposição “Aproximar-nos do Caos” na ACERT Tondela. Disso mesmo vos dei conta em publicação anterior, aqui no blogue. E espera por vós e por todos aqueles a quem possais dar nota da mesma. No centro da discussão estão questão ligadas ao território e à identidade, individual e social.

Aproximar-nos do caos | Exposição fotografia é fruto de um trabalho coletivo coordenado pela fotógrafa Susana Paiva, com a cumplicidade da EIFE Escola Informal de Fotografia do Espectáculo e da ACERT Tondela que acolhe a exposição e desenvolve um trabalho pluridisciplinar notável, em termos das áreas artísticas.

No âmbito da exposição tive o privilégio e a enorme responsabilidade de fazer a curadoria dos trabalhos dos autores Ana Botelho, Ana João Romana, João Vasco, e Paula Roush.

Pessoalmente a curadoria representou uma oportunidade de pesquisa e reflexão sobre a obra global dos autores, sobre estas suas obras em particular e a possibilidade, de consistentemente, abordar questões que me interessam do ponto de vista da prática fotográfica atual: se a mesma faz sentido, que sentido é esse e se a minha própria prática é coerente com tudo isso.

Por tudo isso, esta prática curatorial, ainda que incipiente, constituiu para mim uma oportunidade de crescimento enquanto autor e deixou-me na boca o sabor a um doce desejo de mais.

Para os interessados fica aqui a ligação para descarga do catálogo da exposição; uma publicação virtual de 30 páginas, resultado de um enorme desafio e da vontade, criatividade, paixão e resiliência de todos quantos participam nesta disrupção. Emprego o verbo no presente não só porque a exposição está patente até 29 de junho, num espaço fabuloso, como acredito irá estar em tempos próximos noutros locais do país, onde as artes visuais também têm lugar.

Pode ser perto de si.
Aceitem um abraço.

APROXIMAR-NOS DO CAOS

 APROXIMAR-NOS DO CAOS No âmbito da EIFE Escola Informal de Fotografia do Espectáculo, edição 2019 e com a coordenação de Susana Paiva,  terá lugar na ACERT Tondela, uma exposição alimentada criativamente pelo pensamento do filósofo José Gil, expresso numa entrevista que o próprio concedeu ao Jornal de Noticias em janeiro de 2019.

Abaixo deixo-vos o texto a constar da “folha de sala” do evento, para o qual me atrevo a convidar-vos.

 APROXIMAR-NOS DO CAOS [com umas lentes que permitam ver melhor o que é isso].

“Caos. Do grego káos, do verbo khainen, abrir-se, entreabrir-se.

Termo utilizado aparentemente pela primeira vez na “Teogonia” de Hesíodo (séc. VIII a.c.), designando o vazio causado pela separação entre a Terra e o Céu a partir do momento de emergência do Cosmo. Designa também para os gregos o estado inicial da matéria indiferenciada, antes da imposição da ordem dos elementos.”

(JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008)

 […] Na sua série “3ª – retratos de uma viagem ao interior”, da qual fazem parte as imagens “Diana” e “Janela” que integram esta exposição, João Paulo Barrinha procura mais a forma como vê a realidade, do que a realidade em si. As suas imagens reflectem, deste modo, as suas miragens – representações, muitas vezes surreais, dos seus sonhos e das suas memórias. Se
uma imagem é [uma] memória, apenas poderá ser a do seu autor. […]

[…] Quando olhamos para o trabalho “Território e Caos” de Raúl Salas somos transportados para um imaginário abstracto. Nas suas imagens, o autor, explora a essência do caos através de impossibilidades, criando territórios e tempos fictícios que co-habitam numa espécie de contínuo espaço-tempo (wormhole), induzindo um conflito de ordem. São fragmentos de tempos passados e presentes, vestígios de sociedades humanas antigas que convergem na sua obra, numa espécie de narrativa onírica cuja desconstrução implica tempo, imersão e proximidade ou, bem pelo contrário, afastamento e abstracção – essa é escolha que caberá ao público. […]

[…] Ana João Romana (em colaboração e com referência à obra de Susana Anágua exposta em 2014 na Carpe Diem) e João Vasco, apesar dos seus distintos percursos e influências, convergem nesta exposição na utilização da cartografia para operacionalizarem discursos artísticos centrados em energia e matéria, luz e terra.

A luz da cidade de Lisboa funciona como sujeito explícito da obra “18º abaixo do horizonte” de Ana João Romana, onde a luz é abordada de uma forma latente, mas carece de luz presente para que se revele. […]

[…] Por seu lado, a prática artística de João Vasco é alicerçada na fotografia documental e numa certa antropologia visual, que o autor utiliza como veículo gerador de consciência social. Em “Unidade Convulsa”, que agora apresenta, o autor faz emergir o seu background académico como geógrafo e invoca a cartografia como testemunho, uma memória da sua própria experiência, do seu caminho no mapeamento do Caos, que muito para além de ser geofísico, é intrinsecamente interior. […]

[…] Entramos agora na obra “Self” de Elsa Figueiredo, no seu caos, pelo lado [mais] escuro à procura da claridade […] Talvez precisemos de silêncio para melhor Ver e Entrar neste caos, para encontrar o túnel que nos leva até à luz. Também aqui, como nos trabalhos de Ana João Romana e João Vasco, o silêncio será a lente que nos ajudará a entrar na pele da(o) outra(o) e melhor compreender o que expressa Elsa Figueiredo. […] parafraseando a autora, “é através da busca constante daquilo em que falhamos e daquilo que nos faz falta, do vazio por preencher, que caímos muitas vezes no Caos”. […]

[…] Na obra “Mais alto! Mais altos! Sem parar! [Louder! Taller! Non-Stop!]”, de Mário Azevedo, o desejo humano é entendido como um poder destruidor da Natureza – uma força que atenta contra o passado natural, o pré-existente -, uma contínua procura do novo que ameaça o que está sedimentado. […] Na obra apresentada nesta exposição, o autor adopta a estratégia de criar um diálogo conflituoso entre duas imagens, […] [ao qual acrescentou] uma dimensão auditiva, cuja criteriosa banda sonora a escutar em registo imersivo, ela própria oscilando entre caos e harmonia, cria uma nova ligação entre imagens, agudizando inevitavelmente o referido conflito.

[…]

[…] Equacionando o crescente interesse, na abordagem artística contemporânea, pela conflituosa dicotomia Público versus Privado, com tónica nos conceitos de Liberdade e Transgressão, abordamos as obras “Ceridween” de Ludmila Queirós e “Paisagem-Passagem” de Carlos Dias, elegendo a transgressão como peça nuclear do discurso que as une. […]

[…] Carlos Dias aborda o próprio acto criativo como transgressão, sem regras, algo bem patente no manifesto do movimento Lomográfico que o autor adopta como fundamento do trabalho que agora apresenta. No caso de Ludmila Queirós […], a transgressão é corporizada através do olhar do espectador, testemunha (in)voluntária dos seus registos/testemunhos que alimentam o jogo deliberado de diluição do espaço/acto público e privado. […]

[…] O que une as obras “The true face” de Ana Botelho e “Paintball field” de paula roush, aqui apresentadas, e que, nas suas múltiplas acepções, simultaneamente as separa, é a antítese da face humana, em alguns dos inúmeros significados que lhe são atribuídos: a máscara. A máscara, física ou psicológica, – esse outro eu – que permite ao seu utilizador, o mascarado, dissimular a sua identidade, transformando a sua aparência, através da sua evidente função de adaptação social. […]

[…] “Paintball field”, enquanto jogo de disfarces, ironiza o jogo da guerra e expõe, segundo a autora, “a glorificação da morte implícita na narrativa do jogo”. […] Todos desempenham um papel, numa outra pele e identidade: a de caçadores e de presa, como num conflito real.

Por seu lado, a narrativa construída por Ana Botelho em “The true face” utiliza a máscara para discursar sobre um Caos interior, na continuidade de uma reflexão pessoal que a autora havia iniciado, em “Há dias que gosto mais do que outros”, publicado em 2018, e que não versando uma guerra de todos os Homens, aborda um conflito intrinsecamente seu. […]

[…] Unidas pela fragmentação da imagem que propõem nas obras, Leonor Duarte e Sofia Pereira Santos encontram na ilusão o mecanismo perfeito para equacionar a natureza do seu olhar, e das suas próprias imagens, para através delas reflectir sobre as diferenças entre representação, ilusão e realismo.

[…] Se a obra “Pode uma suave brisa mudar o mundo?”, de Sofia Pereira Santos, opera a sua reflexão evocando o espaço – na verdade um duplo espaço, da maquete do seu fotolivro e do(s) lugar(es) que este representa, – para equacionar a sua necessidade pessoal de permanente procura, já “S/título” de Leonor Duarte, na sua dupla natureza pictórica e referencial, elege o tempo, […], como o eixo discursivo que lhe permite reflectir, metaforicamente, sobre a forma como “a natureza se apropria do construído, recriando-o de uma forma que invoca o sagrado.”

Apesar das suas diferenças, é também aqui, na dimensão da recriação, que se voltam a interceptar as obras destas duas autoras – no seu desejo de permanente reinvenção das possibilidades do olhar, usando como pretexto um corpo em perpétua demanda de viagem. Inevitavelmente imbuídos da “força devastadora do caos [que] varre e destrói os estratos habituais do pensamento, das afecções, da linguagem, provocando um vazio a partir do qual se constrói a singularidade”, mergulhamos uma última vez nas sábias palavras de José Gil em “Caos e ritmo”, conscientes que é “no plano das matérias de expressão, no plano das formas, estruturas, composições que germina o caos” e, sendo este, também, um discurso curatorial elaborado por artistas que reflectem sobre a obra e práctica de outros artistas, não resistimos a concluir com uma nova citação do referido livro, “[…] mas é também no espírito e no corpo do artista [que germina o caos], porque ele habita inteiramente o espaço e o tempo da obra, tal como estes invadem as suas sensações e o seu pensamento. Um plano – de matéria e energia – liga a obra ao artista e inversamente, o artista à obra. É nele que o caos se instala e se estende. […]”

Excertos do texto curatorial da autoria de Arlindo Pinto, Dora Pinto, Fátima Lopes, Fernando Alves, Paula Arinto e Susana Paiva

Ficha artística e técnica

APROXIMAR-NOS DO CAOS [com umas lentes que permitam ver melhor o que isso é]

COORDENAÇÃO

Susana Paiva

AUTORES
Ana Botelho
Carlos Dias
Elsa Figueiredo
João Vasco
Leonor Duarte
Mário Azevedo
Raul Salas
Sofia Pereira Santos
[Autores Convidados]
Ana João Romana
João Paulo Barrinha
Ludmila Queirós
paula roush

CURADORES
Ana Couto
Arlindo Pinto
Dora Pinto
Fátima Lopes
Fernando Alves
Paula Arinto
Rui Esteves [assistência]

PRODUÇÃO
Ana Moreira Silva | direcção

COMUNICAÇÃO
Filipa Assis | direcção
Clara Moura [assistência]

AGRADECIMENTOS

Gostaríamos de agradecer à ACERT a confiança artística em nós depositada e o extraordinário empenho que permitiu esta iniciativa.

Gostaríamos ainda de fazer um especial agradecimento ao filósofo José Gil cujo pensamento, em torno do Caos, alimentou criativamente este projecto.

Livro de Artista do Projeto “i”

Livro de Artista do Projeto “i”

Livro de Artista do Projeto i

A apresentação do livro relativo ao Projeto “i”  terá lugar no dia 17 de novembro, pelas 18h.30m no Palácio Pancas Palha, Travessa do Recolhimento Lázaro Leitão, nº 1, 1ª andar, Lisboa. São naturalmente bem vindos e a vossa presença é apreciada. A laia de contextualização fica abaixo um pouco da história da construção deste livro “sui generis”.

*

O projeto “i” nasceu no âmbito da Escola Informal de Fotografia em 2017, sob a orientação de Susana Paiva, tendo como pano de fundo o “Elogio da Sombra” de Junichiro Tanizaki e o universo japonês Wabi-Sabi, tal como sobre ele escreveu Leonard Koren em “Wabi-Sabi for Artists, Designers, Poets & Philosophers”.
O “Elogio da Sombra” serviu de base ao “draft” conceitual do projeto e à safra de imagens que foram colhidas em fevereiro, março, abril e novembro de 2017. Além da penumbra tão cara a Tanizaki, o grosso das imagens revelava contrastes muito acentuados e sombras muito profundas, em locais onde apenas uma luz muito ténue era admitida, sem luz solar direta ou luz qualquer luz artificial. As imagens eram nítidas e precisas, de arestas cortantes, ângulos e linhas bem definidos. Apesar de evocarem a importância, segundo Tanizaki, da obscuridade no modo de vida tradicional japonês, em si mesmas consideradas, não satisfaziam, segundo o seu autor, os conceitos de transitoriedade, imperfeição, impermanência e incompletude, a que a beleza das coisas está submetida, segundo o conceito de Wabi-Sabi de Koren. Isso iria requerer um processo criativo assente a montante num erro/acaso, que descaradamente se usou como formula de experimentação para a criação final das imagens, todas elas únicas e perspetiveis. Citando Lazslo Moholy-Nagy, 1947, por seu lado citado por Magda Fernandes & José Domingos in “A salvação da fotografia vem da experimentação”. Não temos a pretensão da salvar a fotografia, nem nos preocupa, como se questionam aqueles autores, se “Poderá o acaso continuar a assim chamar-se, se deliberadamente o procuramos?”
As imagens de “i”, como se lê no Artist Statement do autor, “são imagens de paciência, construídas pacientemente, para observadores pacientes”. Que outra coisa dizer de imagens cuja construção obedece a um processo de impressão doméstica a preto e branco, no verso de papel fotográfico, terminadas usando um secador de cabelo?
O livro que agora se dá a conhecer continua a obedecer aos princípios estéticos que no início e ao longo do processo da sua construção apelavam ao acaso e à imperfeição. Para isso muito contribuiu o workshop com Paula Roush, “Page Turner”, em novembro de 2017. O livro, fugindo do convencional, não o afronta tão radicalmente como estamos certos a Paula apreciaria, mas comunga ele próprio de três simples realidades: nada dura, nada é completo: nada é perfeito.
“i” foi totalmente manufaturado. À exceção da impressão, ela própria exigindo uma atenção redobrada em relação a um processo normal de impressão, tudo o resto é fruto de braço. É portador de uma beleza onde já não se torna suficiente só olhar, é preciso ter tempo para ver. A beleza e a pressa são antagónicos e esta impede que se desfrute daquela, porque há uma importante auto-jornada para encontrar e apreciar o que está mais escondido.
“i” é um exercício de paciência, generosidade e simplicidade.
Esperamos que o desfrutem como ele merece.

Zemrude zine

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Title: Zemrude
Author: Arlindo Pinto
Editor: Self-Publishing
Dimensions: 13 x 18 cm
Pages: 24
Edition: 20 copies (regular) + 5 copies (collector’s edition)
Edition Year: 2015

It is the mood of the beholder which gives the city of Zemrude its form. If you go by whistling, your nose a-tilt behind the whistle, you will know it from below: window sills, flapping curtains, fountains. If you walk along hanging your head, your nails dug into the palms of your hands, your gaze will be held on the ground, in the gutters, the manhole covers, the fish scales, wastepaper. You cannot say that one aspect of the city is truer than the other, but you hear of the upper Zemrude chiefly from those who remember it, as they sink into the lower Zemrude, following everyday the same stretches of street and finding again each morning the ill-humor of the day before, encrusted at the foot of the walls. For everyone, sooner or later, the day comes when we bring our gaze down along the drainpipes and we can no longer detach it from the cobblestones. The reverse is not impossible, but it is more rare: and so we continue walking, through Zemrude’s streets with eyes now digging into the cellars, the foundations, the wells.

(CALVINO, 1972:68)