Sobral nas Linhas de Torres: olhares e perspectivas
O REMORSO DE WILLIAM
No início do século XIX, os exércitos Napoleónicos invadem a Europa, sendo um dos grandes objectivos a conquista de Inglaterra, embora a evidente supremacia naval britânica mostre que desembarcar em Inglaterra é difícil e arriscado.
Procurando debilitar a resistência britânica, o Imperador Francês decide prosseguir a guerra por meios económicos e, em Novembro de 1806, decreta o Bloqueio Continental – pelo qual determinava o encerramento de todos os portos europeus para o comércio com a Inglaterra. Inevitavelmente, este decreto acabaria por provocar um enfraquecimento das exportações britânicas, abrindo caminho para uma crise industrial.
Em nome das relações privilegiadas que mantinham com os portugueses, os britânicos enviam uma esquadra para Portugal com o objectivo de conseguir apoio militar e político contra a França. Mantendo importantes negócios com Inglaterra, os portugueses não têm outra opção senão renunciarem ao Bloqueio Continental.
Insatisfeito com a decisão portuguesa, Napoleão ameaça invadir o país e neste contexto de guerra entre duas grandes potencias – França e Inglaterra – que disputam entre si a hegemonia da Europa, Portugal sofre 3 invasões ao seu território, por parte das tropas do Imperador Francês.
Ora, no âmbito do bicentenário das Linhas de Torres, a Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço decidiu levar a efeito uma exposição colectiva de artes plásticas com o tema em título.
De entre os vários artistas convidados está este vosso humilde servidor que foi solicitado a dar o seu contributo para a dita exposição. À primeira vista não tinha nada em mente, à segunda também não, à terceira idem! Hum… a coisa não prometia nada de bom! Estava já para lá da “deadline” fixada para entregar o trabalho e nada! Claro que a resposta estava na história.
Com a ajuda dos britânicos vieram os seus Marechais e Generais dar ordens cá no país dos otários! Um deles dava pelo nome de William Beresford. A 7 de Março de 1809, foi nomeado generalíssimo do exército português e foi consolidando e aumentando os seus poderes. Rejeitava as novas ideias liberais, imaginava conspirações e reprimia-as severamente; para além disso, enquanto submetia o país a uma forte organização militar, ia colocando os oficiais britânicos nos mais altos postos, preterindo os oficiais portugueses.
Em 1817, após rumores de uma conspiração que pretendia o regresso do rei e que se manifestava contrária à presença inglesa, mandou matar os supostos conspiradores, entre eles o general Gomes Freire de Andrade.
Ao que se sabe apenas rumores infundados serviram a Beresford para mandar executar Gomes Andrade.
Em 1810 Beresford estabeleceu o seu quartel-general em Sapataria, Sobral de Monte Agraço, na denominada Quinta Nova de Nossa Senhora. De nova só tem o nome porque está em completa ruína. Regressado do Brasil onde estivera em contacto com as Cortes, já revolução liberal (24 de Agosto de 1820) estava nas ruas e foi obrigado a regressar directamente para Inglaterra. Entrada de leão, saída de sendeiro…
Foi naquele local que fotografei William, julgado pela história, curvado pelo peso do seu passado e devorado pelo remorso, em jeito de homenagem ao general Gomes Freire de Andrade.
A exposição é inaugurada no dia 2 de Outubro, pelas 18 horas. Deixo-vos o convite para irem até lá, onde estará exposto “O Remorso de William”, que vêm aqui em baixo.

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Fontes:
http://www.arqnet.pt/exercito/beresford.html
William Carr Beresford. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-09-29].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$william-carr-beresford>.
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