A minha vida num mar de fantasmas

Ocaso

I am nudePercorro de passo curto o teu torso e nádegas de cacau.
O amarelo do ocaso revela sombras em desalinho.
Corpos frementes em devassos gestos de prazer e condimento de colorau,
Carnação em lume… eu e tu um corpo onde me aninho.

Corpos que se fixam, bocas que arfam, órgãos que latejam,
Sangue inflamado que circula nas veias em chama.
Carícias de gente vulgar num vai e vem de almas que poetam,
Poema urdido de danças e desejos no lácteo da cama.

Imitam-se, envolvem-se, revolvem-se os corpos transpirados.
Mistura-se a libido e o bem querer revela-se em frémitos de prazer.
Os corpos gritam e as bocas calam os gemidos abraçados.

Foi-se a fome num entardecer de volúpia.
A carne lateja ainda mas inerte,
Na dança adorada da fonte que corria.
Caio lânguido na noite e o teu corpo permanece.



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