A minha vida num mar de fantasmas

Negrais Fest 2009

SEAN RILLEY & THE SLOWRIDERS + THE PROFILERS + X-WIFE

18.07.2009, 20h30m. Procuro um local que o Eurico dos PROFILERS me tinha indicado para comer um leitão “à maneira”. Ignoro o local. Rendido às novas tecnologias, peço ao GPS para me indicar o Restaurante “CANEIRA” e sou levado para um pasto verdejante! Cogitei para comigo que aquele não seria o local apropriado para comer o afamado leitão de Negrais. Além do mais eu não estava classificado como ruminante na categoria dos animais terrenos para o GPS…
Faço o gesto mecânico de encanar a marcha à ré do veículo em que me deslocava. Penetro novamente o centro de Negrais, onde se podiam admirar as típicas decorações das festas saloias.
- Hum…
No palco à esquerda alguém fazia o Sound Check para mais logo ter o som desejado para a multidão que haveria de aparecer indiferente ao frio e ao vento, que a noite trouxe consigo. Estaco o veículo de mansinho e pergunto a um nativo:
- Ó amigo, sabe dizer-me onde fica o restaurante “CANEIRA”?
- Olhe – e eu olhei – anda 500 metros e é logo aí à frente!
- Retorqui com um delicado e necessário “Obrigado” e zarpei rumo à saída da localidade.
À frente já depois da placa que indica o termo da povoação, estava o “CANEIRA”, onde eu me lembrei já ter estado.
Havíamos chegado são e salvos. Motivo para celebrar.
Na mesa do canto estavam os ilustres membros das bandas, que pisariam o palco mais logo. Cumprimentos e conversa de circunstância, que não havia tempo para mais e sentei-me à mesa para apaladar o leitão acompanhado da bela da bata frita e da colorida salada.
Já de barriga cheia vim à porta onde o “Pitosga” parecia algo abatido pelo facto de não haver muitos carros estacionados estrada arriba.
- Nos outros anos há carros até cá acima – disse.
- Pá, hoje é o Super Bock e os MOONSPELL na Amadora – tentei eu animar a coisa, pensando que se a malta não aparecesse para um espectáculo com três bandas nacionais, todas com discos editados, ia ser mau…
Estrago feito e conta paga, desci a caminho do centro das festividades. Antes de chegar ao local, um senhor agente da autoridade mandou-me estacionar logo ali num descampado, que lá para baixo não passam viaturas.
- Sim, senhor agente!
Queimando tempo para os concertos fui dar cinco voltas nos carrinhos de choque! Para ali andei com a herdeira mais nova, chocando aqui e ali e mais além e acolá, até que se acabou o combustível e nos dirigimos à boca do palco. Estava na hora. Mas as horas marcadas vocês já sabem que têm apenas o propósito de anunciar quanto tempo os eventos começam atrasados, portanto, da hora já passava e já nem me recordo quando começou efectivamente o espectáculo. Porventura até fui eu que cheguei atrasado.
- Hum…
Atrasados ou não, o facto é que os SEAN RILLEY & THE SLOWRIDERS deram inicio á festa do rock com o local já cheio de espectadores de todas as idades, aparecidos do nada (este nada receio bem que sejam as tascas da festa).
Dei inicio à minha saga fotográfica, só descansando nos intervalos e para uma ou outra imperial fresquinha…
Dos SEAN RILLEY já se escreveu muito, mas o que interessa é ouvir. São uma banda de multi-instrumentistas cujo som me embala e faz evocar as pradarias americanas, o verde do pasto de Negrais ou aquele monte onde vivia a Heidi.
“São histórias de amor e desejo, de pecado, de Deus e do Diabo, embrulhadas em estruturas Rock’n’Roll, bluesy e folk de clima hedonista.” in Disco Digital. Excelente som, malta porreira de Coimbra, berço de muita da nova música nacional.
Intervalo e muda-se o palco e mais não sei o quê, malta que aparenta estar atarefada a verificar cabos e som, batendo com o indicador nos microfones aferindo do seu funcionamento:
- Tuque, tuque. – E alguém diz:
-Ok!
Os segundos a entrar em palco são os filhos da terra que os pariu: THE PROFILERS. Estes moços com moça à frente conheceram uma ascensão vertiginosa desde que ganharam o XIII Festival de Música Moderna de Corroios. São produto de uma mescla bem engendrada entre o Blues, o Cabaret, o Rock e umas pitadas de indie-pop. Dizem eles que “A música que fazem cheira como o interior de um guarda-fatos antigo, sabe a bourbon e a cigarros, tem a textura do sangue que jorra nos filmes do Tarantino e do Robert Rodriguez e a transpira a sensualidade das dançarinas do can can. E deve soar a muitas coisas, do bom velho rock and roll ao blues, da bossa ao jazz, do indie pop ao cabaret.” Está tudo dito.
Neste espectáculo tiverem convidados de peso. Veja as fotos. É surpresa.
No final do espectáculo fui até aos bastidores e, tal como tinha prometido num outro show, levei a garrafa de SOUTHERN COMFORT… O facto é que já havia muita malta com um grão na asa. Engoli uns quatro fundos de SOUTHERN COMFORT e regressei ao palco para fotografar os X-WIFE. Gerados no Porto, têm nome estabelecido no mercado e tocam indie-rock muito dançável. Que o digam as teenagers que estavam à boca do palco e até lá para trás. Toda a malta a abanar o corpinho que a noite até pedia para aquecer.
Terminados os concertos, abriram-se as garrafas e as adegas.
A noite terminou como começara: com leitão, vinho, cerveja, bourbon e… bom já não me lembro. A bem dizer há muita coisa de que não me lembro.
Sei que me deitei às 7 da manhã!
Negrais valeu a pena: tudo do que é bom ali se reuniu: comida, bebida, música, músicos, nativos e gente que abre a porta ao viandante, como Fábio nos abriu a dele até que não houvesse leitão nem cerveja e as conversas começassem a ser um pouco absurdas…
Boas férias!
Um abraço a todos os assinantes e visitantes do 70-200.net (actualmente Planeta dos Catos).



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