A minha vida num mar de fantasmas

Não quero crescer!

Tom Waits - I Dont Wanna Grow UpSempre me interroguei por que razão todos os aniversariantes desejam, ao invés de o serem, não o ser. No meu humilde ponto de vista, aquele desejo é um desejo de morte! Pois só os mortos não fazem anos, salvo os que se contam já com os sete palmos de terra da ordem em cima: “faz chis anos que morreu…” Eu, se me permitem, prefiro fazer épsilon anos que nasci! E porque não havia de festejar os meus aniversários? Nunca obtive resposta para esta pergunta, se bem que os que o não desejam sempre digam: “por que fico um ano mais velho.” E? Pergunto eu. Vá lá, dêem espaço a outros, morram mesmo, caramba! Sempre a lamentar-se que estão mais velhos. Se não querem ficar mais velhos têm a solução na ponta da corda ou da faca de matar porcos ou ainda de uma arma de candonga! Pois não é fazer anos um motivo de sobra para festejar a vida?
Já sei, a vida é uma puta! Ok! Grande coisa! Putas sempre houve e não consta que o mundo tivesse acabado por isso. Não querendo errar, creio até que contribuíram significativamente para o crescimento populacional e, portanto, para a vida.
Apesar de hoje ser um bom dia para morrer, o facto é que prefiro ser aniversariante e festejar o termo de mais um período da minha vidinha, ainda que desinteressante quiçá. Festejar o facto de ter estado com os meus filhos, os meus amigos, ter conhecido pessoas novas, umas interessantes outras nem tanto, mas mesmo assim dignas de nota, porque todas as histórias de vida são complicadas. A vida é complicada. Ser puta não é fácil.
Se o quotidiano não fosse tão profundamente estúpido, não veríamos no outro que se aproxima apenas um número ou mesmo uma ameaça que nos poderá comer o queijo, mas sim um ombro amigo, uma história verídica de força de vontade, de depressões, de suicídio, de assassinato (onde isto já vai), mas ainda assim uma vida! Neste momento não importam os juízos dos doutos juízes, até porque seriam, por certo, excessivamente baseados em factos inexoravelmente provados num processo judicial de qualquer natureza, ainda que outros houvesse, contrários mas não provados.
Pois eu tenho fortes suspeitas que, um dia, talvez até depois de morto e enterrado, os que me apedrejaram em vida, hão-de provar do seu próprio veneno e desejar terem sido esse ombro onde eu devia descansar os meus olhos fatigados de ver tanta hipocrisia e gente visceralmente estúpida que odeia fazer anos e diz que parou aos 30 ou aos 40.
Eu não quero saber e sei que vou morrer. Contudo, não quero crescer! Isto é contraditório? Ou não?
Brindo à saúde dos que sempre estiveram comigo!
Cheers!…



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