A minha vida num mar de fantasmas

Mustafá King

MustafáO jovem corria louco, enfurecido, no quinto andar!
Snifava cocaína e saltaria da ponte da revolução,
se quisesse possuir a loucura da infindável e porca existência.
Uma batina manchada das picadas e
a carne dilacerada pelo prazer da alucinação,
trazia no ventre os filhos cor-de-rosa das
raparigas assexuadas, nos actos saltadores de fios eléctricos e
do passear sem direcção com os miolos espalhados no
metálico da cobertura da cabina telefónica.
Os dias do verão apareceram vivos num momento de dor atroz e
olhos de cego homosexual viram pairando embuçados,
os bairros da lata incendiarem-se, com petróleo da longínqua arábia
dos donos da areia triste que,
desalmada, cospe o escarro do pó e
penetra as côrtes assíduas dos sultões apodrecidos
pelo vício do sexo masculino.
Cobriu a amada no berço dos cães azuis e
saltitou na sombra de Abel, Caim dos pobres,
quando o retirar se quedou mudo,
num silêncio de cortar à faca o bandulho dos reis da treta,
que, soltos da inteligência, atacaram os deuses do Olímpo,
num barulho alvoraçado de mulheres fáceis e
gritaram até que o cair da noite abafou a indulgência do sanatório,
onde os loucos refazem, tijolo a tijolo,
a muralha que ruiu ao toque de mustafá king.



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