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MAMUTE e BLACK BOMBAIM na ZDB, 19.03.2010

Há já algum tempo que não ia à Zé dos Bois. Quebrou-se o enguiço na sexta-feira passada, a convite do Tojo Rodrigues dos BLACK BOMBAIM!
Para as 23h (ou seja a uma hora qualquer o espectáculo começava) estavam alinhados para mostrarem o que valem: MAMUTE e BLACK BOMBAIM. Duas bandas que se movimentam na área do Stoner Rock: riffs, mega descargas eléctricas de milhares de vóltios, que envolvem o ar num badanal de poeiras cósmicas e ácidos alucinantes, num universo paralelo de luz e cor.
Os MAMUTE deram inicio ao show, já nem sei a que horas, mas não foi às 23.
O mamute é um animal extinto que pertence ao género Mammuthus, à família Elephantidae incluída nos proboscídeos. Tal como os elefantes, estes animais apresentavam tromba e presas de marfim encurvadas, que podiam atingir cinco metros de comprimento, mas tinham o corpo coberto de pêlo. Estes animais extinguiram-se há apenas 12000 anos e foram muito comuns no Paleolítico, onde foram uma fonte importante de alimentação do homem da Pré-história.
Quem diria que volvidos tantos anos, tantos que é até difícil contá-los, um MAMUTE havia de vir colocar em alvoroço uns quantos humanos ali para o Bairro Alto. Guitarra e bateria, são os seus instrumentos de ataque e nós que os ouvimos nem esboçamos defesa porque queremos padecer às notas distorcidas da fuzz box e à batida seca da bateria. Por mim contratavam um baixista, já disse várias vezes, mas pronto… Com ou sem baixo, os MAMUTE dão boa conta de si, mas a mim, pela falta do dito a bateria perece-me às vezes um pouco solta. Mas isto sou eu a aventurar-me por caminhos que não quero trilhar…
Depois de mudado o palco apareceram então, vindos de Barcelos os BLACK BOMBAIM. Cedo se percebeu que o galo de Barcelos agora era outro. Ao ouvir os rapazes fiquei coma sensação de se tratar de uma onda maciça e totalmente devastadora de energia, imparável, sem silêncios, sem tréguas, sem remorsos. Energia pura e alucinogénica. Estavam ali as poeiras cósmicas e os ácidos vertiginosos: a bateria num turbilhão de danças desenfreadas, acompanhada por um baixo ribombante e uma guitarra distorcida num solo constante, com o fundo de ruídos celestiais proporcionados pelo theremin.
Destruição total, aniquilação completa sem possibilidade de perdão.
Os BLACK BOMBAIM estão ao nível do que melhor o Stoner Rock já produziu, mesmo fora de portas. Estou a lembrar-me de ORANGE GOBLIN, NÉBULA, THE MUSHROOM RIVER BAND, UNIDA, GRAND MAGUS, ELECTRIC WIZARD, THE ATOMIC BITCHWAX, etc.
Cinco estrelas para o novo galo de Barcelos, numa noite que foi de peso.
A fechar, nota sempre negativa para a luz da Zé dos Bois. E pronto!
As fotos estão por baixo das que aqui vêem ;)

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