Tempo de leitura: 5 – 8 minutos

A Banda de Poi - MórPortugal e a Galiza estão ligados por factores culturais, geopolíticos e económicos. “Galegos e portugueses fazem parte da mesma nação cultural, até ao ponto de que um estudioso do facto nacional na Europa ocidental, como o italiano Salvi, autor de “Le nazioni proibite”, estima que a Galiza é uma das “false nazioni” da Europa. Para Salvi, Galiza é uma falsa nação, porque não é uma das que ele chama nazioni proibite, quer dizer, não é daquelas nações que não conseguiram constituir o próprio Estado nacional sobre alguma parte do seu território, pois a nação galego-portuguesa, na sua prolongação portuguesa, sim conseguiu dar-se um Estado, embora parte do seu território inicial (o território da actual Galiza) faça parte do Estado espanhol e, portanto, sem Estado próprio”. Xavier Vilhar Trilho
Talvez, a sul do Douro, esta questão não se equacione sequer, convencidos ou ignorantes, que somos das nossas raízes históricas e dos laços que nos unem com o povo a norte do Minho. Tão esquecidos que admitimos serenamente, tal qual um rebanho obediente às ordens do pastor ou aos avanços do canito sentinela, que traçam o caminho que as ovelhas dóceis devem seguir, sem pensar, sem indagar, que nos conformamos com as incursões espanholas de que paulatinamente vamos sendo alvo, prestes a tornar-nos uma colónia castelhana. No entanto, o Norte do país tem investido e tornado efectiva a ligação entre os dois territórios, nomeadamente através de colaborações conjuntas nas áreas cultural e científica.
“Nós, os portugueses, podemos dizer que, da Galiza, o seu cerne, a sua essência, está em Portugal, e que não temos medo de chamar Galiza a todo o Norte do nosso País, que as coisas são como são, por muito que pese aos espanhóis.” José Chão Lamas
Os portugueses em geral, são uma massa amorfa que permite tudo a todos, designadamente, aos seus governantes, por mais que lhe aumentem os impostos, ou diminuam as garantias e até atropelem direitos constitucionais. Não é de admirar que além de permitirem, com subserviência até, as investidas espanholas na área do comércio, com resultados desastrosos para o comércio genuinamente português, não se interessem em saber que ligações existiram, existem ou poderão existir entre Portugal e Galiza.
Mas, “nós, os portugueses, os que nos fazemos perguntas acerca destas coisas (só quem fizer as perguntas dará com as respostas; em saber perguntar, pesquisar, está o segredo da sabedoria e do conhecimento), pensamos que a Galiza é uma região espanhola que vêm caindo por cima de Portugal e na qual as pessoas falam um linguajar deturpado e feio como um espanhol com muitas palavras portuguesas, e onde as pessoas do povo entendem os portugueses e não têm essa atitude anti-portuguesa que se dá nos espanhóis quando o homem (ou mulher) português não é um iberista. Mas isso não é a Galiza, é somente uma parte da Galiza. A Galiza é na realidade grande parte de Portugal, de Santarém para cima, é aí que chegava o velho reino da Galiza. Haverá por acaso algo mais galego do que Braga, capital da Galiza romana, do reino suevo, da Igreja da Galiza? Lugo e Santiago sempre agiram por delegação do “verum caput” Braga, durante doze séculos a cabeça, e que por isso mesmo é ainda a cidade primaz de Portugal.” José Chão Lamas
A história diz-nos que “… ao emancipar-se a Galiza bracarense do império espanhol, aquela Galiza sueva tam altiva como compacta antes da Reconquista e despois da Reconquista, ficava, por dizê-lo assim, dividida por metade. Ou a Galiza lucense devia seguir a sorte da bracarense, ou impedi-lo a todo o transe, pois ficando afecta à monarquia espanhola, sobre ficar incompleta, ficava excêntrica, fora do seu assento moral e dos seus interesses de raça. De tolerar-se a separaçom do reino de Portugal, reino nascido e formado na Galiza bracarense, devemos ser portugueses antes que espanhóis, porque a emancipaçom da Galiza bracarense da Coroa de Leom e Castela significava o triunfo perfeito da nobreza sueva sobre a nobreza goda…” Bento Vicetto
Também na área da música popular, os músicos têm veículado a união existente entre Portugal e Galiza, reivindicando e fortalecendo as ligações entre os dois povos. São frequentes as referências a Portugal, à sua cultura e aos pontos de contacto entre as duas (?) culturas. Os Resentidos, Siniestro Total e, mais recentemente, A Banda de Poi, são exemplos desse sentir.
Hoje fica aqui um tema do primeiro disco d’ A Banda de Poi, que pela primeira vi em Vilar de Mouros. Nos Links (148) podem encontrar links à banda e à problemática “Galiza e Portugal, uma só nação!”.
Para que se entenda melhor o tema que podem ouvir, fica aqui a letra, para cantarolarem:

kommies

Kommies kommies kommies kommies
Som uma ameaça os kommies comunistas
Acaba con eles anti-sionistas
Som o eixo do mal o grande satán
A sua cor é vermelha moran no indostám
Kommies kommies kommies kommies
O nosso problema e o kommie teimoso
Nom quer entender o nosso negócio
Chegar a um país matar e vencer
Vender o armamento e ficar có poder
Kommies kommies kommies kommies
O che e o alhende
Os inoçentes do 36
Na galiza alexandre e daniel
Em portugal no tarrafal
Jesús e ghandi
E o povo unido adiante
Kommies kommies kommies kommies
O nosso sistema tém grandes ventajas
Sacamos o ouro ficamos coas gajas
O “neo-kommie” consume filmes hamburguesas
Garrafas de cola bombas japonesas
Kommies kommies kommies kommies
E muito importante que o kommie comprenda
Que é um terrorista se defende a terra
Preciso é ensinar ao kommie a pensar
A moda texana no nossos “think-tanks”
Kommies kommies kommies kommies
Liberdade!!!

Originally posted 2007-03-25 20:58:00. Republished by Blog Post Promoter

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12 Respostas to “Galiza e Portugal, uma só nação!”

Comentários (12)
  1. Justino diz:

    Qual Galícia? Galiza.

  2. JoãoV diz:

    Olá,
    não é nada justo o que acontece à galiza desde há 500 anos. Os lusófonos adoram ser independentes e diversos, mas sempre ligados pelas suas raízes comuns… A europa tem que despertar e tornar-se sensível a este drama… e os senhores castelhanos nascidos na galiza aprendam a respeitar as raízes do povo histórico que os vem acolhendo (suportando!) e tratando com respeito. Castelhanos APRENDAM A SER CIVILIZADOS E A RESPEITAR QUEM BEM VOS ACOLHE (na GALIZA)! Respeitem o país onde nasceram ou então regressem a castela. Já agora porque sairam de lá? Talvez por serem maus uns para os outros? Pois é, está-vos no sangue, nem para vós (castelhanos) sois bons, raça reles.

    Viva a Galiza lusófona, viva

  3. Gonçalo diz:

    E abraço aos irmãos Galegos, considero-os como compatriotas apesar de não serem de Portugal, apenas me custaria ver o nome “Portugal” desaparecer após 900 anos de História, ou parte de Portugal ser afastada da sua outra parte a sul (dividir Portugal), até porque estamos numa época em que deve haver união e não desunião. De resto somos todos como irmãos. “Portugal”, tal como “Galiza” são nomes que têm os dois direito a existir. Quer a Galiza um dia seja 100% independente, ou quer se queira juntar a Portugal, há que fomentar a união e nunca a desunião. Pensem em Portugal não como um país estranho que oprime uma suposta “Galiza do Sul” como alguns pensam, mas sim como um país que já foi apenas um Condado Portucalense e parte da Gallaecia, que se expandiu pelo mundo mas que não esqueceu as origens (vejam a nossa Língua e tradições), e que é uma bonita mistura de povos (como toda a Ibéria e até a Galiza). É só por já ter lido algures na Internet alguns Galegos mais radicais dizerem que Portugal deveria ser dividido ao meio e só queriam o Norte de Portugal e que o sul de Mondego é que seria Portugal, que coloquei o meu comentário anterior, para não levarem a palavra “Galiza” acima de “Portugal” ou qualquer outra, ambas têm a sua importância na História, e “Portugal” nasceu em Porto e Gaia dentro da antiga Gallaecia. Mas tenho a certeza que a maioria dos Galegos gostam de Portugal inteiro e não apenas do norte. Abraços e continuação de bom trabalho.

  4. Gonçalo:
    Obrigado pelo contributo!
    Abraço.

  5. Gonçalo diz:

    A Galiza não é a Gallaecia. Gallaecia é um nome inventado pelos Romanos que inicialmente chamaram Lusitania a toda a costa e depois dividiram em Lusitania e Gallaecia. Portugal/Portucale é um nome que existe antes da palavra Gallaecia ser criada e que vem da cidade de Portus e Calle/Galle (actuais Porto e Vila Nova de Gaia). Portucale esteve integrado na Gallaecia Romana, mas depois voltou a expandir para sul e conquistou o actual Portugal, e é uma mistura de vários povos e não apenas Callaeci. Galiza não é Gallaecia, e como tal não há qualquer fundamento em ter de se chamar Galiza e meio Portugal. Galiza se quiser pode ser independente, e até podia formar uma união com Portugal mas Galiza é só Galiza, e todo o Portugal, é o Portucale expandido e não é Galiza, apesar de parte dele já ter feito parte de um Reino Galaico. Mas Portugal é Portugal, Galiza é Galiza. Portugal é a evolução de Portucale, e Galiza é outra parte da antiga Gallaecia. São coisas distintas. Não pensem que tem fundamento a transformar parte de Portugal em Galiza, só porque fazia parte da antiga Gallaecia. Tal como Galiza invoca o direito de independência por ser parte da Gallaecia, Portucale devido ao seu nome com milénios (Portus+Calle/Galle) também merece ter o seu nome no país Portugal. Portugal e Galiza são ambos filhos de algo anterior, e Galiza não é mãe de Portugal, é quanto muito irmã. Não confundam.

  6. Filipe Cardoso Pereira diz:

    Excelente blogue. Parabéns e longa vida e ampla divulgação é o que desejo.

    Deparo-me com um problema caricato: estou a tentar, hà jà semanas, de encontrar o livro In “GALIZA PORTUGAL – UMA SÓ NAÇÃO”, ed. Nova Arrancada, Lisboa, Outubro de 1997. Considero-o improtantissimo e gostaria de o ler, mas temnho tido imensa dificuldade em procurà-lo. Jà contactei diversas livrarias e até Feiras do livro. Dizem sem stock.

    Alguém me pode ajudar? Informaçoes que possam ter seriam vitais. Vivo fora de protugal, pelo que é-me muito dificil adquirir esta obra.

    Melhores cumprimentos

  7. DS2 diz:

    Fds mandem este último gajo pó ….alho!

  8. ana diz:

    Vamos parar com estes lastimosos ismos e construir uma Europa multicultural, multiliguística, sem fronteiras. Chega de fomentar nacionalismos que tanto mal nos fez no passado, nos levando a duas guerras infames e umas tantas outras ditaduras.

  9. CM diz:

    Sim eu sei… basta ir à Galiza… mas daí até termos a Galiza em Portugal… seria o mesmo que a Irlanda do Norte voltasse à Irlanda… vai ser dificil!
    Não é que eu não gostasse de ver a tira de alto a baixo no mapa da Peninsula…
    Sim é uma triste história de que todos se querem esquecer!
    Abraço – CM

    PS Tou a tratar de Fu Manchu – just wait

  10. CM, não precisamos de ser nós a dizer aos espanhois. Os galegos estão-lho sempre a dizer!
    Olivença é outra história (triste).
    Abraço

  11. CM diz:

    Man, vai lá dizer isso aos espanhois… não vão achar graça à conversa!
    Abraço – CM

    PS E Olivença conheces a história?

  12. Fabricio Borges diz:

    caramba, muito bom ter lido isso Arlindo…essa questão Galicia/Portugal é muito interessante, levando em conta que falo um idioma que vem dai…vou dar uma olhada nas musicas …

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