Tempo de leitura: 2 – 4 minutos

Ilegales - Eres Una PutaHá que tempos, hein!
É mesmo. Tempo demasiado. O tempo necessário para ir sarando algumas feridas. O restabelecimento é lento, mas consistente, espera-se. Entre cabeçadas na parede – em sentido figurado bem entendido, até porque as tipas não valem isso – e afundanços no sofá da sala, vou trilhando um novo caminho. É mentiroso quem afirma que só se nasce uma vez. Acredito, pois, no renascimento – sim, também no que marca o fim da idade média e o início da idade moderna. Quando vivemos uma mentira durante muitos anos, como foi o meu caso, acabamos por perceber, mais tarde ou mais cedo, que nos anulámos, que vegetámos, que aquilo teve tudo a ver com todos menos connosco. E depois o quê? Depois lembramo-nos da história do cavalo velho que caiu num poço seco e do qual, naturalmente, não conseguia sair pelas suas próprias patas. Nesta história o dono, decide que, como o animal era já velhote e que quer ele quer o poço pouco préstimo tinham, o melhor era enterrá-lo vivo, ignorando os seus lamentos. E com a ajuda dos vizinhos, toca de iniciar o macabro funeral. A cada pá de terra que lhe caía no lombo o cavalo sacudia-a e dava um passo sobre ela. Depois de muita terra sacudida, o cavalo conseguiu, caminhando sobre ela, emergir do poço. Cansado é certo, mas com uma nova vida pela frente. A história acaba aqui, mas romanceando a coisa, o facto é que depois de se ver fora do poço, o cavalo galopou durante dias e jamais voltou ao seu antigo dono. Mais tarde foi encontrado por um camponês que lhe deu guarida e o cuidou até ao fim dos seus dias (do cavalo, entenda-se).
Histórias à parte, vou voltando aos poucos aos meus hábitos e criando outros mais recentes condicentes com a minha nova vida. Uma vida, provavelmente, mais curta do que a anterior, mas que, estou certo, será bem melhor. Tudo é preferível a viver com alguém que, decorridos muitos anos, se revela um ser ignóbil, dissimulado, de baixa moral e, acima de tudo, falaz.
Contudo, há aqui duas questões que têm que conhecer resposta. A primeira é, como é que eu não percebi isso antes? A segunda é, qual é a medida exacta dos meus cornos (desculpem o vernáculo, mas é mais libertador)? Para a segunda sei apenas que não são muito grandes, porque continuo a atravessar as portas cá de casa sem problemas. Para primeira não conheço resposta, apesar de achar que sou muito estúpido. Mas, se alguém tiver outra ideia deixe aqui a dica.
Como pano de fundo desta pequena prosa ficam os Ilegales, com um tema a propósito.

Também poderá ter interesse em:

  • 14 anos! O que faria eu se tivesse 14 anos? Com 14 não saberia. Com 44 já sei. Por isso aqui ficam algumas dicas se quiseres dar um pouco de atenç ...

  • Sempre me interroguei por que razão todos os aniversariantes desejam, ao invés de o serem, não o ser. No meu humilde ponto de vista, aquele desejo ...

  • Alguém, algures no tempo, me ofereceu um rádio transístor vermelho, da marca National. Estimava-o. Figurava na galeria dos pouquíssimos divertimen ...

ASSINAR NEWSLETTER

340 visitas

Bookmark and Share

Sem Respostas to “Eres Una Puta”

Comentários (3)
  1. jufaria diz:

    Sim são aguas passadas, que não moem moinhos, mas que tu tens sempre presente em ti, quanto a tua 1ª pergunta lá diz o ditado, “o … é sempre o ultimo a saber” quanto a 2ª isso que tem quem nos coloca, sabes o que lhes acontece? colocamos-lhes um par de patins e eles voltam para o lugar donde vêm. mas Deita fora o passado e vive o presente, sabes o passado não importa o que nos importa é o presente, e vivamos um dia de cada vez, para que agarrados ao passado, está morto e interrado
    Bjs
    Jufaria

  2. Minha querida:
    São águas passadas…
    A Fénix renasceu!
    Beijos

  3. Maria Silva diz:

    E que tal uma limpeza mental: deitar fora tudo o que nos prende ao passado e que neste caso corresponde a um mundo de coisas tristes.

    Sabes que acabo por concordar com algo que já li algures que diz mais ou menos o seguinte:
    Para ser feliz basta ser:
    Colo que acolhe
    Braço que envolve
    Palavra que conforta
    Silêncio que respeita
    Alegria que contagia
    Lágrima que corre
    Olhar que acaricia
    Desejo que sacia
    Amor que promove

    Que achas?
    Beijo

Deixe um comentário

(campo obrigatório)

(campo obrigatório)

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

© 2005 - 2010 Arlindo Pinto | Planeta dos Catos | Fotografia | Photography [70-200.net] © Fotografia e Textos de Arlindo Pinto excepto onde indicado. Suffusion WordPress theme by Sayontan Sinha