"Dai-nos Barrabás!"
Anteontem juntei-me, forçado, confesso, à carneirada.
Ao redil que no final da semana visita, sôfrega, as catedrais do consumo. E logo no pior dia: sábado.
Pensando bem, hoje nada tem de invés em relação ao dia transacto. Apenas a dimensão: uma casa maior, uma catedral. Por ali erram, sem destino, um número indeterminado de seres, em busca do sentido da vida. Para tanto, melhor seria dar uma olhada à fita dos Monty Python. É muito mais esclarecedora. Mas não. Vão para admirar as montras, os expositores e para se entreolharem. Como se fossem ao museu. Razão tinha o Andy Warhol.
Até ao local caminham em fila, logo após o almoço, e buzinam-se mutuamente na aflição de chegar antes de qualquer um e poder acomodar-se naquele lugar ideal, à porta da sacristia. Muitos preferem comungar na catedral e, tendo levantado o corpo cansado e flácido demasiado tarde do estábulo, refastelam-se com as americanices da comida “a lá minute”, para depois irem merendar pipocas nos cinemas. Proporcionar-se reciprocamente aquele característico rilhar, seguidamente abafado com uns valentes goles de Coca-Cola. E se puder aparecer aquele arrotozinho, tanto melhor. É sinal de plena satisfação. De quem está bem com a vida e com os que o rodeiam. Mostra respeito e pode até ser motivo de uma risada pacóvia.
Depois podem comungar novamente e recolher logo de seguida, ou não. Podem insistir no banho de multidão, agora mais escassa. Muitos recolhem ao toque das Ave-marias, até porque pode muito bem ser a hora de penitência junto da TV, para sofrer garbosamente pelo seu clube do coração.
Se assim for, novo grémio se reúne junto a outro altar. Aí, se reza pela vitória, por um punhado de tentos que humilhe o adversário. A vida no dia seguinte terá outro sabor. A vitória será motivo de regozijo, que pode chegar ao coma alcoólico. Tudo depende do adversário humilhado. Os níveis de álcool serão proporcionais.
Agora percebo porque a maioria gritava, “Give us Barabbas”.
Seja. Fiquem-se com ele.
Por
