Textos Insanos

Mar 292013
 
 2013/03/29  Posted by on 2013/03/29 Textos Insanos, Word of Mouth No Responses »
man-dog

Fancis Bacon - MAN DOG

O cão sentara-se havia pouco.
O deserto crescia, crescia sem parar
junto ao calcanhar da palmeira daquele oásis
plantado à beira da estrada descalça,
que conduzia a “Megalópolis”, a cidade desgraçada
de luzes frias e chuva tão intensa
que os pés se perdiam na lama da estrada circular,
que aquele rafeiro axadrezado percorria do nascer ao ocaso.
Sete ventos varreram a cidade maldita,
que era uma aldeia triste e sombria do interior
com musas e papalvos, saloios de venta roída pelo frio,
bem sepultados em sarcófagos de tédio irrespirável,
de tal modo as meias do assalto ao banco me sufocavam a voz,
que corria derretida da caminhada
em torno daquele velho deserto do cão,
que era amigo do homem, até que este,
fodido da vida,
lhe pontapeou os tomates inchados da glória de não montar.
E o deserto era já tão intenso que o dilúvio nada poderia
contra as areias cálidas de uma tarde de verão
junto ao asfalto do cão.
Três cães.
Eram três cães e votaram: logo a vida se afogou
no dilúvio sumarento da prostituição e da chulice,
onde se tropeçava como se os pés de uma cabra fossem razão suficiente
de um orgasmo ordinário.
Três carros!
Três resplandecentes “Mercury”.
Um peão morto e o deserto.
Ah, esse crescia. E crescia sem parar.
Crescia até ficar tão longe,
que os olhos de uma águia se perfuraram nos cornos de um boi corpulento
que era o cão morto, desfeito, apodrecido
em sangue corrente tipo EPAL
e os miolos verdes eco-lógicos,
amarelados pelos sete ventos gelados do norte
espalharam três tumores por cabeça de fome de preto.
Todos gostaram do sexo do animal putrefacto,
decomposto em quadradinhos de chocolate envenenado
pelos políticos do tesão.
E assim os porcos que saltitavam alegremente
num antro de esterco impossível,
nada puderam contra a areia pequenina da estrada de
“Megalópolis” do cão e da morte coberta
pelo deserto que parou no início do
fim do mundo.

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Mar 292013
 
 2013/03/29  Posted by on 2013/03/29 Textos Insanos, Word of Mouth No Responses »

Todos MortosRuo, construo, desconstruo, reconstruo, num ajuste curvo
de uma abóboda celeste incoerente
de um fogo efémero que arde mas não queima
como a insignificante morte dos antepassados,
depois da dor, morte e terrestres seres moídos
em impulsos incoerentes de glória falsa
efemeramente enganosa.
Proxenetas do pai no seu dia, sem genetriz nem descendente que o acoite.
Triste macaqueação e um inútil ser filho da mãe.
Aspiro a armas e canhões nunca assinalados em qualquer parte
num retângulo de homens difíceis, génios do horror nativo,
extenuados da inteligência sobredotados da depredação,
verdugos do povo madraço macambuzio prenhe de revoltas
encerradas nas paredes obscuras dos tugúrios da imigração.
Todos mortos, todos mortos… filhos da puta!

Jan 262013
 
 2013/01/26  Posted by on 2013/01/26 Textos Insanos, Word of Mouth No Responses »

MustafáO jovem corria louco, enfurecido, no quinto andar!
Snifava cocaína e saltaria da ponte da revolução,
se quisesse possuir a loucura da infindável e porca existência.
Uma batina manchada das picadas e
a carne dilacerada pelo prazer da alucinação,
trazia no ventre os filhos cor-de-rosa das
raparigas assexuadas, nos actos saltadores de fios eléctricos e
do passear sem direcção com os miolos espalhados no
metálico da cobertura da cabina telefónica.
Os dias do verão apareceram vivos num momento de dor atroz e
olhos de cego homosexual viram pairando embuçados,
os bairros da lata incendiarem-se, com petróleo da longínqua arábia
dos donos da areia triste que,
desalmada, cospe o escarro do pó e
penetra as côrtes assíduas dos sultões apodrecidos
pelo vício do sexo masculino.
Cobriu a amada no berço dos cães azuis e
saltitou na sombra de Abel, Caim dos pobres,
quando o retirar se quedou mudo,
num silêncio de cortar à faca o bandulho dos reis da treta,
que, soltos da inteligência, atacaram os deuses do Olímpo,
num barulho alvoraçado de mulheres fáceis e
gritaram até que o cair da noite abafou a indulgência do sanatório,
onde os loucos refazem, tijolo a tijolo,
a muralha que ruiu ao toque de mustafá king.

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Jan 262013
 
 2013/01/26  Posted by on 2013/01/26 Textos Insanos, Word of Mouth No Responses »

Quadradamente retirámos a Sul.
As tropas jaziam inertes numa espera de morte rápida,
brandindo sabres de guerreiro amedrontado e
a majestade romana erguia hirta,
quente,
a estátua da civilização laica,
enquanto o vulcão aquecia, num sorriso cálido
a Janika.
Vulcano soltou ordenadamente os condenados ao terror e
pretendeu possuir, num beijo roçado
nos átrios do templo de Poseidon,
as filhas do Império que estouravam num odor fétido a
sexo e alimentação.
Baco escorropichava corrimentos femininos dos
copos da bestialidade ibérica e
soltava ejaculações alcoólicas de touro enraivecido.
Num Inverno primaveril de flores murchas
os deuses caíram esquálidos no
beco tétrico das avenidas de Pompeia e,
orando sonolenta, Vénus possuiu as
filhas do lesbianismo ministerial.
Era Júpiter que ria sentado no
trono invertido das nacionalidades orientais
da península dos alarves.
Um vulcão de terra prometida rodeou os espaços,
as facas voaram numa dança macabra de
terror infinito e
Pompeia adormeceu num sono profundo de
metabolismos eternos.

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Abr 292011
 
 2011/04/29  Posted by on 2011/04/29 Textos Insanos, Word of Mouth No Responses »

Fria CaligrafiaFora… lá fora o vento sibilante,
o chuvisco gelado do Inverno…
O Inverno humano.
Rosto no vidro batido… rosto dilacerado.
Agora o “já” eterno…
Lá fora o Inverno.
Vago… o pensamento!
Fome do outro lado…
A força, raiva… raiva… lá fora o Inverno!
O zumbido repentinamente estatelado… o zumbido.
A voz… por terra o pedaço vivo… de humanidade morta!
A destruição quente… Quente o Inverno?
Lá fora o frio… o Inverno frio.
Fome virgem deste lado?
Abundância… fome parida!
Agora sim! A fome parida…
Gritos… gritos… tantos gritos.
O desespero solitário lido no rosto…
Rosto no vidro batido… partido!
E o Inverno cá dentro…
A pele nua… no frio.
Pesado o pedaço morto… aquele rosto no vidro antes batido.
Lágrimas pelo rosto despedaçado…
Agora é o Inverno, o pedaço gelado… tudo gelado.
A terra quente… por terra o morto… frio.
Agora o “já” eterno… a ausência do rosto no Inverno…
O Inverno no rosto!
O sentir… um sentimento ido… um pedaço…
Lá fora o vento sibilante… o Inverno… o chuvisco gelado…
… a morte!

(Meda, 1982)

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Abr 292011
 
 2011/04/29  Posted by on 2011/04/29 Textos Insanos, Word of Mouth No Responses »

Speed RainDebruçado na minha varanda
Escuto o murmúrio da chuva que cai reta
Deixo a noite envolver-me e abraço-a
Como a uma amante recente
Onde tudo é volúpia e desejo incontrolado
Semicerro o olhar e engendro o devir
A paranóia doentia do dia a seguir à noite
Persisto teimosamente e com desvelo a
Existir no ânimo da escuridão
Olho o horizonte e nada alcanço que não tenha visto já
Apenas o mesmo local, agora ensopado, telúrico
Os avejões já decrépitos
Os companheiros de tantas disputas
Clamam por mim e não os escuto
O ruído não se permite esta noite
Ainda que de amigos moribundos
O compasso da chuva mantém-se e danço ao seu som
Percorro, bailarino, o salão de festas
A minha varanda e a minha chuva
Encharco os cabelos esparsos e humedeço os ossos que me doem
Um sofrimento que me arrasta para o precipício
Bailo e percebo que o fim está perto
Chuva assassina