(Atenção: no texto abaixo é usada linguagem vulgarmente reconhecida como calão e obscena. Seria socialmente correcto não o fazer. Mas eu não sou hipócrita, nem bebi chá em criança. Apenas café que me excitou suficientemente o cérebro, não só para dizer estas besteiras, mas também para saber que todos o fazem, ainda que digam que não. Fingimento inaceitável e moralmente reprovável. Se a linguagem da natureza citada o (a) choca, ou se é menor, peço-lhe encarecidamente que não leia o texto abaixo. Se o fizer e não estiver em sintonia, seja ela FM ou OM, não diga que não foi avisado(a) e enxovalhe depois o autor e o citado, fazendo comentários à impropriedade da linguagem e da falta de educação dos mesmos, correndo dessa forma o risco de estar deliberadamente, e por culpa própria, a difamar pessoas de bem, que podem perfeitamente pôr-lhe um processo em cima, ou em baixo, como mais lhes aprouver.)
Andava eu de volta da limpeza e arrumação da garagem, deitando fora vestígios do meu passado, duvidoso ou não, quando por entre um trago de gin tónico bem frio (que as limpezas requerem calma e descontracção etílicas) e um tema – The Hunter – dos Free (uma das maiores bandas rock que o planeta já conheceu), quando inopinadamente deparo com um dos livros que mais marcas deixou na minha pouco sóbria juventude. Nada menos de que o “Manifesto” de Ricardo Figuinha, uma “proposta de anarquia corporal, sem erva, sem ácido, sem nada”, algo de que considerando o conteúdo tenho sérias dúvidas, Continue reading »
Originally posted 2006-11-22 00:08:23. Republished by Blog Post Promoter



“Ted escreve a uma loja para dizer que um dos manequins expostos na montra se parece com o seu falecido vizinho e perguntar se poderá comprá-lo para o oferecer à viúva inconsolável. Informa educadamente um hotel de que vai dar entrada com a sua própria máquina de refrigerantes (“Assim não terei de me dirigir à recepção para pedir trocos”). E entra numa troca de argumentos delirante com o rei de Tonga acerca de uma espada prussiana que perdeu enquanto lavava as mãos na casa de banho do Ritz-Carlont de Chicago. E estamos a falar das suas ideias normais. Das suas inúmeras invenções, ideias para negócios, amor pelos trajes de fantasia, semelhança inquietante com Abraham Lincoln ou das sardas que se parecem com Anthony Quinn é melhor nem falar.” (*Excerto de texto da contra-capa.)
O pudor (falso) impede, amiudadamente, os humanos de ter discussões elevadas sobre certos assuntos mundanos, até porque, demasiadas vezes socialmente pouco aceitáveis e mal interpretadas. A propósito, num dicionário de língua portuguesa que me passou pela mãos, sobre um dos significados de erotismo, pode ler-se “preocupações sexuais exageradas”! Assim, salvo se desejar ser apelidado de “tarado(a) sexual”, deve evitar, pois, pronunciar-se sobre assuntos eróticos e, portanto, traseiros, pelo menos em público: “vícios privados, públicas virtudes”.

