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VOICIST + TOKYO DRAGONS + DANKO JONES @ PARADISE GARAGE
Terça-feira é feira da ladra. Semanas antes tinha já decidido ir com o “JM” ladrar para o Paradise Garage. Por ali passava “The Mango Kid”, acompanhado de duas bandas de apoio: Voicst e Tokyo Dragons. O projecto era chegar cedo, ficar bem junto ao palco, primeira fila entenda-se, e abanar violentamente a cabeça ao som do já conhecido Danko Jones. Com os outros, ilustres desconhecidos, logo se veria. A noite havia de consistir no frenético destilar de suor e sacudir as ancas oscilando o corpo entregue à potência dos amplificadores. Chegados ao local onde a celebração do rock’n’roll deveria ter lugar, ocupámos os lugares de acordo com plano antecipadamente traçado: temerariamente na dianteira. No proscénio estavam alinhados instrumentos e as baterias faziam fila indiana, prontas a ser descartadas à medida que fossem usadas. Eram uma espécie de instrumento de usar de deitar fora. Tocado que estivesse, ele aí ia direito ao canto esquerdo do palco, por onde haveriam de se escoar os instrumentos e amplificadores usados e já sem préstimo para aquela noite. Música descartável. Who cares?
Há hora marcada aparecerem os Voicst. Os presentes, escassos, fitavam o palco com a curiosidade de quem nunca lhes tinha posto a vista em cima, nem sequer lhes tinha feito ouvidos de mercador.
“We are Voicist from Amsterdam”. Ok. Fogo à peça. Um trio poderoso. Rock’n’Roll em inglês com sotaque holandês. Normal. Além disso apenas nota para um qualquer problema de pé-de-atleta do baterista e do baixista: um de meias e outro descalço. Depois queixem-se que a micose se contrai nos locais menos expectáveis.
Por ali andaram pulando e rodopiando sempre com um som suficientemente forte para manter quentes os indefectíveis amantes do ruído organizado produzido em volumes consistentes com a possibilidade de uma surdez prematura. É dos Voicst o registo que hoje aqui fica em “chords of fame”, precisamente o tema que abre este disco.
E lá fizeram a parte deles, os miúdos, e bem digo eu. Idos, vem o staff retirar instrumentos e a bateria da fila indiana. O canto esquerdo do proscénio lá vai sugando, qual buraco negro, os instrumentos e demais artefactos usados na função.
Os meus ouvidos, a escassos 100 cm do palco, começavam a emanar um certo zumbido característico da exposição a demasiados decibéis… iiiiiiiiiiiiiiiiiii. E nada. Assim é que é! Em cima do acontecimento.
Palco limpo, chegam em grande estilo os Tokyo Dragons. Malta à moda antiga. Cabelos compridos, indumentária com prazo de validade expirado, botas de cóboi (sem vacas, pelo menos no palco), t-shirt invocando ZZ Top e cabelos suficientemente longo para se saber que a Páscoa se aproximava.
Tónica no hard-rock, solo p’ra aqui, solo p’ra ali e os ouvidos iiiiiiiiiiiiiiii. Malta competente e que aqueceu bem os presentes, que haviam já iniciado os violentos abanões de cabeça, mas nada de “mosh”, por enquanto. A droga e o álcool estavam, contudo, a caminho da produção dos seus efeitos.
Depois do buraco negro ter sugado toda a instrumentália do TD, as luzes apagaram-se a aparecem os três “Men in Black”. Hum… notei logo. Cara nova!
O baterista era um outro fulano, com um claro problema de dentição, por falta deles.
Função iniciada. O que se esperava: um destilar contínuo de energia, contacto permanente com a audiência, conversa de café, provocações mútuas, mas o homem aguenta tudo, e mais, entra no jogo… Naturalmente que os abanões de carola tornaram-se mais viris e, por vezes, violentos.
Tudo corria bem até os elementos extra musicais produzirem os seus esperados efeitos. Os nativos inquietaram-se e iniciaram uma dança frenética de encontrões. Corpos faziam voos curtos, que terminavam inevitavelmente no chão lavado de cerveja. Por entre voos e encontros fui atingido pela mão delicada de uma donzela escanzelada que erguia com a outra um copo de cerveja super-bock. Apesar do meu desagrado a coisa ficou por ali. Afinal estava numa zona de risco. “No big deal”, apesar de ter sido forçado a fazer aterrar um dos moços que por ali voava baixinho.
O “JM”, menos habituado às tribos do rock, foi violentamente atingido na cabeça pelo voo 42 de um piloto destravado. Temeu pela vida. Recuou para local seguro junto ao bar. Como qualquer soldado consciente do seu dever, permaneci bravamente na linha da frente defendendo os valores em que acredito: “rock till you drop!” Se não gostarem destes tenho outros, é só dizerem…
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Circulo dança espiral
A apenas alguns dias de me deslocar a Bragança para fotografar o Carnaval, vem este a propósito do que lá por cima se passa. Siga a dança que é nada menos do que muito interessante. Em http://www.rodobalho.com/
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A primeira vez que ouvi Phil Ochs foi em casa do “J”, há muitos anos atrás.
O incêndio em casa, provocado por uma negligente instalação eléctrica “do it yourself” que, para encurtar distâncias, recomendava, ao que parece, o trânsito de fios eléctricos por baixo das alcatifas coçadas e o seu “polegar assassino”, como o “F” alcunhara o dedo mais curto e grosso da mão direita do “J”, por virtude dos estragos que o seu assentar de agulha causava no vinil, haviam deixado o sobrevivente “Chords of Fame” de Ochs de tal forma que, entre o carvão, o pó e ruído de fritadeira, apenas as 2 ou 3 últimas canções de cada um dos lados deste disco duplo eram audíveis. Foi o suficiente para que este albúm póstumo, deste americano crítico acérrimo do sistema, porque verdadeiro patriota, da América dos anos 60, caísse que nem uma bomba (já agora atómica, porque estamos a falar da América) nos meus ouvidos.
Adquiri, desde esses tempos, o hábito ou o vício de ouvir Phil Ochs. Em dias de depressão, em dias de repressão, em dias de raiva e, irónicamente, também em dias de celebrar a vida! Continuar a ler »
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Há canções que nos dizem tudo. Tudo daquilo que fomos, daquilo que somos, daquilo que desejamos, do bem e do mal, enfim, ouvimo-las e lá estamos nós, em sentido próprio ou figurado.
Johnny podia ser qualquer um de nós, ali erecto em plena rua, olhando o céu cinzento de Inverno, retina fixa nas nuvens que anuncíam borrasca ou tempestade mais séria, daquela que os jornais televisivos anunciam com mortos e inundações fenomenais de norte ao sul do país. O país imerso em águas turvas como sempre esteve e ficará “ad eternum”, sem rumo, sem leme, sem timoneiro. Com compadrio e corrupção.
Mas se Johnny podia ser um de nós, então todos podemos, algures, ter os nossos 15 minutos de fama, como professava o Andy Warhol, rapaz dado a comportamentos estranhos, mas de alguma forma um profeta dos nossos dias. Ascensão e queda. Sobretudo queda. Queda do pedestal dos nossos sonhos que nunca se concretizam, pelo que o infrutífero sonhar é apenas um exercício para entreter tolos, que acreditam que um dia, antes da sua morte, prematura ou não, podem alcançar algo que os satisfaça em pleno. Absurdezas do Homem. Se tudo é breve de que vale o investimento? Investir em quê? Nas nossas vidinhas de trazer por casa? Continuar a ler »
Originally posted 2006-11-23 01:20:17. Republished by Blog Post Promoter

Ferocactus glaucescens