Aleg(o)ria do In ferno
O que interessa
neste inferno, é valer a pena esse exorcismo de libertação.
O resto são pedaços de cinza que os desejos vão acumulando,
como brisas ainda quentes dos sonhos
Por todo o inferno do Mundo, a chama despertou a paisagem e o simbolismo do grupo posicionado junto à praia. O fogo do interior do mar. Um outro inferno, uma outra sequência. Um fotógrafo de uma família, contratado, dispara projetando para o ar a fixação do espanto. O fogo sai como um disparo. A família poderia ser morta na inércia dessa fixação. Captar infernal. Arlindo capta o momento como o momento o capta. Esse ruído silencioso de inferno/inverno projetado na fotografia. Inferno interior. O inferno de Dante por cantar. Ou por contar ou “rock in roll” virtuoso, abrasivo de diabos á solta, do grito da revolta, grito da revolta, nascituro vindo das entranhas.
Eis a prova fixa do fotografar infernal.
Uma grande multidão tentando abarcar o oxigénio que nos destrói e sustenta.
Andamos por aí a necessitar das cinzas depois da explosão. Combustão do bailado das labaredas. É o ruído do vulcão. Do rodopiar efémero para esse centro. O mundo contraste de termos de viver uns com os outros. No inferno da maldita fixação do olhar, na destruição para o outro lado dos frios. Infernos de labirinto do Arlindo Pinto ritmados ao compasso da feroz viagem do salve-se quem puder que o inferno se aproxima.
Há que desviar o olhar para o território desconstruído. Tudo se transforma no crepitar do som magnífico do roçar asfalto da viola pedida.
Fotografada no embaraço.
Assim se acumulam as procuras para o desencontro.
Como o INFERNO muito menos químico, mas mais abrasivo.
Centro do Sol. Como “coisa” fotografada aqui tão perto como tudo.
Ou talvez o fixar.
O fixar do Arlindo Pinto. Com miragens
Do calor…
Eduardo Nascimento, 2011
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